quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Convergindo

“Toda verdade é verdade de Deus mesmo que pronunciada pela boca de um ímpio”.

No ano passado (2016), tive uma experiência interessante com os adeptos da Torre de Vigia (Testemunhas de Jeová). Para quem não sabe, são aqueles que batem na porta das casas, geralmente aos domingos e durante a manhã, a fim de “evangelizarem” novos adeptos para seita. Vendem ou doam aquela revista de sofá (SentiNela!).
Em um dia de evangelismo que a nossa igreja realizava cruzamos com eles, onde houve um evangelismo mútuo. Nesta oportunidade eu pedi para que viessem a minha casa para conceder o discipulado, e assim foi por quase um ano – por deveres novos que apareceram, paramos com tais estudos.

Durante este tempo desenvolvemos uma boa amizade, conversas proveitosas e tempos gostosos. Contudo, a estratégia a qual eu adotei foi outra, não a de ficar confrontando ou divergindo de suas doutrinas, ou ainda indo direto para a “briga” ou “debate”. Busquei em tal tempo achar os pontos de contato, o que tínhamos em comum, e a partir dai, de forma discreta, mostrar a superioridade das doutrinas da fé cristã revelada nas Escrituras Sagradas em relação às heresias deles (jamais usando esse termo). Fui compartilhando as experiências de trabalho, transformações de vidas, missões, mensagens e etc., e sempre nesse compartilhar havia junto, como fundamento, alguma instrução daquilo que cremos. Logicamente, que no momento que eles começavam a expor suas doutrinas erradas, especialmente sobre Cristo e o Espírito Santo, eu buscava de uma maneira muito amigável e educada mostrar o “outro lado da moeda”, onde se tornava perceptível à dúvida que aparecia no olhar de um deles.

Cornelius Van Til, grande apologista reformado do século passado, nos ensinou que entre um cristão e o não cristão existe um ponto de contato. Um ponto de referência final entre os sistemas de ambos que pode tornar ou facilitar os fatos e as leis entendidas. O diálogo deve partir de tal e conforme vai se desenvolvendo, naturalmente, mostrará a superioridade das respostas que a fé cristã revelada nas Escrituras Sagradas tem. Gordon H. Clark, outro apologista reformado, argumentou que há entre os cristãos e os não-cristãos um campo comum. Na teologia reformada existe algo conhecido como graça comum, isto implica que Deus providenciou algumas bênçãos naturais, como também, posturas íntegras e morais, como também, opiniões corretas para todos os homens. Devido a tal graça comum entra nosso dever de enxergar qual é o ponto de referência, contato, ou campo comum que há entre nós a fim de iniciarmos o diálogo. Por isso que o nome deste artigo é: CONVERGINDO. A convergência, grosso modo, é quando existe uma direção a um ponto comum.

Nosso problema é que já adotamos naturalmente uma apologética divergente, adialógica, em constante desacordo da maneira de crer, ver, pensar e viver. Não critico a funcionalidade de tal apologética, é um bom sistema. O que questiono é o uso pleno dela!

O apóstolo Paulo quando esteve no Areópago em Atenas (At 17.15 – 34) usou o método convergir. Ao chegar observou o altar ao “DEUS DESCONHECIDO” e partir de lá começou o seu discurso, não falando do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, nem citando textos veterotestamentários, mas, sim, citando uma poesia grega e dela levando os ouvintes compreenderem a verdade do evangelho. O tal altar e a tal poesia foi o ponto de contato, referência, campo em comum, a fim de apresentar a mensagem da fé cristã.

O que fica de desafio para nós? João Paulo II no CVII trouxe um termo chamado de aggionarmento que significa atualização, ou seja, a devida contextualização da mensagem para os nossos dias. Quando apresentou tal termo ele também incentivou para que os católicos (podemos aprender com tal verdade) conheçam seus Novos Areópagos, especialmente uma referência às mídias. Este é, portanto, o nosso desafio! Observemos esses Novos Areópagos que vivemos em nosso contexto pessoal e nele achemos um ponto comum, que nos leve a convergir com quem nos ouvirá ou dialogará, e partir de então mostremos a superioridade e relevância da fé cristã revelada na Bíblia. Façamos tal ponte!

Pastores façam isso em seu púlpito! Pais de família façam isso em sua casa! Jovens façam isso em sua escola! Universitários façam isso em sua universidade/faculdade! Homens e mulheres façam isso em seu trabalho! Todos nós façamos isso nas redes sociais!  Descubramos os Novos Areópagos, achemos neles o ponto de convergência, e por fim apresentemos a fé cristã que a bíblia revela como sua “prosa”!

“Nos meus próprios livros sobre apologética tentei sistematicamente basear-me em algum ponto útil de contato entre o evangelho e a cultura”!

(John Edward Carnell)


Fonte: www.napec.org

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Jeroboão e o altar da idolatria

Texto Base: 1 Reis 13.1-10

INTRODUÇÃO

A história de Jeroboão é um exemplo de como uma pessoa que tem as promessas de Deus para sua vida, mas devido à falta de fé e por medo, entra por caminhos errados e se afasta completamente de Deus. É a história de um homem que tinha tudo para dar certo, mas fracassou em todas as áreas de sua vida. Assim como Davi entrou para a história como um modelo de integridade para com Deus, Jeroboão era o modelo do monarca ímpio. Essa lembrança constante de seu pecado indica a maneira como o Senhor tratou a idolatria durante a história de Israel (1Rs 16.26; 2Rs 14.24).

Este homem era servo de Salomão. Era um homem que exercia entre o povo uma grande liderança. Ele era da tribo de Efraim. Salomão o colocou como supervisor de todo o trabalho forçado.

Salomão, o terceiro rei de Judá, pecou tanto contra Deus que o Senhor decidiu tirar a maior parte do reino das mãos dos descendentes dele. Após a morte deste filho de Davi, o reino se dividiu em duas partes. A parte do sul, conhecida como Judá, ficou sob o domínio dos descendentes de Davi. A maior parte, composta das dez tribos do norte, foi dada por Deus a Jeroboão, filho de Nebate, um efraimita já provado como administrador hábil. Por ser um excelente líder e por estar o reino de Salomão em declínio por causa da sua idolatria (1Rs 11.9-13); o Senhor levantou contra Salomão vários inimigos, dentre eles o próprio Jeroboão (1Rs 11.26).

O profeta Aías procurou Jeroboão com um recado do Senhor lhe dizendo que o reino de Israel seria divido após a morte de Salomão e que ele seria rei de dez tribos e que ele seria bem sucedido, mas para isso teria que seguir ao Senhor (1Rs 11.29-40).

Quando Salomão morre e seu filho Roboão passa a reinar, Jeroboão retorna do Egito e vê se cumprir a profecia que o Senhor lhe havia falado (1Rs 12.16-20), pois Roboão, em sua arrogância, não deu ouvidos ao conselho dos mais velhos, mas seguiu o conselho dos jovens. E o conselho deles era para que se tornasse pior que seu pai.
Quando o profeta Aías transmitiu a Jeroboão a mensagem de Deus garantindo-lhe o reino de Israel (1Rs 11.28-39), o profeta deixou claro que a divisão política não dava espaço a um afastamento religioso. O lugar de culto a Deus continuaria sendo em Jerusalém. No entanto, por não confiar nas promessas de Deus, ele estabeleceu o seu próprio culto e sacerdotes para evitar que o povo que estava sob sua liderança fosse adorar em Jerusalém (1Rs 12.25-33).

Jeroboão conduziu o povo a uma falsa religião. Essa religião que inventou era confortável, conveniente e barata, mas não era autorizada pelo Senhor. Ia contra a vontade de Deus revelada nas Escrituras e tinha como propósito a unificação do reino de Jeroboão e não a salvação do povo e a glória de Deus. Era uma religião feita por mãos humanas, e Deus a rejeitou inteiramente.

Devido a isso, o Senhor envia a Betel um profeta para profetizar contra Jeroboão e seu altar idólatra. Por isso, eu quero pensar com você sobre a vida de Jeroboão e o seu altar e quais as lições que podemos aprender com isto.

Em primeiro lugar, quando levantamos nossos próprios altares deixamos Deus de lado e criamos os nossos próprios deuses para adorar (1Rs 12.28-30).

Em Êxodo 1-6 nos diz:

“Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

A adoração verdadeira envolvia a arca da aliança, o altar dos holocaustos, o templo em Jerusalém, mas não havia imagem de Deus, pois como disse o Senhor Jesus a mulher samaritana em João 4.24: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. A religião inovadora de Jeroboão tinha outros deuses – bezerros de ouro e altares em Dã e Betel. Ele tinha um certo apoio histórico, pois o primeiro sumo sacerdote de Israel (Arão) havia feito um bezerro de ouro (Êxodo 32.1-29). Precedente histórico, sem a aprovação divina, não serve para guiar o nosso caminho.

a) Vivemos hoje numa era em que a “religião inventada” é popular, aprovada e aceita.

b) Os líderes cegos que conduzem outros cegos asseveram que vivemos em uma “sociedade pluralista” e que ninguém tem o direito de afirmar que apenas uma revelação é verdadeira e que apenas um caminho para salvação é correto.

Esse tipo de mensagem agrada ao ouvido de muitos, mas não é a verdadeira mensagem. A Verdade é imutável. A Bíblia é a nossa regra de fé e prática, por isso não podemos relativá-la como muitos tem feito. Se negligenciarmos o que a Palavra de Deus nos fala, então não precisamos dela.

A sociedade pode ser pluralista, mas a Palavra de Deus não. A sociedade pode pensar o que quiser, mas nós somos guiados pela Bíblia e nela que encontramos a orientação de como deve ser a nossa adoração. Se a negligenciarmos deixaremos o caminho trassado pelo Senhor e passamos a andar por atalhos que nos afastarão cada vez mais da sua presença. Como nos fala o autor de Hebreus:

“Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hb 2.1-3).

Em segundo lugar, quando levantamos os nossos próprios altares criamos as nossas próprias regras, nossas próprias leis espirituais e nossos próprios sacerdotes (1Rs 12.31).

A lei dada por meio de Moisés foi clara. Os sacerdotes de Israel seriam levitas. Jeroboão não respeitou esta limitação e ordenou pessoas de outras tribos como sacerdotes. Quem tivesse dinheiro para fazer os sacrifícios que o rei pediu poderia ser sacerdote (2Cr 13.9).

“Não lançastes fora os sacerdotes do SENHOR, os filhos de Arão e os levitas, e não fizestes para vós outros sacerdotes, como as gentes das outras terras? Qualquer que vem a consagrar-se com um novilho e sete carneiros logo se faz sacerdote daqueles que não são deuses”.

Quando Deus dá qualificações para posições de serviço no reino dEle, devemos respeitar todas as condições por Ele impostas. Apesar de tais orientações na Palavra, quantos homens hoje continuam agindo como pastores, mesmo não tendo todas as qualificações que Deus exige deles? Quem tiver dinheiro para pagar mensalidades de algum curso de teologia se torna pastor, ignorando e desrespeitando as qualificações bíblicas (1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9).

Pastores e “profetas” autodesignados criam a própria teologia e a passam adiante, como se fosse a verdade. Não se interessam nem um pouco no que as Escrituras têm a dizer; antes, colocam as suas “palavras fictícias” no lugar da Palavra imutável e inspirada por Deus, levando muita gente crédula a ser condenada (2Pe 2.1-3):

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita”.

Esses falsos líderes abandonaram as Escrituras e inventaram seus próprios manuais de regras e condutas.

E a impressão que temos é que quanto mais longe das Escrituras mais o povo gosta. Quanto mais longe da verdade mais as pessoas se interessam. Só há um detalhe que essas pessoas não sabem: “A Verdade liberta”.

A Verdade traz o entendimento que nos leva a compreender a mensagem da cruz e, através desse entendimento, alcançamos a salvação de nossas almas.

Em terceiro lugar, quando levantamos nossos próprios altares fazemos o que bem entendemos, pois não temos a quem prestar contas (1Rs 13.1).

Jeroboão criou uma religião que lhe permitia ser rei e sacerdote, ou seja, ele fazia o que bem entendesse.

Jeremias e Ezequiel foram sacerdotes que foram chamados para serem profetas, mas a lei mosaica não permitia que reis servissem como sacerdotes. No livro de  2Cr 26.16-23, nos diz que o rei Uzias quis oferecer incenso sobre o altar e por causa desta transgressão ele ficou leproso.

Hoje temos vivido um cristianismo do “tudo pode”, “não tem nada a ver”, “qual o problema?”. Temos visto por aí um evangelho sem compromisso com Deus, um evangelho sem cruz, um evangelho sem Deus. Entenda uma coisa: “Só houve Pentecostes porque houve cruz. Sem cruz não há Pentecostes”.

Leia o que o Senhor nos diz em Lucas 14.25-33:

“Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”.

W. Tozer escreveu:

A cruz é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. A cruz dos tempos romanos não sabia o que era fazer acordos; nunca fez concessões. Ela vencia todas as suas discussões matando seu oponente e silenciando-o para sempre. Não poupou a Cristo, mas assassinou-o violentamente como fez aos demais. Ele estava vivo quando o penduraram naquela cruz e completamente morto quando o retiraram dali, seis horas depois. […] Com perfeito conhecimento de tudo isso, Cristo disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. Então, a cruz não somente trouxe um fim à vida de Cristo, mas também à primeira vida, a vida velha, de cada um de seus verdadeiros seguidores. A cruz destrói o padrão antigo, o padrão de Adão, na vida do crente e o traz a um fim. Então, Deus que ressuscitou Cristo dentre os mortos ressuscita o crente, e uma nova vida começa.
Isso, e nada menos, é o verdadeiro cristianismo.

Devemos fazer algo em relação à cruz. E só podemos fazer um de duas coisas – fugir da cruz ou morrer nela.

Em quarto lugar, quando levantamos os nossos próprios altares e oferecemos nele os nossos próprios sacrifícios o Senhor não se dirige mais a nós (1Rs 13.2).

O profeta não se dirige a Jeroboão, mas ao altar onde ele está sacrificando, pois o coração desse ímpio rei estava cheio de si e ocupado com seus próprios planos e não tinha tempo de ouvir Deus.
Observe que sua mão secou quando ameaçou o profeta e depois foi restaurada. Ele vivenciou o milagre, mas não se voltou para Deus. O coração de Jeroboão estava completamente fechado para Deus.

O altar de Jeroboão era uma profanação ao altar do templo em Jerusalém. No altar desse rei o que era oferecido não era aceito por Deus, era feito para engrandecimento e fortalecimento do reinado e não para Deus. Não era um lugar de quebrantamento pelo pecado, mas um lugar de engrandecimento de si mesmo.

Há muitos altares em nossas igrejas hoje parecidos com o altar de Jeroboão. Vivemos um tempo secularizado em que os altares das igrejas se parecem mais com palcos de shows do que lugar de adoração. Devido a esta preocupação, precisamos entender qual é o propósito do altar que temos em nossos templos.

Por isso eu pergunto: “O que é um altar?”

1- O Altar é um LUGAR: Malaquias 1.17 “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do SENHOR é desprezível”.

O profeta Malaquias questiona porque o povo profanava o altar oferecendo pão imundo, ou seja, entregando ofertas indesejáveis ao Senhor e desprezando o lugar santo. Isso ainda acontece quando as pessoas fazem do altar um lugar comum onde se apresentam não a Deus, mas a um público.

O altar é um local, contudo deve ser um lugar santificado e “ungirás também o altar do holocausto e todos os seus utensílios e consagrarás o altar; e o altar se tornará santíssimo” (Êxodo 40.10). Não podemos usar um lugar consagrado a Deus para dar glória aos homens (João 5.41). No Antigo Testamento, para subir ao altar era preciso reverência com vestes apropriadas “nem subirás por degrau ao meu altar, para que a tua nudez não seja ali exposta” (Êxodo 20.26). Hoje estamos no tempo da Graça e dispensação do Espírito Santo, mas não podemos deixar de respeitar o lugar de adoração.

2- O Altar é uma POSIÇÃO: Malaquias 1.10 “Tomara houvesse entre vós quem feche as portas, para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta”.

Malaquias também lamenta que estavam oferecendo fogo em vão no altar do Senhor e deseja que as portas fossem fechadas para que isso não acontecesse mais. Afirma que o Senhor Deus não tem alegria em receber sacrifícios falsos e não aceita um culto religioso apenas sem sentido espiritual.

O altar, além de ser um lugar de adoração é uma posição, ou seja, uma postura que precisa ser tomada pelo adorador. Para estar no lugar de adoração é preciso ser um adorador.

Estar diante do Altar da igreja exige muito respeito e temor porque “o nosso Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.29) e “tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14.40). Embora hoje estejamos no tempo da graça e temos alegria e liberdade pelo Espírito Santo, não podemos negligenciar a seriedade do altar do Senhor.

3- O altar é a VIDA: Malaquias 2.13 “Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão”.

Malaquias repreende o povo porque ofereciam ofertas no altar e não tinham prazer ao entregar seu sacrifício. A tristeza do povo não era de arrependimento dos seus pecados.

O Altar é a vida de cada cristão porque “o corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós” (I Coríntios 6.19). Então a pessoa que confessa a Jesus deve viver uma vida diante do Altar do Senhor em seu coração.
Spurgeon aconselhava seus alunos no seminário a nunca se descuidarem da prática da oração como parte integrante na vida do Ministro da Palavra. Declarou que o pregador precisa se distinguir acima de todas as demais pessoas como um homem de oração. “Ele ora como um cristão comum, ou de outra forma seria um hipócrita. Ora mais que os cristãos comuns ou de outra forma estaria desqualificado para o cargo que assumiu”.

CONCLUSÃO

Essa realidade espiritual que ocorreu na vida de Jeroboão é uma triste realidade que temos visto em nossos dias. Temos que estar atentos para não cairmos no erro de Jeroboão, que duvidou da Palavra de Deus e se enredou por outro caminho, criando o seu próprio sistema de culto, sua própria religião.

Cada crente deve ter consciência de viver no Altar do Senhor, colocando-se em oração constante diante de Deus (I Tessalonicenses 5.17) sabendo que Jesus morreu pelos seus pecados e que o Espírito Santo intercede por nós.

Nossas vidas devem ser oferecidas a Deus “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que o vosso culto racional” (Romanos 12.1) ao negar-se a si mesmo e tomar sua cruz como Jesus ordenou (Lucas 9.23).  Em Apocalipse o altar é o lugar onde repousam as almas dos mártires (Apocalipse 6.9) que se sacrificaram por amor a Deus.

O altar da adoração é o coração do adorador.

Pense Nisso!


Fonte: www.napec.org

domingo, 10 de dezembro de 2017

Como vencer a ansiedade

Texto Base: Mateus 6.24-34

INTRODUÇÃO

Uma grande crise se instalou em nosso país, e porque não dizer no mundo. Vivemos dias em que cada vez mais ouvimos falar em corrupção, perda de emprego, roubalheira das mais diversas em todas as instâncias do governo, a justiça que não prevalece… Olhamos ao redor e diante de tanta crise, se não tivermos cuidado, seremos engolidos por uma total desesperança.

No entanto, o texto de Mateus 6.24-34 nos renova a fé. Nos trás esperança e renova a nossa confiança no Senhor que nos guarda. Mas para isso devemos vigiar, pois a tentação é muito grande. E essa tentação é a de servir a dois senhores. A tentação de abrir mão do cuidado de Deus por nós e nos embrenharmos por um caminho extremamente perigoso. O caminho que nos leva a perder a fé no Senhor e em seu cuidado e partirmos a buscar outro senhor para cuidar de nós, dos nossos interesses e dos nossos entes queridos.

Quando perdemos a fé que o Senhor tem poder para cuidar de nós, automaticamente, nos vemos tomados por uma extrema preocupação. É aquilo que o Senhor chama de ansiedade.

PARA VENCERMOS A ANSIEDADE NÓS DEVEMOS EM PRIMEIRO LUGAR DEFINIR A QUEM IREMOS SERVIR (Mt 6.24).

Jesus aqui é enfático ao dizer que nós não podemos servir a dois senhores. Isso é impossível. Isso é algo que para o Senhor é inviável. E Ele nos dá duas razões básicas:

1º – Porque o amor não pode ser divido (Mt 6.24a). Se você ama um não pode amar ao outro, pelo contrário, irá aborrecer o outro. Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores, pois ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão [1].

Por que falamos isso? Porque vezes seguidas, nas páginas das Escrituras, os crentes são referidos como escravos de Deus e escravos de Cristo. De fato, enquanto o mundo exterior os chama de “Cristãos”, os crentes primitivos repetidamente referiam a si mesmos, no Novo Testamento, como escravos do Senhor (Rm 1.1; 1Co 7.22; Gl 1.10; Ef 6.6; Fl 1.1; Cl 4.12; Tt 1.1; Tg 1.1; 1Pe 2.16; 2Pe 1.1; Jd 1; Ap 1.1) [2].

E a expressão servir no grego é doulenein, que é servir como escravo. Então na condição de escravo eu devo ter um só senhor e amá-lo incondicionalmente. Por isso que amar ao Senhor e as riquezas é impossível. Como disse o apóstolo Paulo em 1 Timóteo 6.10:

“Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Na condição de escravo, tem que haver total fidelidade sem reservas, porquanto o escravo não tinha vida própria, mas tudo fazia segundo a vontade do seu “senhor”. É claro, portanto, que tal serviço não pode ser prestado a dois senhores [3].

2º – Porque a adoração não pode ser dividida (Mt 6.24b). O homem que cuida das coisas espirituais procura apenas um tesouro, isto é, o tesouro dos céus (Mt 6.19-21).

Não podemos servir a Deus e as riquezas, ou seja, não podemos servir ao Criador dos céus e da terra, ao Deus Vivo e qualquer objeto de nossa própria criação que chamamos de “dinheiro” (Mamon é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza) e, nesse contexto, representa também os interesses mundanos. Não podemos servir aos dois [4].

A riqueza é uma grande tentação. Não que seja pecado ser rico, o pecado está em confiar nela como se ela fosse um deus; e na verdade, para muitos, ela é um deus. Por isso o apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo nos alerta a respeito disso:

“Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão” (1 Timóteo 6.9-11 – NVI).

E em Eclesiastes 5.10 nos diz:

“Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade”.

E o próprio Jesus alertou os seus discípulos sobre esse perigo:
“Então, Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Os discípulos estranharam estas palavras; mas Jesus insistiu em dizer-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Marcos 10.23-25).

A tentação é grande, mas uma vez eu repito. Não pense que nós não seremos tentados. Não pense que estamos isentos de passarmos por isso. Nós não somos intocáveis. Por isso que o apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios disse:

“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Coríntios 10.12).

EM SEGUNDO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS TER UMA FÉ RACIONAL (Mt 6.25,31).

Jesus começa esse versículo dizendo: “Por isso vos digo”. Isso quer dizer que aquilo que Senhor Jesus está para falar é uma conclusão do que Ele havia falado anteriormente, ou seja, antes de nos convidar a agir, ele nos convoca a pensar. Convida-nos a examinar clara e friamente as alternativas que foram expostas, pensado-as cuidadosamente [5].

O Evangelho e a sua mensagem devem ser analisadas. Não é pecado pensar. Aliás, o Senhor nos convida a servi-lo calculando o valor do discipulado (Lc 9.57-62). O apóstolo Paulo nos diz que o nosso culto deve ser um culto racional (Rm 12.1). David Martyn Lloyd-Jones diz que Cristo não se contentou meramente em estabelecer princípios, dar-nos uma ordem ou mandamentos. Antes, nos dá argumentos e oferece-nos razões. Ele apresenta estas coisas para serem apreciadas pelo nosso bom senso. Uma vez mais somos lembrados que Ele está apresentando a verdade diante do nosso intelecto. Jesus não se preocupou somente em produzir uma determinada atmosfera emocional, mas também raciocina junto conosco. Essa é a grande questão que precisamos aprender. É por esse motivo que Ele começa, novamente, com as palavras “por isso” [6].

Por isso…

1º – Devemos ver a vida com os olhos do Senhor. Isso implica em andar pela fé e não por vista. Assim como os espias que voltaram de espiar a terra de Canaã, devemos ver o melhor que o Senhor tem para nós. No entanto, devemos tomar cuidado para não fixarmos os olhos nas dificuldades, mas na possibilidade da vitória. Para que possamos ver o que o Senhor tem para nós, devemos em primeiro lugar ter a visão dEle e, em seguida, abrir mão da nossa visão. O que os nossos olhos veem podem nos levar ao total engano.

Não sei se você sabe, mas a águia possui oito vezes mais células visuais por centímetro cúbico do que o ser humano. Tal fato se traduz por habilidades espantosas. Por exemplo, voando à altura de 200 metros a águia consegue detectar um objeto do tamanho de uma moedinha, movendo-se na grama de 15 centímetros de altura. A águia pode enxergar um peixe de oito centímetros saltando num lago a oitenta quilômetros de distância. A visão espiritual nos leva a ver o que os olhos naturais não veem (1Co 2.14-16).

Por isso…

2º – O Senhor nos proíbe de vivermos ansiosos (Mt 6.25, 31, 34). Ao lermos esse texto, a ideia que muitos têm é que não temos que nos preocupar com nada. Não é isso que o texto nos diz. Jesus em momento algum disse que devemos desprezar as necessidades do nosso corpo. Que não precisamos cuidar dele. Afinal nós somos o templo do Espírito Santo (1Co 6.19) e precisamos cuidar dele (Ef 5.29). Nem tampouco proíbe a previdência quanto ao futuro. Devemos pensar no amanhã, pois afinal de contas devemos nos prevenir quanto às adversidades que a vida pode apresentar.

O Senhor também não nos isenta de ganharmos a própria vida, de trabalharmos para termos o nosso pão de cada dia. Embora nunca nos esquecendo de que este pão procede do Senhor que o coloca em nossa mesa. Outro detalhe importante, a falta de ansiedade não nos isenta das dificuldades que a vida oferece. O Senhor nos deixou um aviso importante em João 14.1: “Não se turbe o vosso coração”. E em João 16.33 Ele nos diz:“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.

A ansiedade que o Senhor proíbe é a ansiedade que nos leva a desacreditar no Seu cuidado. É a preocupação excessiva com o dia de amanhã. O psicólogo Rollo May chama esse tipo de ansiedade de “Ansiedade Neurótica”. A maioria das ansiedades neuróticas provém de conflitos psicológicos subconscientes. A pessoa se sente ameaçada como por um fantasma; não sabe onde se encontra o perigo, como combatê-lo e dele fugir. E ele diz que quando um indivíduo sofre de ansiedade durante um prolongado período de tempo fica com o corpo vulnerável a doenças psicossomáticas. Esta é o denominador comum psicológico das perturbações psicossomáticas, tais como úlceras, várias formas de afecções cardíacas, etc. A ansiedade é, em suma, a forma contemporânea da peste branca (tuberculose) – a maior destruidora da saúde e do bem-estar humanos [7]. Essa é a ansiedade que o Senhor nos proíbe de termos, pois tal ansiedade na verdade é falta de fé. É uma total falta de confiança do cuidado do Senhor por cada um de seus filhos amados. Veja o que o autor de Hebreus nos fala:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

Veja o que Paulo nos fala em Filipenses 4.6:

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”.

E o que apóstolo Pedro em sua primeira carta nos fala assim também:
“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”(1Pe 5.6,7).

Quem busca riquezas pensa que o dinheiro resolverá todos os problemas, quando, na verdade, trará ainda mais problemas! As riquezas materiais criam uma sensação falsa e perigosa de segurança, a qual termina em tragédia [8]. E isso gera ainda mais ansiedade.

EM TERCEIRO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS ENTENDER QUAIS SÃO OS VERDADEIROS VALORES DA VIDA (Mt 6.26-31).

É assustador observar quantas pessoas parecem viver inteiramente dentro desses estreitos limites: alimento, bebida e comida. Como dizia a Dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo: “Só pensa naquilo”. Tem gente assim. Só focam nas coisas desta terra e se esquece por completo das coisas celestiais. Pessoas assim adoram a mamom e não a Deus. Confiam no cuidado de mamom e desacreditam do cuidado do Senhor.

Por isso que a partir daqui o Senhor começa a fazer um paralelo mostrando o que na verdade tem valor e de quanto o nosso Deus tem cuidado dos seus. E Ele nos mostra isso através da observância. Do aprendizado. Do ver o cuidado de Deus pelas coisas mais simples que existem: as aves que Ele alimenta, as flores que Ele veste de beleza e da vida que Ele dá.

1º – O Senhor mostra o quanto o Pai cuida das aves (Mt 6.26). Deus é o nosso Pai, e se o nosso Pai cuida tanto das aves do céu, com as quais está relacionado somente através da Sua providência geral, quão maior, necessariamente, deve ser o Seu cuidado por nós. Um pai terreno pode mostrar-se bondoso, por exemplo, para com os pássaros e os animais; mas seria inconcebível um homem prover sustento para meras criaturas e, ao mesmo tempo, negligenciar seus próprios filhos [9]. Veja o próprio exemplo que o Senhor nos da em Mateus 7.7-11:

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”

Lucas 11.11-13 nos diz:

“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

O Senhor deixa claro que nós valemos mais do que as aves, embora Ele não deixe que nenhuma delas morra sem o Seu consentimento: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai” (Mt 10.29);  e por isso o Pai irá cuidar de cada um de nós muito mais. Só que há um pequeno detalhe aqui, as aves saem pela manhã para procurar o seu alimento e cabe a cada um de nós buscarmos recursos para pôr o alimento em nossa mesa.

2º – O Senhor mostra o quanto o Pai cuida das flores (Mt 6.28,29). Jesus nos manda observar o cuidado que o Pai tem para com flores e o quanto as “vestem” de pura beleza. O Senhor nos manda “considerar” (observar bem) o Seu cuidado.

As flores que cresciam no campo não eram cuidadas pelos homens e eram consideradas de pouco valor. Se o campo fosse ser preparado para ser plantado, a hera era cordata ou queimada, e todas as flores também teriam o mesmo destino. A despeito do reduzido valor das flores, Deus cuida delas, providenciando-lhes belíssimas vestes. Ora, se Deus assim age no tocante à criação física, por acaso não cuidará, nesse particular, de seus próprios filhos? [10].

Há em muitas pessoas uma preocupação exacerbada com coisas que não deveriam tomar a nossa mente. E uma dessas preocupações é com as vestes. Há pessoas que já não tem onde por as roupas que tem e toda vez que vai sair diz que não tem roupa. Isso parece até brincadeira!

Muitas pessoas não vestem roupas, vestem uma grife. Observe a moda, por exemplo. Todos se vestem iguais. E a cada ano tem uma moda diferente, e toda vez que ela muda tem que se mudar o “guarda roupa”, afinal temos que andar na moda.

Interessante é que o tempo passou, mas o ser humano continua o mesmo. Nos tempos antigos, as pessoas eram avaliadas pelas roupas que usavam e possuíam. Tanto que nos tesouros orientais incluíam-se vestes de alto preço.

No entanto, o Senhor nos diz que nem Salomão com toda a sua glória se vestiu como qualquer deles. As vestes manufaturadas de Salomão não se comparam as vestes que o Senhor dá as flores mais simples.
Por esse motivo o Senhor nos diz que não devemos viver preocupados com esse tipo de coisa. É inútil. É desperdício de tempo. É desacreditar do cuidado de Deus (Gn 3.21).

Por isso que o Senhor falou a respeito de “homens de pequena fé”. Essa pequena fé se limita a salvação e não inclui a vida inteira do crente, e tudo que está envolvido nessa vida. Há pessoas que creem que irão para o céu, e estão certos em crer assim, mas desacreditam de todas as promessas de Deus para nós.

3º – O Senhor mostra que o dom da vida pertence ao Pai (Mt 6.27). Jesus deixa claro aqui que a ansiedade pode antecipar a morte e não prolongar a vida; e que a preocupação com ela não irá fazer com a morte não nos alcance quando chegar a nossa hora.

A palavra côvado era uma medida de comprimento de 45 centímetros. No entanto, a ideia que se tem aqui não é de estatura, mas de duração da vida. Em outras palavras, o Senhor está nos dizendo que nenhuma preocupação irá fazer com que a nossa vida seja mais longa. A vida é dom de Deus. A vida e a morte estão em Suas mãos. Não temos que viver preocupados como e quando iremos morrer, mas devemos estar preocupados como temos vivido.

EM QUARTO LUGAR, PARA VENCERMOS A ANSIEDADE DEVEMOS DESCANSAR NOS CUIDADOS DO SENHOR (Mt 6.31-34).

Se há algo que uma pessoa ansiosa não faz nunca é descansar. Não há paz em sua vida. Não há tranquilidade no seu viver. A preocupação com as coisas materiais nos faz viver como pagãos. Por isso, tome cuidado. Não quero dizer com isso que não podemos nos preocupar, o que eu quero dizer é que devemos confiar no Senhor e crer que Ele continua e continuará no controle de tudo.

Por que podemos descansar nos cuidados do Senhor? Nesses últimos versos o Senhor Jesus nos dá três razões básicas e porque não dizer lógicas.

1º – Porque o Pai conhece todas as nossas necessidades (Mt 6.31,32). Vencemos a ansiedade quando confiamos em Deus. A fé é o antídoto para a ansiedade. Deus nos conhece. Ele nos ama. Ele é o nosso Pai. Ele sabe do que temos necessidade. Se pedirmos um pão, ele não nos dará uma pedra; se pedirmos um peixe, ele não nos dará uma cobra. Nele vivemos e nele existimos. Ele é o Deus que nos criou. Ele é o Deus que nos mantém a vida. Ele nos protege, nos livra, nos guarda, nos sustenta.

Em suma, tudo o que você necessita não irá te faltar. Pode ser que o que você necessita não seja o que você deseja, aí é outra coisa. Como diz uma das frases da música “Trem Bala: “Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu. É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu”.

2º – A nossa única prioridade é buscar o Seu Reino e a Sua justiça (Mt 6.33). Nada menos do que Deus e seu Reino devem ocupar a nossa mente e o nosso coração. O nosso problema não é fazer investimentos, mas fazer investimentos errados. Somos desafiados a buscar uma riqueza que não perece. A ajuntar tesouros não na terra. A colocarmos nosso dinheiro, nossos bens, nossa vida a serviço de Deus e do seu Reino, em vez de vivermos ansiosos ajuntando tesouros para nós mesmos.

O maior investimento que podemos fazer não é nas coisas aqui de baixo, da terra, mas nas coisas lá do alto onde Cristo está assentado.
3º – Porque assim como o Pai cuida de nós hoje Ele irá cuidar amanhã (Mt 6.34). A preocupação com o amanhã não ajuda nem o dia de hoje nem o de amanhã. Antes nos priva de nosso vigor no dia de hoje – o que significa que teremos ainda menos energia no dia de amanhã. Alguém disse que a maior parte das pessoas crucifica-se entre dois ladrões: os remorsos de ontem e as preocupações de amanhã. É correto planejar e até mesmo economizar para o futuro (2Co 12.14; 1Tm 5.8), mas é pecado preocupar-se com o futuro e permitir que o amanhã nos prive das bênçãos de hoje [11].

CONCLUSÃO

O Senhor nos diz que quem vive com tal ansiedade é gentio, ou seja, é o ímpio que não conhece ao Senhor. É aquela pessoa que vive olhando para as coisas dessa terra e não sabe que existe um Deus que tudo faz por aqueles que o servem. Como nos fala Isaías 64.4: “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam” (NVI).

Mas nós não somos gentios. Por isso buscamos o Seu Reino e a Sua justiça e cremos que aquilo que os gentios chamam de bênção nós iremos chamar de acréscimo. Pois é exatamente o que essas coisas são. Por isso que devemos buscar primeiro o Reino e a Sua justiça, essa é a prioridade de todo crente, o resto é o resto.

Pense nisso!

Fonte:
1 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 164.
2 – MacArthur, John. Escravo, A Verdade Escondida sobre nossa Identidade em Cristo. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 1ª Reimpressão 2014: p. 20.
3 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 1, Editora Candeia, Cidade Dutra, Interlagos, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 326.
4 – Stott, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte. ABU Editora, São Paulo, SP, 1986: p. 164.
5 – Ibid, p. 166.
6 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 392.
7 – May, Rollo. O Homem à Procura de si Mesmo. Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 15ª Edição, 1989: p. 31, 36.
8 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, Editora Geográfica, Santo André, SP: p.33.
9 – Lloyd-Jones, D. Martyn. Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel, São Paulo, SP, 1984: p. 401.
10 – Champlin, R. N. O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo, vol. 1, Editora Candeia, Cidade Dutra, Interlagos, SP, 10ª Reimpressão, 1998: p. 328.
11 – Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo, Novo Testamento 1, Editora Geográfica, Santo André, SP: p.33


Fonte: www.napec.org

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O cristão e a plenitude divina

“Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Ef.5.15-18)

As escrituras são claras quanto as demandas morais esperadas do cristão: Ele deve manter um padrão exemplar entre os não cristãos (1Pe.2.15ss), em obediência aos mandamentos de Cristo (1Jo.2.3ss) e aos mandamentos da lei (Rm.8.4) na demonstração de amor a Deus (Mt.22.37Mc.12.30) e aos outros (Rm.13.8; Gl.5.14). Entretanto, é importante afirmar que Deus não espera que o homem por sua força atinja tal padrão. O ser humano caído e resgatado pela Graça pode somente pela Graça alcançar as exigências divinas do cristianismo. Por isso mesmo é que o próprio Deus providencia o Espírito Santo como agente divino no homem para habilitá-lo a cumprir as exigências da lei:  

Porque, aquilo que a Lei fora incapaz de fazer, por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne,  a fim de que as justas exigências da Lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito (Rm.8.3-4)

Em outras palavras, o cristão é habilitado satisfazer plenamente as exigências Divinas quando vive em conformidade com o Espírito Santo. Ou seja, a identidade do cristão com Cristo é intrinsecamente dependente do grau de dependência do cristão ao Espírito Santo. O cristão dependente do Espírito Santo manifestará os frutos que somente o Espírito Santo pode produzir (Gl.5.22-23) e será, portanto, habilitado por Ele a manifestar os princípios morais da experiência cristã esperada por Deus: Isso o tornará mais parecido com Cristo. O cristianismo não é uma forma moralismo legalista como se o ascetismo auto-causado fosse de algum proveito.

O CRISTIANISMO É UM RELACIONAMENTO COM DEUS, POR MEIO DE CRISTO E SEU ESPÍRITO. É APENAS NA EXPERIÊNCIA TRINITÁRIA (EF.1.3-14) QUE SE PODE DESFRUTAR DA PLENITUDE DIVINA (EF.3.16-19) NA EXPERIÊNCIA HUMANA (2PE.1.3-4).

Se nossa definição está correta, então a maturidade Cristã é apenas possível por meio da ação do Espírito Santo. Por isso, nesse post gostaria de (1) apresentar evidências bíblicas para a agência divina do Espírito Santo no cristão, (2) demonstrar o sentido e o resultado da plenitude do Espírito Santo e por fim (3) apresentar o Espírito Santo como O instrumento para a Plenitude da Divindade no cristão.

1. Evidências Bíblicas da Agência Divina do Espírito Santo
Antes de comentarmos sobre o assunto, uma nota sobre o sentido do termo agência é necessária. Com esse termo não estamos enfatizando o fato de que o Espírito Santo é o agente que realiza a ação, mas o instrumento pelo qual a ação é realizada. Entretanto, o fato de ser o instrumento da ação não significa que Ele o é de forma passiva. Pelo contrário, Ele é o ente intermediário pelo qual a ação é realizada,  não como um meio impessoal, mas como ente divino.

A. Salvação

Em primeiro lugar, o Espírito Santo está diretamente relacionado à Obra Divina da aplicação da Salvação. Enquanto o decreto salvífico encontra seu agente no Deus Pai (Ef.1.4-5), o execução no Filho (Ef.1.6) a aplicação da salvação é perfeita pelo Espírito Santo. É Ele quem convence o homem do pecado, da justiça e do Juízo (Jo.16.8-11), que opera a regeneração no homem (Tt.3.5; cf. Rm.2.29 – περιτομ καρδίας ν πνεύματι descreve o meio pelo qual a circuncisão do coração é realizada) e então possibilita a fé (1Co 2.4; 2Co.4.6). Ele é  recebido pelo homem por meio da fé (At.8.15, 17; 10.47; 19.2) como o ente que procede de Deus (1Co.2.12) após a pregação do evangelho (Gl.3.2), e passa a habitar no homem (Rm.8.9; 1Co.6.19) e a conviver com ele (Jo.14.16-17). Por meio do Espírito Santo o homem é batizado(Mt.3.11; Mc.1.8; Lc.3.16; Jo.1.33; At.1.33; 11.16; cf. ατς μς βαπτίσει ν πνεύματι– o Espírito não é o conteúdo do Batismo, mas o meio pelo qual o batismo é realizado) no momento de sua conversão (At.1.15; cf. 10.44-48; 11.15-18) em uma experiência una e indivisível (Ef.4.5; 1Co.12.13 –  βαπτίσθημεν indica uma ação não repetível). No salvo, o Espírito se torna a garantia (2Co.1.22; Ef.1.13; 4.30) da salvação futura (Rm.8.29-30).

B. Experiência da Salvação

Em segundo lugar, o Espírito Santo está diretamente relacionado à Vida Cristã. Ele é quem guia o cristão toda a verdade (Jo.16.13a) como o ente que proclama ao cristão (Jo.16.13b) tudo o que recebera de Cristo (Jo.16.14), que por sua vez recebeu do Pai (v.15). É Ele quem oferece ao cristão o conhecimento da verdade (1Jo.2.20) por que é Ele quem ensina o cristão todas as coisas (1Jo.2.27). O Espírito Santo direciona o cristão em conformidade com sua Vontade (At.8.29; 10.19-20; 13.2, 4; 16.6-7; 20.22-23). Ele também está intimamente relacionado à oração do cristão, seja na orientação do conteúdo em conformidade com Sua Vontade (Ef.6.20) ou na parceria com o cristão em sua oração (Rm.8.26; Jd.1.20). A experiência do amor de Deus na vida do cristão é também dependente da ação instrumental do Espírito Santo (Rm.5.5 – δι πνεύματος).

C. Santificação

Em terceiro lugar, o Espírito Santo é o ente divino por meio de quem a Santificaçãopode ser alcançada. A vida cristã e espiritual é completamente dependente da ação do Espírito como o ente instrumental da santificação, pois somente pela ação intermediária do Espírito Santo é que o cristão pode mortificar a carnalidade (Rm.8.13). O Espírito é o ente divino que estabelece o meio pelo qual a vida cristã pode ser vivida em sua plenitude (Gl.5.16). É Ele quem guia o cristão à santidade (Rm.8.14; Gl.5.17-8) por que Ele é também o modelo da santidade divina (Gl.5.25), em conjunto com o Pai (1Pe.1.16; Lv.11.44-45) e com o Filho (1Jo.2.6; cfJo.13.15). Isso não isenta o homem de sua insistente e repetida luta contra os desejos da carne (1Co.9.27; Gl.5.24; Ef.4.22ss; Cl.3.5ss; Tt.2.12ss; 1Pe.2.11s), mas que tal empenho deve ser realizado debaixo da ativa dependência do Espírito Santo, como Aquele que oferece vida(Jo.6.63; Rm.8.2, 10; 2Co.3.6; 1Pe.4.6) e vida eterna durante sua experiência nesta terra (Gl.8.6). O cristão pode apenas satisfazer as exigências da lei se viver em conformidade com o Espírito Santo (Rm.8.4), pois apenas o Espírito Santo pode produzir em sua vida os elementos morais do evangelho (Gl.5.22-23).

D. Ministério

Em quarto lugar, o Espírito Santo é o ente divino por meio de que o Ministério Cristãoé possível. Os dons ministeriais são soberanamente administrados pelo Espírito (1Co 12.11), de modo que a variedade ministerial é, em última análise, responsabilidade do Espírito Santo (1Co.12.8-10). Nesse sentido o Espírito é co-agente com Cristo (Ef.4.11), e portanto partilha com Ele que o objetivo dos dons é o aperfeiçoamento dos santos para o serviço ministerial (v.12). É Ele quem possibilita o serviço agradável a Deus (Fp.3.3), por que é Ele quem santifica as ações ministeriais humanas (Rm.16.16) e capacita o homem a agir em conformidade com a santidade do evangelho (Rm.15.19). É o Espírito Santo quem garante a ortodoxia no ensino cristão, por que Ele é o ente divino responsável pela inspiração do AT (1Pe.1.10-11; Mt.22.43; At.4.25; 2Pe.1.20-21; cf.2Tm3.16 – θεόπνευστος como indicativo da ação conjunta do Pai e do Espírito Santo), pela garantia da veracidade dos ensinos de Cristo tal como ensinado pelos Apóstolos (Lc.12.12; At.1.2; Jd.1.17; Jo.14.26; 16.13) e pela direção dos apóstolos e profetas neotestamentários na produção dos escritos do NT (1Pe.1.12; Ef.3.5; cf. 2.20). A própria divindade de Cristo só pode ser reconhecida por meio da ação divina do Espírito de Deus (Mat.16.16; 1Co.12.3; 1Jo.4.2-3; Jo.15.26). Em outras palavras, a garantia da ortodoxia cristã é em última analise dependente da ação do Espírito Santo (1Co.2.13).

Por fim, o Espírito Santo é quem pode “encher” o cristão, assunto que analisamos com detalhes abaixo.

2. A natureza e o resultado da Plenitude do Espírito Santo

A. Natureza da Plenitude do Espírito Santo
Temos que admitir que a natureza da plenitude do Espírito Santo no cristão deve ser coerente com experiência do nosso Mestre. Jesus Cristo é apresentado por Lucas como cheio do Espirito Santo (Lc.4.1) e que realiza as mais simples tarefas do seu ministério na dependência da força do Espírito Santo (Lc.4.14). Ele manifesta sua alegria em conformidade com o Espírito Santo e manifesta Seu louvor a Deus (Lc.10.21). Em Cristo a Plenitude do Espírito Santo foi manifesta como uma declaração de intimidade com Deus, por meio do Espírito Santo. Tal intimidade foi também reconhecida no fato de que, cheio do Espírito Santo, Cristo foi levado pelo Espírito Santo para ser tentado durante quarenta dias no deserto (Lc.4.1-2). A vitória na experiência da tentação de Cristo foi manifesta em sua dependência do Espírito Santo como exemplo para os cristãos de todas as eras.
Deve se notar também, que a experiência dos cristãos com o Espírito Santo foi apresentada de modo mais abrangente, sem em nenhum momento distorcer a imagem apresentada do nosso Senhor. Em conformidade com a experiência de Cristo, os cristão também experimentaram a plenitude do Espírito Santo. Diferente das descrições do batismo performado por Cristo, no qual Ele mesmo batizaria os cristãos por meio do Espírito (ν πνεύματι), as descrições da plenitude do Espírito, seja em Cristo ou nos discípulos, o Espírito Santo é descrito como o conteúdo de tal enchimento (πλήρης πνεύματος – cf. Lc.4.1; At.6.3, 5; 7.55; 11.24; πληροντο [] πνεύματος – At.13.52).

O Espírito Santo é o ente divino que habita no cristão e nele está em todo o tempo. Após a conversão, no qual o Espírito Santo é recebido (At.1.8; 10.44) e nele permanece, e por isso mesmo é que como ente divino pode ser entristecido (Ef.4.30). Entretanto, a plena experiência da presença do Espírito Santo é dependente do grau de conformidade moral/espiritual do cristão para com Deus na manifestação da dependência ativa do Espírito Santo. Isso explica por que existem cristãos cheios do Espírito Santo em contraste com aqueles que não estão. Dessa forma, a plenitude do Espírito não é uma bênção recorrente ou posterior à salvação, mas a extensão prática e experiencial da benção da salvação. Nesse sentido, estamos afirmando que a natureza da plenitude do Espírito Santo é a experiência de dependência dEle na luta contra o pecado e a favor do Reino de Deus. Isso pode ser melhor percebido na apresentação dos resultados da plenitude do Espírito Santo.

B. Os resultados da Plenitude do Espírito
Os resultados da plenitude do Espírito Santo nas escrituras são claros e almejáveis. O cristão que hoje vive na dependência do Espírito Santo poderá perceber em sua vida uma variedade de manifestações espirituais, tais como as listadas abaixo.

1. IMERSÃO NO MINISTÉRIO
Em primeiro lugar, a pessoa cheia do Espírito Santo é habilitada ao ministério. A igreja primitiva quando iniciou sua procura por homens que pudessem servir à comunidade cristã, busco homens cheios do Espírito Santo (At.6.3).

(1) Estevão: De acordo com o texto, esses homens também tinha um bom testemunho daqueles que não faziam parte da comunidade (cf. 1Tim.3.7) e também eram reconhecidos como homens cheios de sabedoria. A sensatez intelectual não era um empecilho para a abundante espiritualidade, na verdade ela era paralela e confluente. Entre os escolhidos pela igreja primitiva, encontrava-se Estevão, que é descrito como cheio de fé e do Espírito (At.6.5 – πλήρης πίστεως κα πνεύματος γίου), cheio de graça e poder (At.6.8 –πλήρης χάριτος κα δυνάμεως), que era habilitado pelo Espírito Santo para realizar sinais e prodígios e ensinar a verdade de tal forma que seus opositores não o podiam responder (At.6.10), por que ensinava em conformidade com o Espírito de Deus. Tamanha foi sua fidelidade a Deus e ao evangelho de Cristo, que cheio do Espírito Santo Estevão foi morto por seus opositores (At.7.55).

(2) Barnabé: Outro homem chamado nas escrituras de cheio do Espírito Santo foi Barnabé. Por causa da perseguição em Jerusalém, os cristãos foram dispersos pelo mundo antigo (At.8.1) e eles pregavam o evangelho por onde passavam (At.8.4). O evangelho, por fim, chegou a Fenícia, Chipre, Cirene e Antioquia (At.11.19-20) e Barnabé foi comissionado pela igreja de Jerusalém para verificar a situação do evangelho, e ao tomar conhecimento dos acontecimentos, muito se alegrou com os irmãos. Isso aconteceu por que Barnabé era um homem cheio do Espírito Santo e de fe (At.11.24). Por isso, dizemos que um homem cheio do Espírito Santo se alegra com a expansão da igreja de Cristo. Posteriormente, ele mesmo fora selecionado pelo Espírito para tornar-se missionário, por que homens cheios do Espírito Santo proclamam o evangelho. Um homem cheio do Espírito Santo, como Barnabé, é capaz de vender suas propriedades para auxiliar os necessitados na igreja (At.4.37).

2. PREGAÇÃO DO EVANGELHO

Em segundo lugar, um homem cheio do Espírito Santo prega ousadamente o evangelho. Essa é uma recorrente afirmação do livro de Atos: Pedro cheio do Espírito Santo ousou apresentar o evangelho diante da liderança de Israel que o tinha prendido (At.4.8). A igreja de Jerusalém, depois de enfrentar mais uma perseguição, orou pedindo a Deus que pregassem o evangelho ousadamente (At.4.29), e depois de ficarem cheios dos Espírito Santo, anunciavam a palavra com toda intrepidez (At.4.31). Paulo também se enquadra nessa categoria (At.9.15, 17, 20).

3. CONFRONTAÇÃO DO ERRO

Em terceiro lugar, um homem cheio do Espírito Santo confronta o errodestemidamente. Durante o ministério de Paulo e Barnabé, eles tiveram o privilégio de anunciar o evangelho ao proconsul de Pafos, chamado Sergio Paulo. Este estava acompanhado de um homem chamado Barjesus, mágico falso profeta, também conhecido como Elimas o mágico, que atrapalhava o ministério dos apóstolos. Então, cheio do Espírito Santo, Paulo fixando os olhos nele o advertiu dizendo: “Filho do diabo, cheio de todo o engando e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor?” (At.13.9-10). João Batista, o profeta cheio do Espírito desde o ventre materno acabou morrendo por suas ferrenhas exortações da imoralidade da liderança de Israel (Mt.14.1-12; Mc.6.14-29; Lc.9.7-9).

4. PROFECIA E LOUVOR

Em quarto lugar, um homem cheio do Espírito Santo profetiza em louvor ao Senhor. Ainda que em situações distintas, foi exatamente isso o que aconteceu com Isabel (Lc.1.41ss) e Zacarias (v.67). Ambos cheios do Espírito Santo reconheceram o soberano trabalho de Deus ao enviar Cristo e seu predecessor João Batista. A profecia mencionada nesses texto em nada se assemelha com a previsão do futuro, pois é na verdade uma reflexão piedosa do passado que produz exultação pelos eventos do presente e permite avaliar o futuro. Ambos olhara para a Graça Divina apresentada na história e sendo finalmente concretizada nos seus dias e como resultado de tal reconhecimento, ambos manifestaram seu louvor ao Senhor. João Batista, que dentre os nascidos de mulher é o maior na opinião de Cristo (Lc.7.28), é chamado de Profeta e é considerado cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Lc.1.15).

5. A QUESTÃO DO “FALAR EM OUTRAS LÍNGUAS”

Por fim, um homem cheio do Espírito Santo pode falar em línguas. Nas escrituras encontramos apenas uma descrição de homens e mulheres cheios do Espírito Santo manifestando sua presença por meio de línguas (At.2.4). Entretanto, em duas outras ocasiões um fenômeno similar acontece, no qual ao receberem o Espírito Santo, os cristãos passaram a falar em línguas (At.10.46; 19.6). Quatro detalhes devem ser, entretanto, notados:
(1) As línguas faladas eram idiomas conhecidos: A comunidade cristã quando recebeu o Espírito Santo em Atos 2 passou a falar em outras línguas em conformidade com a ação do Espírito Santo. Ao que o texto parece indicar, falar em línguas foi o resultado do recebimento do Espírito Santo. Entretanto, eles falavam outros idiomas conhecidos (τέραις γλώσσαις) que eram entendidos pelos ouvintes de todo o mundo (At.2.6, 8, 11) que estavam em Jerusalém para a Festa de Pentecostes (At.9-10).

(2) As línguas faladas tinha como propósito proclamar as grandezas de Deus de modo inteligível: Os cristãos que saíram falando em línguas, o fizeram de modo tão inteligível que as pessoas reconheciam que seu próprio idioma (At.2.6) os cristãos estavam anunciando as grandezas de Deus (At.2.11). Deus usou desse evento sobrenatural para anunciar a mensagem de Cristo para pessoas do mundo inteiro que estavam em Jerusalém. Em Atos 10.44, pela primeira vez um gentio de nascimento recebia o Espírito Santo. Isso, apesar de anunciado por Cristo, era inesperado pelos judeus (v.45), que passaram a entender o acontecido pelo fato de falarem em outros idiomas aqueles que haviam ouvido a proclamação do evangelho (v.46). De modo interessante, eles engrandeciam a Deus. Similarmente, em At.19.6encontramos discípulos de João recebendo o Espírito Santo, falando em outros idiomas e profetizando. Em outras palavras, a manifestação da habilidade de falar em outros idiomas serviu como confirmação do avanço do evangelho no mundo antigo.

(3) As línguas parecem ter sido um fenômeno extraordinário e não recorrente na experiência da igreja primitiva: Apesar de os primeiros cristãos falarem em outros idiomas ao receberem o Espírito Santo, o mesmo não aconteceu três mil que se converteram no mesmo dia (At.2.41), ou que se converteram com a pregação de Pedro dias depois (At.4.4), ou na ação evangelistica da igreja (At.4.31). O mesmo não aconteceu com a pregação de Filipe em At.8, nem em todas as outras pregações de Paulo no decorrer do livro. Apenas em três ocasiões tal fenômeno acompanhou a chegada do Espírito Santo. Não se pode, entretanto, afirmar que as línguas aqui eram resultado de uma segunda benção por que em todas elas, encontramos a primeira experiência dos cristãos. Ou seja, temos que admitir que falar em outros idiomas não é a característica comum do homem cheio do Espírito Santo, até por que outros homens cheios do Espírito Santo não falaram em outros idiomas.

Tendo pois observado a natureza e o resultado da Plenitude do Espírito Santo podemos concluir que a maturidade cristã à estatura de Cristo é possível apenas pela instrumentalidade do Espírito Santo. A Plenitude do Espírito como extensão prática e experiencial da salvação é então manifesta na na luta contra o pecado e a favor da expansão do Reino de Deus.

3. A instrumentalidade do Espírito Santo na Plenitude da Divindade

Uma vez que estabelecemos que o Espírito Santo como ente divino é o agente intermediário na aplicação da salvação, no desenvolvimento da santidade e ministério cristão, e que é Ele quem enche o cristão e o torna maduro no que se refere à sua luta contra o pecado e pleno no exercício do ministério, devemos finalmente nos perguntar como alcançar tal bênção. Nesse momento, temos que atentar para o verso citado no início desse post:

“Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito [λλ πληροσθε ν πνεύματι] (Ef.5.15-18)

No que se refere a esse texto e os versos subsequentes, três observações são necessárias.

Em primeiro lugar, a voz do verbo encher nesse verso foi traduzido de modo equivocado. πληροσθε é um imperativo passivo e portanto melhor traduzido pela expressão: Deixem-se encher. Nesse caso, a ênfase é completamente diferente da proposta pela tradução oferecida na citação. Ou seja, nossa participação não se encontra na realização de algum bem espiritual, mas na permissão para a abundância da manifestação do Espírito em nossas vidas. É nesse sentido que definimos a expressão dependência ativa. Não se trata de passiva expectativa de intervenção divina, mas na ativa dependência da manifestação do Espírito e suas virtudes em nossa vida.

Em segundo lugar, nesse caso, o conteúdo do enchimento não é o espírito. ν πνεύματι é meio pelo qual a plenitude pode ser alcançada e não o conteúdo do enchimento. Isso altera significativamente o sentido do verso supra-citado. Ao invés de lermos enchei-vos do Espírito, deveríamos ler deixem-se encher através do Espírito. Nesse caso, algumas definições são necessárias:

(1) Jesus Cristo é o alvo da plenitude divina: Paulo apresenta a Jesus Cristo como a medida da plenitude divina (Ef.4.13 – ες μέτρον λικίας το πληρώματος το Χριστο) e o homem perfeito (νδρα τέλειον). Isso é apenas possível pelo fato de que, em Cristo, de acordo com a vontade do Pai, residisse toda a plenitude (Cl.1.19 – πν τ πλήρωμα κατοικσαι). O pleonasmo toda plenitude é melhor explicado à frente, quando Paulo qualifica a totalidade da plenitude como sendo a totalidade plenitude de Deus (Cl.2.9 – πν τ πλήρωμα τς θεότητος). Em outras palavras, o cristão cheio do Espírito Santo será mais parecido com Cristo, pois esse é o alvo da vida cristã.

(2) Deus Pai é a fonte da plenitude divina: Quando Paulo afirma que em Cristo reside a totalidade da plenitude da divindade (τς θεότητος), o sentido expresso pode ser tanto a plenitude que pertence a Deus ou que procede de Deus. Em qualquer caso, a origem da plenitude é o próprio Pai. O cristão tem acesso ao mesmo benefício, e por meio do conhecimento do amor de Cristo, que está além das capacidades intelectuais das faculdades humanas, o cristão pode se tornar pleno da plenitude de Deus (Ef.3.19 – πληρωθτε ες πν τ πλήρωμα το Θεο). Novamente, fica claro que a plenitude ou pertence ou procede de Deus (το Θεο).

(3) O Espírito é quem realiza a mediação da plenitude divina no cristão com o objetivo de torná-lo semelhante a Cristo: Ao que tudo parece indicar, quando Paulo afirma “deixem-se encher por meio do Espírito” intenciona dizer que o cristão deve permitir a ação do Espírito Santo em torná-lo pleno da divindade para que então ele cresça em sua identidade com Cristo. Em outras palavras, O Pai é a fonte, o Filho o alvo e o Espírito o instrumento para a plenitude divina na experiência cristã.

Em terceiro lugar, os verbos subsequentes à ordem “deixem-se encher [da plenitude divina] por meio do Espírito Santo” não descrevem o modo pelo qual um cristão atinge à plenitude, como normalmente se entende o texto. Na verdade, Paulo expressa os resultados da plenitude da divindade. Ou seja, a plenitude da divindade é manifesta de quatro modos:

(1) Na alteração do modo de comunicação: Paulo nos ensina que a pessoa cheia da plenitude de Deus manifesta o caráter de Deus através do modo como se comunica. Sua linguagem é de tal forma influenciada pelas escrituras que sua fala é marcada por salmos, hinos e cânticos espirituais (v.19a).

(2) Na alteração do modo de pensar: Paulo também afirma que o cristão cheio da plenitude divina medita interiormente (τ καρδί sentido locativo) nas escrituras de modo a buscar glorificar ao Senhor (v.19b).
(3) Na manifestação da gratidão: O cristão cheio da plenitude da divindade é grato a Deus independente das situações (v.20). Veja o exemplo já mencionado de Estevão, que era capaz de oferecer perdão aos que o assassinavam pouco antes de morrer.

(4) Na rejeição do orgulho e egoísmo: Quando Paulo usa a expressão “sujeitando-vos uns aos outros” ele intenciona afirmar que no corpo de Cristo não se deve agir com partidarismo ou preferências egocêntricas (cf. Fp.2.1-4). O cristão cheio da plenitude divina sabe evitar seu próprio egoísmo pelo benefício do corpo de Cristo.

Conclusão

Diante das evidências encontradas nas escrituras, podemos afirmar seguros que a Plenitude da Divindade é um alvo para o cristão. Entretanto, tal experiência não é subsequente à salvação, como se fosse uma segunda bênção, mas na verdade é a extensão da bênção da salvação manifesta na dependência do Espírito Santo. Também se pode afirmar que a Plenitude da Divindade não é uma experiência mística, mas uma experiência relacional com a divindade por meio do Espírito Santo. É a descrição da intimidade do relacionamento cristão. Também concluímos que a fonte para tal experiência é o próprio Pai, o alvo o Filho sendo o Espírito Santo o meio pelo qual podemos desfrutar da ação divina em nós. Também concluímos que a experiência da Plenitude da Divindade leva o cristão ao ministério da expansão do Reino de Deus, à luta contra o pecado e a uma vida mais parecida com a Jesus Cristo. Os resultados da Plenitude da Divindade sempre são coerentes com o caráter moral e social da Divindade e portanto, sempre benéficos para o Corpo de Cristo. Homens e mulheres cheios do Espírito Santo são, portanto, cristãos maduros no seu relacionamento com Deus com os outros e manifestam o caráter de Deus em suas ações. São homens e mulheres comuns que experimentam o extraordinário poder de Deus através do Espírito Santo nessa vida. São pessoas como nós, mas que resolveram levar a vida com Deus à sério.

Soli Deo Gloria!

Fonte: www.napec.org