quinta-feira, 24 de maio de 2018

Como evangelizar pessoas da Igreja Universal do Reino de Deus?

Certa vez conversei com um pastor da Universal. Quando falei sobre a vida do apóstolo Paulo, que foi pobre, e até teve problemas que não conseguiu vencer – o espinho na carne, por exemplo – esse pastor me disse: “Eu não tenho culpa que Paulo não soube usar a sua fé para resolver seus problemas!”.

Percebemos que existe um dano muito sério na espiritualidade das pessoas que adotam as doutrinas da seita Universal. Vou tentar trabalhar algumas sugestões de como podemos conduzir as pessoas ao Senhorio de Cristo, que por hora, estão sob os enganos heréticos da teologia da igreja Universal. Pode ser que haja muitas pessoas lá que não estão sob as heresias ensinadas por ela. Nessas abordagens não vou me deter no fundo histórico do surgimento e desenvolvimento da Universal.

Uma pergunta simples:

“Onde Jesus fez algum de seus discípulos ficarem ricos?”

Nenhum vestígio disso pode ser percebido nos atos e milagres de Cristo. E olha que ele fez muitas coisas prodigiosas, mas nenhum enriquecimento de seus discípulos. Ao contrário, ele incentivou a todos a tomarem cuidado com as riquezas (Mt 6.24; Mc 10.23; I Tm 6.9,17). Leia com ele essas passagens e pergunte:

“Quando a IURD estimula buscar de Deus riquezas, ela está indo contra ou a favor dessas orientações bíblicas?”

O que alguns apologistas da prosperidade farão é recorrer ao Velho Testamento, com uma péssima interpretação bíblica. Então, vamos lá:

O que a Bíblia diz sobre a Prosperidade?

1. As bênçãos prometidas, e adquiridas, aos patriarcas, são nossas também?
Antes de responder, uma breve perspectiva da história bíblica a respeito deles se faz necessária: No livro bíblico de Gênesis, a história de Abraão, Isaque e Jacó, são exemplos de como Deus pode fazer que pessoas que não tem nada, em peregrinações, em grandes homens de negócio. Especialmente do capítulo 12 em diante do livro, percebemos como receberam posses materiais, e vitórias sobre grandes problemas, dos mais variados possíveis. Deus prometeu aos patriarcas, e aos seus descendentes, bênçãos materiais que seriam adquiridas, em especial, na terra de Canaã, onde manava leite e mel. Como era de interesse nacional, as guerras literais eram um dos mecanismos usados para se apoderarem dessas bênçãos no período especialmente posterior. A execução dos inimigos nacionais de Israel fazia parte desse avanço de domínio material e territorial, prometido por Deus.

Com esse pano de fundo histórico, retornemos à pergunta: As bênçãos prometidas, e adquiridas, aos patriarcas, são nossas também? Nossa resposta inicia-se com as seguintes elucidações –

A. Como cristãos na dispensação da Nova Aliança, não recebemos de Deus promessa para adquirir algum território especifico. Nem estamos em território estrangeiro, rumo à outra terra física:

Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” (Hb 11.16 [grifo acrescentado]).

“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;” (Hb 12.22).


Perceba que o argumento do autor dessa carta bíblica, no capítulo11º, mostra a história de todo povo de Deus do VT que viveu pela fé e alcançaram alguns feitos, porém, não era a promessa final e essencial que estava por detrás de todas as coisas que avistavam. O autor inspirado demonstra que a fé foi o instrumento que Deus usou para eles adquirirem algumas amostras do que de fato era o alvo – a pátria e os bens, espirituais e celestiais! E ainda aponta que eles, como quem não havia alcançado. E no primeiro texto a advertência foi que isso não mais deveria ser esperado! Ideia repetida aqui:

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,” (Fl 3.20).

B. Não estamos adquirindo essas bênçãos por meio de batalhas/guerras literais, em nossas conquistas em nível de riquezas materiais:

“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo; (2 Coríntios 10:3-5).

“Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Mateus 8:11,12).

2. A as bênçãos da nação de Israel, no período bíblico, são as mesmas da Igreja? Em Deuteronômio capítulos 27, 28, 29 temos um compêndio de bênçãos e maldições físicas ao povo de Deus na antiga aliança. Houve uma promessa divina de que os descendentes de Abraão possuiriam a Terra da Promessa, mas para que tais bênçãos fossem efetivadas no decorrer da história, na vida de cada geração subsequente, foram apresentados os termos da aliança feita no Sinai. Eles receberam tais promessas materiais, ao mesmo tempo que foram abundantemente abençoados com a Teocracia, onde Deus governava por meio da Lei ‘mosaica’, ao se instalarem na Terra Prometida, e na subsequente organização da nação em monarquia.

Porém, esse povo quebrou os termos da aliança, várias vezes, e foram amaldiçoados consequentemente, inclusive foram deportados para Babilônia, deixaram de ser Israel de 12 tribos e passaram a ser o povo Judeu, o Templo destruído, a arca da aliança desapareceu, e com o tempo, até o ponto de não mais serem um Reino independente, no período de Jesus - e para piorar, ainda rejeitaram a Jesus como o Messias (Jo 1.11).

As bênçãos que recebemos agora em vida, não são as mesmas. Elas são em um mesmo nível, mas em uma maior intensidade, na vida espiritual, com uma percepção e profundidade que o servos fieis de Deus não recebiam no período do Velho Testamento:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;(Ef 1.3).

Ø  Que bênçãos são essas?

a.    O Batismo com o Espírito Santo: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.” (At 2.33).
b.    O testemunho do perdão por confessar: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (I Jo 1.9)
c.    A consciência intima da bendita reconciliação com Deus: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Rm 5.10).
d.   A superlativa, soberana e santa justificação: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” (Rm 5.1,2).
e.    A desejável adoção: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16).
f.     A árdua e necessária santificação: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hb 12.14).
g.    A inegociável presença e habitação de Deus produzindo Seu fruto em nós: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” (Gl 5.22-25).
h.   E promessa imutável da glorificação: “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.”(Rm 8.30).

Prezado leitor, SE tais bênçãos e promessas não encher o nosso coração de alegria, mui provavelmente, precisamos de conversão genuína!

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.” (1 Coríntios 2:14,15).


Imagem: Google

terça-feira, 22 de maio de 2018

Escatologia das Testemunhas de Jeová - Uma Ilustração do Autoritarismo das Seitas

"O objetivo deste artigo é apresentar a escatologia das Testemunhas de Jeová a fim de ilustrar o papel central que a doutrina dos últimos dias tem para as seitas como forma de justificar a liderança autoritária da Torre de Vigia. As seitas costumam ter uma escatologia própria como uma tentativa de explicar a descontinuidade histórica que há entre elas e o Cristianismo primitivo. Para isso, as igrejas pseudocristãs colocam a si mesmas como um grupo religioso, cujo surgimento e história foram profetizados nas Escrituras. 

Os adventistas, por exemplo, afirmam que a Bíblia profetizou o surgimento de um movimento que anunciaria uma data errada para a Volta de Jesus gerando um grande desapontamento, pregaria a guarda do sábado, anunciaria o Juízo investigativo, teria uma profetisa e que surgiria no final do século XIX e assim identificam a si mesmos como a única igreja verdadeira, a “igreja da profecia”. Veremos que o mesmo se dá em relação aos russelitas, além de evidenciar outras funções que a escatologia cumpre dentro da seita, especialmente em relação à justificação do autoritarismo do Corpo Governante.


1914 – O INÍCIO DOS ÚLTIMOS DIAS


Para as Testemunhas de Jeová os últimos dias começaram em outubro de 1914. Nesse ano, algumas coisas aconteceram [1]:
1.  Jesus foi empossado Rei no Céu: Jesus começou a reinar no céu como Rei do Reino de Jeová.
2.  Satanás foi expulso do Céu: Quando começou a reinar, Jesus expulsou Satanás do céu para a terra.
3.  Os sinais da vinda de Cristo começam a se manifestar na Terra: A vinda de Jesus é sua presença invisível como rei celestial, como Satanás e os demônios foram lançados a Terra, as coisas no mundo começaram a ficar ruins, fazendo surgir guerras, fomes, terremotos e doenças.
4.  Iniciou-se a ressurreição espiritual dos ungidos: Jesus passou a ressuscitar (na verdade “recriar em espírito”), os salvos que vão morar no céu (cujo número exato é de 144.000 pessoas). Assim, os fiéis apóstolos foram recriados invisivelmente em espírito e levados para o céu, e a partir de então, todo cristão ungido, ao morrer, é recriado em espírito e levado para o Céu, passando a governar com Jesus, como poderosa criatura espiritual.

A PURIFICAÇÃO DOS CRISTÃOS UNGIDOS

De acordo com a organização, a partir do ano 100 d.C., começou o cativeiro babilônico, um longo período em que o povo de Deus estaria em inatividade espiritual [2]. Depois que se tornou Rei em 1914, Jesus veio a Terra para fazer uma inspeção, a fim de começar a separar o trigo do joio, visto que os poucos cristãos verdadeiros estavam ocultos desde 100 d.C., quando Satanás teria começado a semear os “cristãos nominais”.[3]  


Mas antes que Jesus viesse para fazer a inspeção, Jeová levantou o mensageiro que prepararia o caminho do Senhor: Charles Taze Russel e seus associados, estudantes da Bíblia que começaram a obra de restauração da verdade na Terra, os fundadores da religião das Testemunhas de Jeová. Assim, quando Jesus veio invisivelmente fazer sua inspeção, ele encontrou um grupo de estudantes da Bíblia que já pregavam a verdade há 30 anos.[4]


No entanto, esse grupo ainda era cheio de imperfeições e precisava ser purificado, assim de Dezembro de 1914 a Junho de 1918, cumpriram-se os três tempos e meios ou1260 dias, durante os quais os cristãos passariam por um processo de purificação por meio de perseguições sofridas pelos salvos que vão morar no céu.[5] Terminada a purificação, em 1919, Jesus designou esses salvos para serem “o escravo fiel e discreto”, o qual deveria ser “o canal de comunicação” entre Jesus e os cristãos. Este grupo é formado pelos cristãos ungidos que fazem parte dos 144.000, seu dever é fornecer “alimento espiritual”, por meio das revistas a Sentinela e Despertai. Hoje, o “escravo fiel” é a liderança da religião – O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová com sede em Brooklin, NY.[6]


Além dos salvos que vão morar no céu, existem os Testemunhas de Jeová comuns. Eles não têm um número definido, além disso, não têm os mesmos privilégios dos 144.000. Diferente dos que compõem o Corpo Governante, os Testemunhas de Jeová comuns, não são regenerados, nem adotados como filhos de Deus, não reinarão com Cristo e não podem participar da Santa Ceia. Jesus fez uma Nova Aliança apenas com os cristãos ungidos e por isso, Cristo é mediador somente entre Jeová e os 144.000. No entanto, osTestemunhas de Jeová comuns, por ajudarem os cristãos ungidos na obra da pregação, vão viver para sempre na Terra sob o governo dos 144.000.


O grupo dos “comuns” emergiu e se multiplicou ao sair vitorioso ao fim da Segunda Guerra Mundial, ocorrida no período profético das 2300 tardes e manhãs, que vai de 1 ou 15 de junho de 1938 a 8 ou 22 de outubro de 1944.[7] Enquanto os salvos que vão morar no céu são chamados “o escravo fiel e discreto”, os Testemunhas de Jeová comuns formam o grupo dos “domésticos”. Hoje existem cerca de 8 milhões de domésticos no mundo.[8] Um doméstico deve ser fiel aos ensinos do escravo fiel, mesmo quando eles são contrários à Bíblia [9]. Eles poderão viver para sempre no paraíso na Terra por terem auxiliado os 144.000 e por isso, são representados, por Jesus, como ovelhas à direita que deram de comer, beber e vestir aos “pequeninos de Jesus” (os cristãos ungidos).[10]


O ARMAGEDOM


De acordo com a seita, a última geração que não passará sem que aconteça o Armagedom, é formada por dois grupos: (i) os cristãos que foram ungidos em 1914, ou antes disso e (ii) os cristãos ungidos que foram contemporâneos aos do primeiro grupo. Alguns desse segundo grupo estarão vivos na Grande Tribulação. Esses cristãos já estão envelhecendo [11]  assim, o Armagedom deve acontecer por volta de 2034 [12].


Antes que comece a Grande Tribulação, haverá um tempo de “paz e segurança” pronunciado pelas nações e pelas religiões falsas. Em seguida, a Organização das Nações Unidas atacará as organizações religiosas do mundo, destruindo a cristandade e demais religiões falsas. A única religião que sobreviverá aos ataques da ONU será as Testemunhas de Jeová. Em seguida, provavelmente ocorrerão manifestações sobrenaturais no céu, então quando os perversos estiverem a ponto de iniciar um ataque contra as Testemunhas de Jeová, os cristãos ungidos que ainda estiverem na Terra serão arrebatados para o Céu. Em seguida, Jesus virá junto com os 144.000 e com seus anjos e aniquilará os maus da existência. Os que rejeitaram a Jeová no passado foram aniquilados assim que morreram (a morte natural é aniquilação da existência, segundo a escatologia das Testemunhas de Jeová), já os ímpios vivos no Armagedom serão eliminados da existência por Jesus. Ninguém sofrerá num inferno, mas somente as Testemunhas de Jeová sobreviverão ao extermínio. A sobrevivência ao extermínio que ocorrerá no Armagedom dependerá da obediência à Organização Torre de Vigia. [13]


O PARAÍSO RESTAURADO

     
As Testemunhas de Jeová sobreviventes ao Armagedom darão início à restauração da Terra. Elas terão a tarefa de transformar gradualmente toda a Terra em um paraíso. [14] Jesus e os 144.000 governarão, a partir do Céu, os súditos domésticos na Terra. O governo de Jeová promoverá diversos programas sociais para os habitantes da Terra, incluindo programas de saúde, moradia, alimento, educação e emprego. [15]

Ainda será possível perder a salvação durante os primeiros mil anos no paraíso. Quem for infiel a Jeová no paraíso será eliminado da existência. Jeová ressuscitará pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho e elas terão de cumprir as exigências que Jeová der a elas. Os que não estiverem dispostos a se ajustar às exigências de Jeová serão exterminados. Depois de 1.000 anos de paraíso, as pessoas ainda terão que passar por um teste final – uma tentação do Diabo. Somente aqueles que resistirem aos enganos de Satanás poderão continuar vivendo para sempre no paraíso na Terra, os demais serão eliminados da existência para sempre. [15]


CONSIDERAÇÕES FINAIS


A escatologia das Testemunhas de Jeová ilustra bem as características de uma seita. Entre elas podemos citar:
1.  Autoritarismo: As Testemunhas de Jeová comuns estão debaixo da autoridade de um Corpo Governante privilegiado, ao qual são obrigadas a auxiliar caso queiram sobreviver ao extermínio do Armagedom.
2.  Exclusivismo: Somente sendo fiel à Organização Torre de Vigia será possível ser salvo. Elas são a única religião verdadeira. Jeová usará a Organização das Nações Unidas para eliminar todas as religiões, menos a Torre de Vigia.
3.  Legalismo: A condição para sobreviver ao Armagedom e até mesmo para não ser exterminado no paraíso, é ser obediente aos requisitos e exigências de Jeová. As Testemunhas de Jeová devem ser fiéis aos mandamentos da liderança, pois ela é o canal de comunicação que Jesus designou. [17]

A escatologia das seitas também é o meio que elas usam para explicar como um grupo que surgiu no século XIX pode ser a única religião verdadeira, mesmo estando em total descontinuidade com o Cristianismo primitivo. As Testemunhas de Jeová ensinam que o povo de Deus permaneceu oculto por 1819 anos (de 100 d.C. a 1919 d.C.) até que Jeová ressuscitasse do “vale de ossos secos”, a única religião verdadeira, colocando o “trigo” em evidência ao separá-lo do “joio” (Cristandade). Ainda, a Sociedade Torre de Vigia mantém a fidelidade de seus “domésticos” à organização, por meio do medo de que Jeová as extermine no Armagedom se não obedecerem ao escravo fiel e discreto:
“Elas acreditam que Jesus pagou pelo pecado de Adão, no jardim, mas cabe a elas trabalhar para a “perfeição”, seguindo as regras da organização Torre de Vigia. Embora as Testemunhas de Jeová sorriam quando apresentam a sua mensagem porta-a-porta, elas não têm a verdadeira paz e alegria no fundo de seus corações. Elas não têm certeza da salvação, porque a sua religião ensina que devem cumprir todos os regulamentos da organização Torre de Vigia, a fim ser achadas dignas o suficiente para sobreviver ao Armagedom (futura batalha de Deus para acabar com o governo dos ímpios). Em seu esforço para ter a aprovação de Deus, a organização domina-os através do medo e da culpa, concentrando-se na sua incapacidade de cumprir o que lhes é exigido. Isso deixa as Testemunhas de Jeová espiritualmente vazias, lutando arduamente pela aprovação de Deus, sem nenhuma garantia de onde elas vão acabar após a morte. É verdade que enquanto elas parecem felizes por fora, por dentro estão morrendo, ansiando a paz e alegria que só Cristo pode fornecer.” [18]

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Fontes:
[1] Testemunhas de Jeová (2016). Você pode entender a Bíblia. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 219, 91, 94-97, 80.
[2] A Sentinela (Edição de Estudos) de Março de 2016. Perguntas dos Leitores. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/a-sentinela-estudo-marco-2016/perguntas-dos-leitores/#?insight[search_id]=3724a4f7-46c1-457f-bd27-fd2d30407db9&insight[search_result_index]=1
[3] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 10, 100.
[4] A Sentinela (Edição de Estudos) de Julho de 2013: “Eis que estou convosco todos os dias”. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20130715/jesus-parabola-trigo-e-joio/#?insight[search_id]=f7fb3014-b94f-475e-aad4-7655113de756&insight[search_result_index]=1
[5] Testemunhas de Jeová (2004). Preste Atenção à PROFECIA DE DANIEL! – Edição de tipo grande. . Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 183 -187, 389.
[6] A Sentinela (Edição de Estudo) de Julho de 2013: “Quem é realmente o Escravo Fiel e Discreto?”. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20130715/quem-e-o-escravo-fiel-e-discreto/#?insight[search_id]=150b039c-2df8-4126-927d-112aa0570807&insight[search_result_index]=0
[7] Testemunhas de Jeová (2004). Preste Atenção à PROFECIA DE DANIEL! – Edição de tipo grande. . Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 227 -231, 389.
[8] Quantas Testemunhas de Jeová existem no mundo? Disponível em: https://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/perguntas-frequentes/quantos-membros-tj/#?insight[search_id]=e520e77a-3eca-49ad-b0cc-ea4f9f25dad8&insight[search_result_index]=7
[9] http://www.4jehovah.org/pt-pt/como-testemunhar-eficazmente-as-testemunhas-de-jeova/
[10] Testemunhas de Jeová (2006). O Maior Homem que Já Viveu. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, seção 111.
[11] A Sentinela (Edição Fácil de Ler) de Janeiro de 2014. Disponível em: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws20140115/venha-o-teu-reino/#?insight[search_id]=70294262-00b2-4115-80cc-ed7c4d0e09f8&insight[search_result_index]=3
[12] http://www.quotes-watchtower.co.uk/2034.html
[13] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 222 – 230.
[14] Testemunhas de Jeová (1985). A Vida – Qual a sua origem? A Evolução ou a Criação. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 235 – 238.
[15] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, p. 27.
[16] O que a Bíblia Realmente Ensina. Apêndice: Dia do Julgamento: O que é? – Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/biblia-ensina/o-que-e-dia-do-julgamento-reinado-de-mil-anos/
[17] Ferreira, F. & Myatt (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, p. 917.
[18] http://www.4jehovah.org/pt-pt/como-testemunhar-eficazmente-as-testemunhas-de-jeova/

Fonte: https://bereianos.blogspot.com.br/2017/02/escatologia-das-testemunhas-de-jeova.html 

domingo, 20 de maio de 2018

Jesus ou Je$u$?

Após à vigorosa ascensão do pentecostalismo, as últimas décadas assistiram ao surgimento de um novo movimento, conhecido como neopentecostalismo.

Apesar de recente, este fenômeno religioso logo se fortaleceu ao reinterpretar o evangelho de Cristo de maneira triunfalista, desprezando doutrinas bíblicas capitais, como a soberania de Deus e o sofrimento do justo, em detrimento de uma busca obsessiva pela saúde e sucesso financeiro. Uma panacéia teológica aglutina “visões” extravagantes, interpretações bíblicas arbitrárias, mitos e filosofias pagãs que ameaçam os fundamentos da verdadeira fé e requerem uma resposta urgente, precisa – e, sobretudo, ortodoxa.

Embora pareça, à primeira vista, convincente – e até fascinante – este “novo evangelho” vem obstruindo a compreensão da verdade e ludibriando suas vítimas, levando-as a trocar a graça redentora do Cristo Vivo por ensinos heréticos.

Pare de Sofrer!

Não deixando ser manipulado, não deixe que outros pensem por você. Pense não como sua igreja, mas como a Bíblia ensina. Adorando a Deus com uma fé sadia não existe a crucificação do intelecto!    – 2 Tm 4:3; 2 Pd 2:1-3,13-15,17-19; 2 Pd 3:16,17; MT 7:15,18

“Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha”.
At 20:29

“Há pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que só tem dinheiro”
Pedro Lara 

O Evangelho nos Últimos Dias – Você gosta de dinheiro?

Ao menos normalmente, a resposta a esta pergunta seria um sonoro “sim”. Todavia, se a reformulássemos para: “Você gosta de dinheiro falso?” Provavelmente ouviríamos algo diferente. Por mais que as pessoas afirmem não gostar da mentira, a verdade é que milhões são enredados por ela, todos os dias. Políticos inescrupulosos manipulam massas de incautos com dados e promessas falaciosas; e uma mídia cada vez mais parcial e tendenciosa cria e impõe estereótipos, transformando o vício em entretenimento e ridicularizando os valores morais. Antigos conceitos do falido positivismo ganham nova roupagem nos célebres livros de auto-ajuda e a astrologia prossegue engodando suas vítimas com horóscopos cujas predições oscilam entre o óbvio e o ambíguo. As instituições, criadas para promover a justiça e o bem-estar social, acham-se carcomidas pela corrupção; estranhas e variadas propostas religiosas se alastram, conquistando adeptos em todas as camadas da sociedade com ensinos que reproduzem e adaptam diversas crendices milenares. Vivemos num mundo permeado pelas mais diversas formas de mentira – já mencionada por uma proeminente revista brasileira como “um indispensável apaziguador social”.

Alguns ramos da ciência também viram sua credibilidade arranhada pela mentira. Recentemente, a Coréia do Sul descobriu que um de seus mais cultuados cientistas manipulava e forjava os resultados de pesquisas genéticas, enquanto arqueólogos e paleontólogos anunciam descobertas controversas e postulam teorias inconsistentes. A despeito da histórica visibilidade e aceitação, a Evolução das Espécies, do naturalista Charles Darwin, jamais foi satisfatoriamente comprovada e, mesmo assim, é ensinada como se fosse uma incontestável verdade. O interesse pela psicoterapia é cada vez maior – assim como os exorbitantes honorários de seus profissionais – apesar de muitos de seus métodos carecerem de base ou credibilidade científicas que justifiquem sua aplicação. Ainda assim, lamentavelmente, milhões de cristãos continuam – e continuarão – frequentando o consultório dos terapeutas ao invés de buscarem o aconselhamento pastoral ou recorrerem à oração para superarem seus problemas espirituais.

Sigmund Freud e Karl Gustav Jung, principais mentores da psicoterapia, mantinham condutas, no mínimo, indignas. O aclamado “pai da psicanálise” foi um ateu e viciado em cocaína que desejava sexualmente sua própria mãe, enquanto Jung acreditava conversar com um demônio. Ainda assim, em lugar de conhecerem melhor a Deus através de seu sofrimento, alguns julgam consegui-lo através das teorias estabelecidas por estes estudiosos. Tais atitudes, entretanto, representam uma preocupante tendência do Cristianismo contemporâneo: o sincretismo – entendido como um sistema filosófico capaz de conciliar vários (e divergentes) princípios doutrinários.

Pregando o fim das animosidades e o reconhecimento dos chamados “pontos de vista comuns a todas as religiões”, os defensores do sincretismo não vêem qualquer problema na mistura entre concepções cristãs e pagãs, o que gerou o polêmico ecumenismo.

Foi assim que a – outrora condenada, e agora, tolerada – relação com a maçonaria se fortaleceu. Mas, será mesmo possível unir conceitos tão antagônicos? Será mesmo coerente um cristão professo admitir, durante a cerimônia de sua iniciação nesta influente sociedade secreta, que “está nas trevas?” A Bíblia, por outro lado, nos adverte sobre a nefasta atuação dos falsos mestres que, nos últimos tempos, enganariam as ovelhas de Deus (At. 20.29,30; I Tm 4:1), apresentando-se, cinicamente, como ministros da justiça, quando, na verdade não passam de mensageiros de Satanás (2 Co 11:15). E, embora nosso amado Jesus tivesse nos alertado sobre estes e outros impostores (MT 7:15; 2 Pe 2:1-3), é inevitável constatar que milhões de cristãos continuarão depositando sua vida eterna nas mãos de homens deste quilate. São homens que aprovam o aborto e se dizem conhecedores da Bíblia, ensinam o povo a quebrar maldições familiares, contrariando a Bíblia (Sl 91:10; 2 Cor. 5:17) e há aqueles que ensinam como você ficar revoltado para conseguir as bênçãos de Deus, mas tudo isto é outra coisa a não ser misticismo e  apostasia (Mt 24:11; 1 Tm. 4.1).

Reino de Deus ou de Mamom? O Evangelho da Prosperidade

Um dos maiores cavalos de Tróia para a Igreja é esta herética teologia egocêntrica, chamada teologia da prosperidade. Milhões de cristãos em todo o mundo estão aprendendo a “exigir seus direitos”, através destes ensinos e ainda reivindicam saúde, prosperidade e sucesso total. Acreditam-se praticamente invulneráveis a qualquer sofrimento e aprendem que não podem sequer admitir sua possibilidade. Palavras de ordem, supostamente dotadas de autoridade são utilizadas reiteradamente: “Está amarrado!” – e magicamente as artimanhas satânicas são prontamente bloqueadas e banidas. “Eu profetizo!” – e as bênçãos ou vitórias esperadas se concretizam. “Eu rejeito esta enfermidade!”. “Eu não estou doente. Satanás está tentando me enganar, pois Jesus já levou todas as minhas enfermidades na cruz do Calvário!” “Tenho direito bíblico à prosperidade!” “Eu determino!” “Sou um deus!” Frases como estas estão se tornando cada vez mais comuns. Serão mesmo verdadeiras? Por que os apóstolos de Cristo se omitiriam acerca de tais “direitos?” E quanto aos Pais da Igreja? Por que deixariam de nos transmitir tão relevante ensino a respeito da autoridade do crente?

Parte dos “portadores” deste “evangelho” são renomados e bem-sucedidos. Sua influência cresce a cada dia. Artigos, livros, jornais, programas de televisão, sites, campanhas concorridíssimas ao redor do mundo, seminários teológicos, simpósios, conferências, Bíblias de estudo dedicadas ao tema, e outros tantos recursos publicitários ou tecnológicos asseguram aos cristãos e seus líderes o “direito” de reivindicarem as bênçãos judaicas do Antigo Testamento para a Igreja Cristã. Através de manobras interpretativas, promessas concedidas exclusivamente a Israel passam a “pertencer” à Igreja, sem muito esforço. Embora reconheçamos que a história hebraica revele forte ligação entre a obediência e a promessa de que a terra produziria boas colheitas e riquezas, não devemos supor que tal ligação persista, pela simples razão de que Deus, nesta era, já não trabalha com um povo restrito a uma nação geográfica. Ao contrário: Ele preferiu escolher um povo para proclamar seu nome que fosse proveniente de todas as nações do mundo, formando um novo corpo, conhecido como Igreja.

No Novo testamento, as promessas de bênçãos espirituais são dadas aos que permanecem fiéis ao Senhor, mas inexistem promessas de riquezas ou saúde. A realidade cristã inclui perseguições e provações, tais como as que próprio Cristo experimentou (Fil.3:8-10; 4:11,12, Rm 12:12,14,Hb 11:35-37,I Pe2:19;3:14, II Tm. 3:12).

Lastimavelmente, muitos cristãos ainda não compreenderam que Deus pode usar os problemas da vida para moldá-los à imagem de Cristo.  Desconsiderando essas importantes distinções, os pregadores da Teologia da Prosperidade levam seus seguidores a “barganharem” – ou, ainda a “desafiarem” Deus a abençoá-los mediante uma grande oferta, quase sempre definida como “semente” ou “sinal de fé”. Aos contestadores desta “teologia” é dito: Quem é você para dizer o que Deus pode ou não fazer?” A questão, porém, não é o que Deus pode ou não fazer; e sim, se Ele prometeu algo, e se temos o direito de insistir para que se cumpra tal promessa.

Joyce Meyer, famosa conferencista internacional, afirma: “A Bíblia inteira realmente tem uma só mensagem: ‘obedeçam-me, fazendo o que eu ordenar, e então serão abençoados’”.  Será esta uma justa síntese da mensagem bíblica? E quanto às mensagens da cruz, do arrependimento e do amor ao próximo? Aos Gálatas, Paulo diz (5:14): “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Meyer, assim como Kenneth Hagin, Hagin Jr., Benny Hinn, Oral Roberts, T.L. Osborn e outros ensinam que Jesus não efetuou na cruz a completa reparação dos nossos pecados, conforme a Bíblia o faz. Para eles, Jesus precisou ir ao inferno para ser atormentado durante três dias, a fim de completar a redenção da humanidade. (“The Most Important Decision You Will Ever Make: A Complete And Thorough Understanding of What It Means To Be Born Again”, 1991, páginas 35-36 do original de Joyce Meyer).  Em “que” ou “em quem” devemos crer? Tomando por base a atitude dos bereanos, que submeteram os ensinos de Paulo à autoridade das Escrituras (At.17:11), devemos analisar se estas e outras declarações merecem credibilidade. Consideremos as seguintes passagens: MT. 6:20,Mc 4:19, Jo 14:27, Ef 6:11,Hb 11:37, I Jo 2:16-17, 2 Tm 4:3, Lc 12.15, PV 30:8,9, I Tm 6:6-10, AP 3:17. Jesus reconheceu a existência permanente dos pobres, sem emitir qualquer juízo depreciativo a respeito deles(MT 26:11). Ao contrário do Mestre, porém, muitas denominações presumivelmente cristãs, insistem em desprezar a santificação e o ensino sistemático das Escrituras, em detrimento da prosperidade financeira. Reuniões destinadas exclusivamente a empresários não consistiriam num ato de discriminação contra os pobres? Não os estaríamos desonrando, como denunciara o apóstolo Tiago (2:1-9)?

Será que uma congregação genuinamente cristã não deveria considerar estes e outros ensinos bíblicos? A que tipo de comunidade você pertence? Você tem ouvido (e pregado) um evangelho autêntico? Ou se acomodou a uma espécie de evangelho pessoal, adaptado às próprias necessidades – financeiras ou profissionais? O nome de Jesus está além de nossas ambições. Não deve ser encarado – ou usado – como uma espécie de amuleto, pronto para “materializar nossos desejos”. Segundo a Palavra de Deus, o amor ao dinheiro está associado à idolatria e é a “raiz de todos os males” ( Col. 3.5 ; 1 Tm. 6.10). Ao lado da paz, as promessas de prosperidade farão parte do futuro programa de governo do déspota mundial conhecido biblicamente por “anticristo”.  (1Ts.5:3). Não que o êxito financeiro esteja necessariamente associado ao pecado – tampouco a santidade ou a aprovação divina o sejam.

Não obstante, a tentativa de associar o sucesso financeiro à aprovação do Todo-Poderoso fica bastante clara quando assistimos a “testemunhos” que, em lugar de mencionarem o milagre da salvação e a transformação do caráter, esmeram-se em descrever façanhas econômicas, tais como a aquisição de carros de luxo, imóveis suntuosos e etc.

Freqüentar qualquer igreja cristã com o objetivo de enriquecer, tratando o dízimo ou as ofertas como investimentos de curto prazo, é algo abominável – e de conseqüências eternas. A riqueza é um dom de Deus que nem todos poderão desfrutar (Ecl. 5:19).

Além de materialista, a teologia da prosperidade também é anti-devocional. A oração, um poderoso instrumento de intimidade com Deus foi reduzida a uma espécie de mecanismo de pressão. Outros “pastores” também ensinam os fieis a orar “determinando”, “exigindo”, “reivindicando” “profetizando” as bênçãos de Deus, e estas palavras nem aparecem no Novo testamento e se esquecem que o Deus da Bíblia não é Papai Noel pronto para presentear a todos e nem Office Boy para atender nossos pedidos. Petições egocêntricas tencionam confrontar e intimidar a Deus. O ensino chamado “Há poder em suas palavras” é evocado como substituto da prática da oração (1Ts. 5.17). Dessa forma, o misticismo – e até mesmo o ocultismo – vai assumindo o lugar da piedade cristã. E a fé, enaltecida pelas Escrituras, confunde-se com um positivismo idêntico ao promovido por movimentos como a Nova Era. Como resultado, milhares (talvez milhões) se afastam da Igreja, frustrados, por não terem obtido respostas positivas às suas orações. Julgam-se decepcionados com Deus, mas nem chegaram a conhece-lo; foram vítimas de uma teologia pervertida e irresponsável. Diante do avanço destas heresias é necessário que resgatemos a relevância e a finalidade da oração. Apesar de poderosa em seus efeitos (Tg. 5.17), é necessário que ela esteja acompanhada de uma vida espiritualmente produtiva (Jo. 15.7) e esteja alinhada com os propósitos divinos (1 Jo 5:14,15).

O capítulo 42 do livro de Jeremias nos mostra a preeminência da vontade de Deus. Um dos maiores profetas da história de Israel teve de esperar nada menos que dez dias pela resposta do Senhor. Se você não conseguiu aquela mansão através de sua oração, ou aquela Mercedes-Benz pela qual ora constantemente, não se decepcione, pois Jesus ensinou que a felicidade de um homem não consiste na abundância dos bens que possui(Lc 12:15).  A ausência de conhecimento bíblico pode nos levar à destruição (Os 4:6). Seja sensato, leia toda a Bíblia e procure uma livraria evangélica confiável. Compre bons livros evangélicos, tais como: Evangélicos em Crise ou Decepcionados com a Graça” – ambos publicados pela Ed. Mundo Cristão, e observe a clareza com que a Bíblia vaticina sobre os últimos dias, e o temível papel que a mentira assumiria. Já experimentou questionar qualquer dos líderes envolvidos com a teologia da prosperidade? Em alguns casos, a tarefa parecerá impossível, já que o esquema de segurança em torno deles só se compara àqueles criados para proteção de grandes autoridades de Estado. Cuidado! Não se deixe seduzir pelo materialismo! (MT 6:19-20). Busque incessantemente ao Deus Verdadeiro – não pelo que Ele pode te dar – mas pelo que Ele é. Ame a Cristo desinteressadamente, pois o Senhor conhece todas as nossas necessidades e tem cuidado de nós (1 Pe 5.7;Mt 6:33; Hb 13:5). A recomendação para todos os crentes, em todas as eras, é jamais compartilhar de ensinos que vão “além do ensino de Cristo”. Apesar da condenação reservada aos falsos mestres (2 Pe 2:1-3), devemos manter distância deles. Jesus te ama! Cuidado com tua salvação!  Leia: Mt 7:15; 2 João 1: 9-11, 1 João 4:1 Judas 1:3-5.

Fonte: www.napec.org

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Não há poder em suas palavras

Existe um documentário nas locadoras, muito controvertido. É o vídeo do Dr. Masaru Emoto que alega ter descoberto o poder da água, e que nossas palavras e pensamentos positivos podem influenciar até um copo de água. Bons pensamentos e palavras agradáveis formam lindos cristais de água, ao passo que maus pensamentos e palavras negativas não se formam cristais ou aparecem maus formações de cristais.

Tudo com um ar cientifico, laboratórios onde são apresentados suas descobertas, livros editados como a “A Mensagem da água” e o vídeo – O Poder da Água – a força dos nossos pensamentos e emoções”.

O vídeo – O Poder da Água – pode ser enquadrado  como “Pseudociência”, ou seja não faz parte da ciência reconhecida ou ortodoxa. A problemática é que milhões acabam aceitando estas descobertas “cientificas” como comprovadamente verdadeiras.

Cristãos podem beber desta fonte?

Trazendo estas questões para o Cristianismo, veremos logo em breve – se já não estiverem acontecendo em alguns lugares – alguns pregadores falando sobre esta descoberta que afirma “O Poder das Palavras.” Nos anos oitenta e inicio dos anos noventa não ouvíamos este falso ensino de “Poder das palavras” em muitos lugares cristãos. Mas no final dos anos noventa e entrando no Novo Milênio este falso ensino se popularizou e ganhou força.

Este ensino Neopentecostal está muito em moda nestes dias onde muitos pregadores dizem que “Há Poder em Suas Palavras” e expõem um sermão cristão misturado com paganismo místico.  Todo este ensino de “há poder nas palavras” surgiu no mundo cristão nos anos 50 quando um pastor americano Norman Vicent Peale lançou o livro O Poder do Pensamento Positivo – em 1952. Era um livro evangélico de auto-ajuda, que ensinava que a fé pode conseguir qualquer coisa. A síntese do livro é a seguinte formula: “Ore, imagine, realize”.

A Revista Veja de 4 de abril de 2007, apresenta a crença no pensamento positivo é bem explorado pela filosofia da “Auto-Ajuda”, sendo que a revista declara na pg. 78:

Ninguém obviamente pode “atrair” um câncer ou se curar de um tumor apenas pela força do pensamento negativo ou positivo, conforme o caso. Todas as pesquisas criteriosas mostram isso com clareza aritmética.”

Devemos entender que este ensino não provém da Bíblia, mas das seitas místicas e movimentos esotéricos, como a Nova Era, que também ensinam que “as palavras tem poder”. Nem Jesus nem a Igreja Primitiva, nem os apóstolos, assim como em toda a Historia da Igreja Cristã Mundial não encontramos estes ensinos, é algo pagão e provém de mitos, é um ensino que veio do mundo das superstições e compartilhado no mundo pagão sem Deus (2Tm 4: 3,4).

Qualquer passagem usada para defender tal ensino é uma afronta a inteligência, pois não existe tal ensino em toda a Bíblia, no Antigo Testamento e também no Novo Testamento. Passagens do Antigo testamento como Provérbios 18.21 ensinam “um poder nas palavras”? O único ensino de “poder nas palavras” que observamos pela Bíblia é o poder destruidor das palavras e seus efeitos. Por exemplo: Através de palavras ofensivas a uma pessoa poderei magoar um irmão de tal maneira que será mais fácil conquistar uma cidade do que aquele irmão (Pv 18.19).

Aliás, por todo o capitulo 18 de provérbios o ensino do bom uso da língua é uma realidade, mas o ensino místico e esotérico de que nossas palavras sejam “entidades” carregadas de bênçãos e maldições, não encontra apoio nem no judaísmo nem na Bíblia, mas no ocultismo.
Em Provérbios 18.7, encontramos tal declaração: “A boca do tolo é a sua própria destruição”, ou seja, não que as palavras que saem de nossas bocas sejam maldições, mas por falar demais ou em horas inapropriadas, poderei acarretar vários problemas e destruições que poderiam ser evitadas.  No Novo Testamento o ensino sobre a língua e as palavras que proferimos se encontra em algumas passagens dentre elas (Tiago 3.1-12).

Onde apresenta o dever de controlar este membro e também é apresentado o seu poder destrutivo. O poder da língua (VV.3-5), que é comparado ao freio do cavalo, ao leme e ao fogo, mas o ensino ocultista e esotérico que muitos alardeiam de “há poder das palavras”, não encontra apoio em nenhuma passagem das Escrituras. O que existe na verdade, são os efeitos destas palavras sobre as pessoas, nada mais!
Alguns usando passagens indevidas, e outros usando argumentações sem a devida interpretação fazem muita confusão. Por exemplo, alguns argumentam que Jesus é apresentado sendo o Verbo e falar e não pensar quando ia realizar suas obras, era para mostrar ao povo que “As Palavras tem Poder”. Este raciocínio é falso, pois na verdade a intenção de Jesus era mostrar para as pessoas que Ele era o Cristo. Quando Deus disse que: “Haja Luz”, não estava ensinando que “Há Poder nas suas Palavras”, mas sim que Ele é o Criador de todas as coisas, e somente Ele pode realizar obras criadoras. O ensino que afirma que devemos  “anular as palavras de maldições senão damos legalidade para o Diabo”, também não é sustentável pela Palavra de Deus.

Conclusão

Estamos presenciando a era do fim, os momentos que antecedem o Anticristo, e é notório que a mentira se espalhe de uma maneira mais eficaz. A Operação do Erro já opera nos filhos da desobediência (2 Tss. 2.8-11) e a mentira encontrará mais aceitação entre aqueles que não obedecem a Palavra do Senhor, e também de cristãos materialistas e secularizados.

O líder que hoje menosprezar a Historia da Igreja e a Hermenêutica Bíblica aceitará enganos quase imperceptíveis. Nosso dever como lideres é conhecer a Bíblia de uma maneira profunda (Tito 1:9). Infelizmente quem sofre é o povo de Deus por acreditar nestes falsos ensinos e palavras mágicas que são usadas pelas seitas da Nova Era, assim como pelo Xamanismo, Seicho-No-Ie, Logosofia  e toda sorte de ocultismo.

Recomendamos a leitura de livros que alertam sobre o engano pelos falsos mestres em nosso meio.  Somente para citar alguns: “O que estão fazendo com a Igreja” – Augusto Nicodemus- Ed Mundo Cristão  – “Evangélicos em Crise”- Paulo Romero, Mundo Cristão –“ Erros que os pregadores devem evitar”, Ciro Sanches Zibordi, CPAD.

Fonte: www.napec.org

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Teologia da Prosperidade

A Bíblia Sagrada, conforme os cristãos afirmam, trata-se da única fonte de autoridade, regra de fé e moral; a Palavra de Deus deve ser a bússola que indica se o caminho que estamos seguindo de fato corresponde ao “norte” espiritual.

Em textos anteriores já falei sobre a triste condição da igreja brasileira, que dia-a-dia se deixa contaminar por valores nada cristãos, que nada tem da Palavra de Deus. A Bíblia é muito mal utilizada, e ao invés de trazer edificação e genuíno alimento espiritual, tem sido empregada por homens perversos que fazem dela um instrumento de escravidão, manipulação e tortura espiritual. Tal instrumento de tortura se forma pela distorção de textos isolados que estes falsos mestres fazem, coagindo o povo despreparado, com uma enxurrada de textos descontextualizados.

Modas sempre são bem-vindas neste meio tão sedento por atalhos. Emocionalismo barato vale mais que sã doutrina e os valores do capitalismo passam a fazer parte da igreja, fazendo desta um lucrativo negócio. Neste texto vamos tratar da Teologia da Prosperidade, uma corrente nefasta que tem semeado discórdia e inversão de valores na igreja.

História

Marca registrada de praticamente todas as igrejas neopentecostais, avançando com força contra as confissões pentecostais e fisgando muitos tradicionais, esta corrente enganosa produz toneladas de livros, manuais, Bíblias de Estudo (estudo?) DVDs, CDs, filmes e até grifes que movimentam muito dinheiro.

Tais materiais e seus divulgadores se tornaram parte do cotidiano de muitos crentes que estão com os lábios cheios de clichês como “eu profetizo”, “eu determino”, “eu reivindico”, “eu tomo posse”, “eu exijo meus direitos”, “eu resgato” ou o absurdo “eu ordeno minha benção”. Repare que o “eu” é o eixo desta teologia. O antropocentrismo que vemos hoje em dia é também conhecido como movimento da “Confissão Positiva”, “Palavra da Fé” ou “Evangelho da Saúde e da Prosperidade”.

Por se tratar de algo tão nocivo, não é de se estranhar que suas origens são influenciadas por misticismo, esoterismo e heresias. O que hoje é um movimento que tem se espalhado como fogo em palha, possui uma história, um ícone, divulgadores e seguidores.

O precursor: Essek Willian Kenyon

Poucos dos crentes que abraçam a Teologia da Prosperidade sabem que a ideologia desta remonta a um homem chamado Essek Willian Kenyon (1867-1948).

A conversão de Kenyon ocorreu em sua adolescência. Posteriormente ele se envolveu com movimentos metafísicos e recebeu forte influência de Mary Baker Eddy, fundadora da herética Ciência Cristã. [1]

Kenyon é o pai de uma expressão que se desdobrou com o tempo. É dele a frase “o que eu confesso, eu possuo”. É o embrião da Confissão Positiva.

Como sempre existe alguém disposto a levar adiante uma distorção feita por um falso mestre, coube a Kenneth Hagin divulgar o pensamento de Kenyon.

O proclamador: Kenneth Erwin Hagin

Muitos acreditam que as origens da Teologia da Prosperidade estavam em Hagin (1917-2003). Fato este devido ao nível de divulgação e influência que Hagin conseguiu, através do vasto material por ele publicado. Após passar por uma experiência miraculosa relacionada à cura de sérios problemas de saúde na infância e adolescência, Hagin passa a militar em favor da filosofia que hoje influencia a vida de muitos crentes.

Hagin acreditava que era necessário seguir passos para a vitória. Era necessário crer, declarar verbalmente a fé e então agir como se já tivesse recebido a benção. [2]

Sua vida foi um apanhado de inúmeras experiências pessoais que, ao serem registradas em livros, folhetos e áudio, viraram regra de fé e prática para milhares de incautos seguidores. Como é de se supor, suas vastas experiências carecem de suporte bíblico, como por exemplo, viagens até o inferno para “provar” da realidade daquele lugar.

O legado de Hagin e os desdobramentos no Brasil

Muitos são os pregadores da fé que deram continuidade naquilo que Kenyon criou e que Hagin difundiu, e destes, a grande maioria é muito conhecida no Brasil, onde seus ensinos são divulgados por livros, programas de TV, DVDs e congressos.

Nomes internacionais como Kenneth Copeland, Benny Hinn, Frederick Price, Paul (David) Yonggi Cho, Mike Murdock e Morris Cerulo fazem parte do cotidiano de muitos líderes da igreja brasileira, que por força da sua influência, tem levado o membro comum a achar que este tipo de literatura é boa, quando na verdade são materiais e ensinos cheios de sofismas e engano.

No Brasil, também existe uma relação de nomes que são responsáveis pela divulgação deste veneno espiritual: Edir Macedo, René Terranova, R.R. Soares, Valnice Milhomens, Cristiano Netto e tantos outros que no seu anonimato continuam a propagar este falso evangelho de riquezas.
Como o povo brasileiro em geral, e o crente em específico, são amantes de novidades, modinhas e métodos que servem como atalho, a Teologia da Prosperidade veio importada dos EUA encontrando solo fértil por aqui, infelizmente.

Males da Teologia da Prosperidade: minha vivência

Minha conversão se deu numa denominação que apregoa demasiadamente a Teologia da Prosperidade e seus métodos falaciosos. Agradeço ao Senhor pois – ainda no erro – pude conhecê-Lo, e na medida que a verdade me confrontava, o engano era retirado de minha vida, ao ponto de romper definitivamente com coisas que não encontram conformidade com o genuíno Evangelho de Cristo. A maravilhosa graça do Pai me alcançou, e hoje reconheço inteiramente que o mérito em tudo é de Cristo, e que não posso fazer do Reino de Deus um negócio. A Teologia da Prosperidade que outrora movia minha vida, hoje faz parte de um passado distante.

Não tenho por costume cuspir no prato onde comi – isso é deselegante e antiético. Mas minha conversão não teve por conseqüência o suicídio da razão, sendo assim, tenho plena liberdade de discordar das coisas que são apregoadas sem o respaldo bíblico. A discordância não representa um meio de menosprezar e ridicularizar a crença alheia, mas nos motiva a desmascarar o erro por amor e benefício do próximo. Nos primeiros passos como cristão, vi e vivi muito dos ensinos da Teologia da Prosperidade, e sei, na prática, do potencial maléfico que ela tem.

Participei de dezenas das famosas “campanhas” de fé e finanças, onde a mola mestra era a barganha com Deus. Tudo girava em torno dos “sacrifícios” financeiros onde até mesmo valores mínimos de oferta eram exigidos. Pregadores negavam a suficiência da cruz e o Sacrifício Supremo de Jesus e estabeleciam parâmetros esdrúxulos, ao ponto de dizer: “EU não aceito menos de R$ 30,00 neste envelope (por exemplo)”. Quanto maior o sacrifício, maior a profecia, a benção, a visão, a unção – como se Deus fosse um menino que Se vende por agrados.

Os “valentes” recebiam doses especiais de poder e seu ego era alimentado por fazer parte da classe dos que faziam sacrifícios acima da média. Expressões como “se garantir a festa na casa de Deus, Deus garante a festa na minha casa”, ou “o valor que você der de oferta vai determinar o valor que Deus dará ao seu próximo ano”, além de anti-bíblicas, manipulam, enchem de medo e apartam o cristão redimido no sangue de Cristo das genuínas benesses do Calvário.

Para variar, o Novo Testamento era praticamente esquecido em tais campanhas, e textos mal-emendados da Antiga Aliança – e promessas exclusivas do povo judeu naquele contexto – eram “liberadas” sobre a igreja – desnutrida e mal alimentada da Palavra. Desta forma, o palco para apostasia fica completo.

Num contexto como esse, não é de se admirar que muitos se apartaram, partindo para pastos onde alimento genuíno é servido. Infelizmente, muitos dos que receberam uma avalanche de promessas nunca cumpridas – e irresponsavelmente “liberadas” – fazem parte do contingente de decepcionados com Deus e com a igreja. Um contingente que cresce de modo alarmante. Assim como disse Karl Kepler, isso faz parte de uma neurose:

Com o fenômeno das igrejas neopentecostais, uma nova safra de crentes evangélicos inundou o Brasil e, à medida que os anos passam e as promessas de prosperidade não se cumprem, uma nova safra de ex-crentes decepcionados deve estar voltando para as ruas”. [3]

E ainda pude constatar uma coisa neste tempo: a Teologia da Prosperidade funciona muito bem, mas apenas para aqueles que a pregam. Nas palavras de Hank Hanegraaff:

Basta caminhar pelo estacionamento dessas conferências ou mesmo dum culto dominical, ligado ao movimento da Fé, para responder à pergunta: ‘Esse tipo de ensino realmente funciona?’ Fi-lo recentemente no quartel-general e igreja dum dos principais mestres da Fé e obtive minha resposta. Havia Cadillacs, Mercedes e uns poucos reluzentes Lexus ali estacionados – todos eles porém, nos lugares reservados aos pastores e seu pessoal. No mais, entretanto, o parque de estacionamento parecia com qualquer outro, numa grande variedade de cupês, pick-ups e furgões. Ouça cuidadosamente: Era como qualquer outro parque de estacionamento da cidade. Ora, como é que pode ser isso?[4]

Muito simples: a Teologia da Prosperidade é falaciosa. Doutra forma, todos que a seguem deveriam ser CEO de multinacionais, possuir jatinho próprio, carros importados e mansão em Miami, afinal, devem ser cabeça e não cauda! Mas a realidade é diferente do mundo encantado apregoado pelos mestres da riqueza. Enquanto eles se deleitam na gordura do sacrifício alheio, estão cegos para as verdades espirituais, tal como o sacerdote Eli (1Sm 1 e 2).

Comerciantes da Fé

Tenho uma graduação em Ciências Econômicas, e através desta ciência aprendi sobre a Lei de Mercado ou Lei de Oferta e Demanda, que pode ser assim definida: “conjunto de conceitos que designam a disponibilidade de bens e serviços à venda no mercado, por um lado, e sua demanda solvável, por outro”. [5]. Em resumo, para que o mercado da fé exista, é necessário que existam os que ofertam o serviço e os que demandam o serviço, ou seja, os “profetas” da prosperidade são os agentes de oferta, e os crentes imaturos são os agentes de demanda. Cada qual com sua responsabilidade neste emaranhado de erros.

O modelo a seguir representa o que temos visto nos dias de hoje em muitos templos e denominações “evangélicas”:

Fico pasmo em saber que isso é tão somente a ponta do iceberg. Ao ver declarações como as que seguem abaixo, fico a me perguntar até que ponto os pregadores de riquezas chagarão um dia:

Deus está falando que a benção será triplicada, O seu salário vai se multiplicar por três. Quando você receber seu salário ainda terá do antigo para gastar. É tempo de fartura. É tempo de Deus. Todos os moradores da terra receberão a notícia de que é tempo de restituição.” [6]

Faça esta oração: Senhor meu Deus, ao ler este livro, aprendi que, se desejo receber muito dinheiro, devo plantar o equivalente em Tua obra no mundo.” [7]

Mais uma vez, como profeta de prosperidade para estes negros dias de crise, eu afirmo: DEUS ESTÁ INTERESSADO NO BOM ANDAMENTO DE SUAS FINANÇAS. Acredite nisso. Ele é um Pai amoroso. Pare um pouco, respire fundo e repita em voz audível e com convicção, por três vezes: DEUS ESTÁ INTERESSADO EM MEU SUCESSO FINANCEIRO. Agora repita em voz alta, como um brado de vitória: DEUS VAI MUDAR MINHA VIDA FINANCEIRA PARA MELHOR (ênfase do autor)” [8]

Muitas pessoas acreditam que Jesus Cristo foi muito ‘pobrezinho’ mas a verdade é que Jesus foi a pessoa mais próspera que já pisou sobre a face da Terra. (…) Ele andava montado num burro, que era o ‘cadilac’ da época.” [9]

“Você estará colhendo de acordo com a espécie que você mesmo determinar. Lembre-se: Se você plantar carro, vai nascer carro! Se você plantar emprego, nascerá emprego! Se você plantar uma casa própria, nascerá uma casa própria! Você acredita na Palavra de Deus?[10]

Agora, você já sabe que é você quem determina, fixa os limites e diz o que você terá ou não. Por isso, pare de orar chorando, de se lamentar, suplicando que Deus, com Sua bondade, lembre-se de você. Esse tipo de oração pode parecer espiritual. Alguém pode achar lindo orar assim, mas isso não ter valor algum.[11]

Reparou como as declarações destes homens se aproximam muito daquilo que Essek W. Kenyon entendia (o que eu confesso, eu possuo)? E o que mais espanta são as declarações a seguir:

Estejam ou não a par disso, são seus pensamentos predominantes de riqueza que lhe trazem riqueza[12]

Como em todas as leis da natureza, nessa também a perfeição é absoluta. Você cria sua vida. Você colherá tudo o que semear! Seus pensamentos são sementes, e sua colheita dependerá do que plantar.” [13]

Esta é a sua vida, e está esperando que você a descubra! Até agora você talvez tenha pensado que a vida é dura, uma luta, e, portanto, pela lei da atração, deve ter sentido a vida como dura e uma luta. Comece imediatamente a gritar para o Universo: “A vida é tão fácil! A vida é tão boa! Todas as coisas boas vêm até mim”. [14]

O que de fato você quer? Sente-se e escreva numa folha de papel, usando o presente do indicativo. Você poderia começar assim: ‘Eu estou tão feliz e grato neste momento que…’ E então explique como você quer que sua vida seja, em qualquer área.” [15]

Mas, se você quer uma máquina de costura, guarde a imagem dela com a certeza absoluta de que ela está sendo feita ou de que está a caminho. Depois de formar o pensamento uma vez, acredite absoluta e definitivamente que a máquina de costura está a caminho. Nunca pense ou fale nela a não ser com a certeza de que vai chegar. Afirme que ela já é sua”. [16]

Nunca olhe para as provisões invisíveis; olhe sempre para as riquezas ilimitadas na Substância Informe e SAIBA que elas estão vindo em sua direção tão depressa quanto você pode recebê-las e usá-las”. [17]

Se você ainda não conferiu as notas no final deste estudo, eu pergunto: de qual pregador de prosperidade são as declarações acima? Infelizmente, são declarações de obras de cunho esotérico, mas que se forem “cristianizadas” por um dos mestres da riqueza (e muitas já o são), facilmente se tornarão Best Sellers nas fileiras do gospel Brasil. Realmente é chocante a semelhança entre o pensamento positivo dos esotéricos e do positivismo e determinismo apregoado pela Teologia da Prosperidade. E esta semelhança se dá, pois ambos têm o mesmo foco: o eu do homem. O homem é o centro. O ego é deus.

Enquanto a Bíblia nos adverte a focar os esforços nas coisas eternas e atemporais (sem tratar com relaxo das coisas temporais, evidentemente), os profetas da riqueza direcionam o rebanho a focar os esforços naquilo que é passageiro e que a ferrugem e a traça devoram.
A recente crise econômica mundial (2008-2009) afetou diversos setores da economia. Vimos conglomerados financeiros sendo derrubados como castelos de cartas, impérios de poder ruindo como castelos de areia a beira-mar, massas de pessoas sendo demitidas. Será que no meio destas milhares – ou milhões – de pessoas não tínhamos sequer um cristão? Será que nenhum crente em Jesus perdeu seu emprego? Endividou-se? Entrou no vermelho? Creio piamente que Deus cuida dos Seus. Creio que no meio de tantas lutas Ele provém sustento, mas chega ao ponto do ridículo imaginar que crises não atingem crentes. Mas ainda assim os profetas da riqueza, tomados pela ganância, lançaram correntes e campanhas para amarrar a crise e prosperar os crentes.

Este episódio me lembra de dois personagens bíblicos. Jeremias e Hananias. Veja este exemplo:

O problema não é de hoje. É multissecular. O profeta Jeremias fazia o que podia para convencer os reis e o povo de Israel da famosa tríade que estava para chegar a qualquer momento: a guerra, a fome e a peste (Jr 14.12; 21.7; 24.10; 27.8; 29.17; 32.24; 34.17; 38.2; 42.17; 44.13). Enquanto isso, o profeta Hananias, no mesmo lugar e para o mesmo público, profetizava “prosperidade” (Jr 28.9, NVI e BP), ou “paz” (NTLH, ARA e BV), ou “felicidade” (Tradução da CNBB). Um e outro usavam a mesma introdução: ‘Assim diz o Senhor’”. [17]

E como já falamos muito sobre história, é hora de, partindo por estes dois exemplos, refutar, de modo bíblico e definitivo, a falaciosa Teologia da Prosperidade.

A Verdade Bíblica

Quando observamos as verdades Bíblicas nos confrontamos de modo profundo com aquilo que é ensinado pela Teologia da Prosperidade. A bem da verdade, muitos de nós já ouviram por aí absurdos sem fim para defender que o crente deve ter riquezas e uma saúde de ferro, e claro, aqueles que assim ensinam tentam respaldar-se na Bíblia. De fato, se tomarmos meia dúzia de textos isolados (principalmente promessas de bênçãos materiais feitas aos judeus), poderemos com base na Bíblia criar extravagâncias e aberrações diversas. Muitas são as seitas que aplicam este método falacioso. São muitos os problemas que a ignorância bíblica pode produzir no rebanho e essa sonolência espiritual tem permitido a entrada de falsos mestres e falsos ensinos no meio da igreja. Concordo plenamente com John MacArthur quando afirma que:

Talvez a igreja hoje seja bem mais suscetível aos falsos mestres, aos pervertedores de doutrinas e ao terrorismo espiritual do que em qualquer outra geração na história da igreja. A ignorância bíblica dentro da igreja talvez seja muito mais profunda e mais generalizada do que em qualquer outra época desde a Reforma Protestante. Se você duvida disso, escolha aleatoriamente um dos sermões de qualquer dos principais pregadores evangélicos anteriores a 1850 e o compare com o sermão típico de hoje. Além disso, compare a literatura cristã de hoje com qualquer obra publicada há cem anos ou mais, pelas editoras evangélicas. (…) Os temas característicos dos sermões estão carregados de questões centralizadas no homem (tais como relacionamentos pessoais, vida bem-sucedida, auto-estima, listas de ‘como fazer’ e assim por diante) – a ponto de excluir muitos pontos da doutrina bíblica que exaltam doutrinários nas Escrituras que enaltecem a Cristo.” [18]

Pois bem, se você chegou até aqui, percebeu que os problemas mencionados nos seguintes textos bíblicos são reais em nossos dias:
Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” 1Tm 6.9-10

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” 2Pe 2.1-3
Entendendo que o amor ao dinheiro e poder está no coração dos pregadores da Teologia da Prosperidade e que eles estão no nosso meio, pois o joio cresce com o trigo (Mt 13.30), passamos a examinar as palavras do Senhor Jesus sobre as questões materiais.

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. (Mt 6.19-20)

Creio que as palavras de Russel N. Champlin caem como uma luva neste contexto, quando diz que “o deus Mamom atrai mais que o Cristo da Galiléia[19]. Forte e duro, mas real. Será que o modelo de vida seguido por Jesus está ultrapassado para a igreja pós-moderna (ou hiper-moderna?)?

Se os membros destas igrejas se dessem ao trabalho de examinar as Escrituras, descobririam que nossa riqueza está em boas obras (1Tm 6.18), na fé (Tg 2.5) e que somos herdeiros das insondáveis riquezas que estão em Cristo (Ef 3.8). Os divulgadores da Teologia da Prosperidade estão cegos em suas ambições materialistas e não percebem que Jesus deixou muito claro que as riquezas não são o alvo da igreja. Jesus não morreu para que nós O fizéssemos um banqueiro. É triste constatar isso, mas muitas das igrejas evangélicas, e muitos dos que carregam o rótulo de “evangélico” não estão mais adorando ao Deus Vivo, mas estão prestando culto à Mamom. Muitas igrejas nos dias de hoje são altares dedicados à Mamom.

E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. (Lc 12.15)

Certa feita, ouvi de um destes profetas da riqueza que acabara de comprar um bem de alto valor, que tal fato tinha ocorrido por ser um presente de Deus para ele. Ressalva: creio que Deus concede dádivas aos Seus filhos, porém dentro da Sua soberania e vontade, e nunca na nossa vontade. No entanto, em tom de superioridade, estes pregadores cortam o coração das ovelhas ao dizer que são merecedores de tais dádivas mais que os meros mortais do rebanho, ou seja, Deus tem nestes homens Seus filhinhos preferidos, a ponto de conceder presentinhos a uns, mantendo outros em angustia.

Outro destes profetas comprou, com recursos eclesiásticos, um automóvel importado de quase R$ 100.000,00 para que, através do uso “pastoral” pudesse ostentar quão abençoado ele é. O problema surgiu quando as fontes da igreja começaram a minguar, sendo rapidamente achada a solução: levantar, durante os cultos, apelos de gordas ofertas para quitação das parcelas do veículo de uso “pastoral”. Mais uma vez, ovelhas manipuladas como fantoches financiando a carruagem de ministros de impérios e reinos próprios. Um ultrage à cruz de Cristo e ao puro Evangelho da Graça.

Como o texto bíblico acima mencionado diz, é preciso tomar muito cuidado com a avareza e com o amor pela ostentação. A vida cristã é muito mais que isso. É infinitamente mais que isso.

O anseio por uma vida de luxo e riquezas traz de “brinde” a atrofia espiritual e desvirtua o cristão do seu caminho.

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo 16.33)

Talvez você foi mal orientado e “programado” que deve orar demasiadamente por algo. Talvez tenha sido ensinado a sempre “profetizar”, “determinar”, “tomar posse”, “exigir seus direitos” e as coisas nem sempre aconteceram como você queria. Ao invés da tão esperada benção, houve um silêncio incomensurável. Mas não se desespere! O modelo dos pregadores da Teologia da Prosperidade não segue o modelo bíblico e não condiz com o que Jesus ensinou.

As tribulações existem. Elas virão sobre muitos cristãos. Ainda assim não devemos desanimar, pois estamos ligados nEle independente de circunstancias externas (2Co 4.8-9). Se Deus deu o privilégio de todos desfrutarem do Sol e da chuva (Mt 5.45), por que pensar que sendo cristãos não teríamos problemas, lutas e tribulações? Se Cristo passou pelo que passou, seus discípulos não passariam? Tente imaginar esta mensagem de saúde de ferro e prosperidade financeira sendo pregada no contexto da Igreja Primitiva ou – em nossos dias – em países como Afeganistão, Sudão e Coréia do Norte, onde o simples viver é a maior de todas as bênçãos?! As prioridades foram invertidas, as raízes do cristianismo bíblico precisam ser expostas.

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6.33)

Este versículo é o supra-sumo, conclusão, síntese daquilo que Jesus deixou como a verdadeira prioridade de vida para o cristão. O propósito sublime está no Reino de Deus. É impossível que um pregador da Teologia da Prosperidade não se incomode com a verdade explícita registrada neste versículo.

Se tais homens realmente tivessem o Reino de Deus e Sua justiça impregnados no coração, de modo algum estariam propagando as mensagens que assombram a igreja, seja nos templos, na TV, no rádio, internet ou livros. É hora de dar um basta nisso! Se você ainda é um seguidor de tal teologia, faço um apelo que leia imediatamente o capítulo seis do Evangelho de Mateus e veja que Jesus faz ali um verdadeiro manifesto contra o materialismo; peça que o Espírito Santo lhe dirija na busca e descoberta da verdade do Reino de Deus. O Consolador te levará ao Senhor Jesus, e nunca a Mamom. Em seu comentário bíblico, disse William MacDonald sobre este versículo específico:

O Senhor, portanto, faz um pacto com seus seguidores. Em resumo, ele diz: ‘Se você colocar os interesses de Deus em primeiro lugar na sua vida, eu garantirei suas necessidades futuras. Se você buscar, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, então eu cuidarei para que nunca lhe falte as necessidades da vida’” (destaque do autor) [20]
Dada a exposição das Escrituras, não vamos nos ater tão somente a mostrar o problema e expor a ferida. Propomos uma solução à questão.

Solucionando o Problema

Alguns se conformam com a existência desta falsa teologia e de seus mestres simplesmente por considerar que isso é parte da apostasia do tempo do fim. Ignorar este problema é um grave erro.

Outros acham que o crente não pode, em hipótese alguma almejar um equilíbrio em sua vida. Estes são os adeptos da “Teologia da Miséria”, pois bradam em alta voz que “crente bom, é crente miserável”. Não! Este também não é o caminho. Acredito que o equilíbrio é o ideal. Nem oito nem oitenta.

Acredito também que ficarmos tão somente apontando problemas sem indicar soluções é perda de tempo. Por isso, proponho o seguinte:

1. Equilíbrio, moderação e bom senso: Todos nós ansiamos por coisas boas, isso é um fato. A grande maioria trabalha duro, estuda, se especializa com o objetivo de desenvolver carreira profissional e um bom salário, e nisso não há pecado algum. É evidente que quando projetamos tal aspecto em nossas vidas ansiamos em dar melhores condições de para nossos familiares e devemos almejar alcançar os aflitos com estes recursos. Se não fosse assim, tornar-nos-íamos ascetas nômades que tocariam a vida no modelo socioeconômico do escambo.

O que moldará a diferença em nossas vidas é o principal objetivo, é aquilo que está no centro de nosso coração. Nosso alvo deve ser acima de tudo e de todos, o Senhor Deus. O texto a seguir resume o que quero dizer: “não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão”.  (Pv 30.8-9).

Ou ainda, nas palavras de Craig L. Blomberg: “O principio de moderação explica as preocupações de Jesus e Paulo por uma vida simples, particularmente quando envolvidos no ministério, para não dar brecha desnecessária à má reputação do Evangelho”. [21]

2. Ensino Bíblico em todas as áreas da igreja local: O ensino sadio é algo de fundamental importância para que nossas igrejas sejam realmente sadias. Discutimos isso em maior amplitude no texto “Tripé Básico do Cristianismo – Parte 2: Ensinar”, mas quero ressaltar aqui que o ensino não está condicionado a uma estrutura de classe em Escola Bíblica.

O púlpito deve ser um local de exclusiva exposição clara da verdade da Palavra de Deus. Os informativos e jornais locais devem ser mais que um calendário de eventos e datas de aniversário, podendo ser um instrumento de edificação e evangelismo quando trouxer breves reflexões e devocionais bíblicos. O louvor deve glorificar o Senhor e ser carregado da mensagem cristã.

Desta forma, proponho banir de uma vez por todas o triunfalismo barato que invadiu os púlpitos, retornando a exposição clara das verdades contidas na Palavra de Deus, sem manipulação ou adulteração, para todo o que a ouve possa chegar ao conhecimento da verdade (2Co 4.2).

3. Mergulhar na graça e soberania divina: A graça é um favor de Deus para nós. A graça do Senhor soberano sobre tudo e todos nos foi concedida. Imagine só! O Deus todo-poderoso se importou conosco no mais sublime de Sua soberania (Mc 14.36; Mt 26.42; 1Jo 5.14).
Durante muito tempo minha vida foi aterrorizada pelo fantasma do merecimento, do legalismo e da autojustificação. Pensava que precisava fazer obras para me justificar diante de Deus e então passar a receber boas coisas da parte dEle. Pensava que os famosos sacrifícios, propósitos, votos, dos mais variados meios e formas, dos mais distintos valores, eram uma espécie de meio de troca dos favores de Deus para com o homem.

Até que um dia a venda da religiosidade caiu, e pude contemplar a graça de Deus em minha vida. Compreendi que acima de quem sou ou faço o Senhor Excelso cuida de mim, zela por mim, provê em minha vida e me sustém em Sua mão. Confio nEle. Que Ele faça o que quer em mim e por mim. Sigo o exemplo de Cristo: faça Sua vontade Deus, e não a minha. A benção da graça precisa ser capturada pelo coração dos crentes.

Enfim, o materialismo da Teologia da Prosperidade é uma grande prova de apostasia. Entendemos sim que somos mordomos daquilo que Ele nos concedeu cuidado e que se Ele quiser proverá coisas boas em nossas vidas, porém nunca nos deixaremos dominar pelo materialismo.

Deus não é fantoche de ninguém e não pode ser manipulado por Suas criaturas.

Seja você um cristão genuinamente bíblico e deixe de procurar por mensagens agradáveis que você e seu ego desejam, mas busque aquilo que o Senhor quer para você, lembrando sempre:

Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 2Co 4.18

Toda honra e glória ao Senhor!

Notas
[1] Fundada por Mary Baker Eddy, a Ciência Cristã ensina – baseada no conceito dualista grego – que toda matéria é má, que o mundo material é uma ilusão e que a mente é a única realidade. Deus é um conceito estranho, relacionada a mente; Jesus foi uma figura histórica apenas; o pecado não existe e o inferno não passa de um mau estado mental.
[2] MATOS, Alderi de Souza. Raízes Históricas da Teologia da Prosperidade. Site Revista Ultimato – consulta em 01/10/2009 21h38m
[3] KEPLER, Karl. Neuroses Eclesiásticas. Arte Editorial. São Paulo, SP: 2009. p.18
[4] HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD. Rio de Janeiro, RJ: 1996. p.235-236
[5] SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. Editora Best Seller. São Paulo, SP: 2001. p.336
[6] ENGEL, Joel. A Festa do Jubileu, 3ªed. Ministério Engel. Sobradinho, RS: 2004. p.77
[7] NETTO, Cristiano. Como Prosperar em Tempos de Crise, 6ªed. Edição do Autor. Curitiba, PR: 2003. p.64
[8] NETTO, Cristiano. Como Prosperar em Tempos de Crise. p.20.
[9] NETTO, Cristiano. O Melhor Vencedor do Mundo, 5ª ed. Ed. e Distr. Provisão e Vida. Curitiba, PR: 2003. p.90
[10] SOUZA, Raul de. A Lei da Semeadura. Épta Produções. Curitiba, PR: 2005. p.46
[11] SOARES, R.R. Como Tomar Posse da Benção. Graça Editorial. Rio de Janeiro, RJ: 2004. p.47-48
[12] BYRNE, Rhonda. O Segredo. Ediouro. Rio de Janeiro, RJ: 2007. p.6
[13] BYRNE, Rhonda. O Segredo. p.17
[14] BYRNE, Rhonda. O Segredo. p.41
[15] BYRNE, Rhonda. O Segredo. p.47
[16] WATTLES, Wallace Delois, A Ciência de Ficar Rico, 6ªed. Editora Best Seller. Rio de Janeiro, RJ: 2008. p.41
[16] WATTLES, Wallace Delois, A Ciência de Ficar Rico. p.38
[17] Texto “Hananias, o mago da prosperidade”. Site Revista Ultimato – consulta em 01/10/2009 21h45m].
[18] MACARTHUR, John F. A Guerra pela Verdade. Editora Fiel. São José dos Campos, SP: 2008. p.200-201
[19] CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol. 1. Editora Hagnos São Paulo, SP: 2002. p.326
[20] MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento. Ed. Mundo Crsitão. São Paulo, SP: 2008. p.31
[21] BLOMBERG, Craig L. Nem riqueza, nem pobreza. Editora Esperança. Curitiba, PR: 2009. p.245-246

Fonte: www.napec.com