domingo, 20 de agosto de 2017

Refutação das objeções contra a guarda do domingo

Mesmo antes da Queda, Deus instituiu o descanso semanal (Gênesis 2.1-4). O sétimo dia foi observado pelo povo do Senhor mesmo antes do Sinai (Êxodo 16.23), foi incluído entre os preceitos do Decálogo como um lembrete da Criação (Êxodo 20.8-11) e da Redenção (Deuteronômio 5.12-15). O quarto mandamento foi exposto pelos profetas como um dia de descanso (Isaías 58.13-14) e o povo, após o exílio, comprometeu-se pactualmente em observá-lo (Neemias 13.15-22).

Antes da ressurreição do nosso Senhor, Jesus observou o sábado no sétimo dia (Lucas 4.16), e assim também faziam os cristãos (Lucas 23.54-56). Então, Cristo ressuscitou no primeiro dia (Marcos 16.9), fez do domingo um dia de reunião com seus discípulos (Marcos 16.9-11; Mateus 28.8-10; Lucas 24.34; Marcos 16.12-13; João 20.19-23). No domingo, Cristo abençoou seus discípulos (João 20.19), soprou sobre eles o Espírito (João 20.22), ordenou-lhes a grande comissão (João 20.21), ascendeu aos céus (João 20.17) e em um domingo derramou o Seu Espírito sobre a Igreja no Pentecostes (Atos 2.1).

Com tantas demonstrações, a Igreja entendeu que Cristo havia mudado o dia de descanso do sábado para o domingo e, então, fez do Domingo o seu dia de culto (Atos 20.6-7; 1 Coríntios 16.2). No primeiro dia da semana, Cristo entregou sua última grande revelação à Igreja que já reconhecia o domingo como o Dia do Senhor (Apocalipse 1.10). A partir de então, o domingo passou a ser recebido pelos cristãos como o “sábado cristão”, ocupando um lugar especial na fé da Igreja desde a patrística até os símbolos reformados.

Assim, é estranho que um mandamento que tenha tido lugar desde a Criação, que tenha recebido o testemunho da Lei e dos Profetas, que foi restabelecido depois do exílio, observado por Cristo e os apóstolos e que continuou a ser observado pela Igreja ao longo da História, seja hoje tão atacado e negligenciado. Os argumentos contra o Domingo são de naturezas diversas, vem de dispensacionalistas que advogam a abolição da Lei, de sabatistas que negam a mudança do sábado para o domingo e de outros que pensam ter a Igreja adotado o primeiro dia da semana como dia de culto por mera convenção. Objetaremos contra alguns argumentos que têm sido levantados contra a obrigatoriedade da guarda do Domingo:

Objeção 1: A Lei foi abolida (Efésios 2.15). Cristo cumpriu a Lei em nosso lugar, desse modo, estamos desobrigados da observância do quarto mandamento.

Resposta: É verdade que o cristão não está debaixo da Lei como um Pacto de Obras, e nesse sentido, é correto dizer que a Lei foi abolida. Mas a observância da Lei ainda é obrigatória para o cristão como um meio do qual Deus faz uso para a santificação dos seus filhos. É nesse sentido que Cristo declara que a Lei não pode ser abolida (Mateus 5.17-18) e que o apóstolo Paulo afirma expressamente que a Lei não foi anulada (Romanos 3.31). É verdade que Cristo obedeceu a Lei Moral em nosso lugar como Pacto das Obras para nossa justificação e assim nós não temos que guardar a Lei para sermos justificados (Gálatas 2.16), mas isso não significa que não estejamos obrigados a obedecer a Lei divina para nossa santificação. Além disso, a Lei da qual fala Efésios 2.15 é a Lei na forma de ordenanças e mandamentos que separava judeus e gentios, isto é, a Lei cerimonial. A Lei cerimonial do Antigo Testamento foi revogada com a morte de Cristo, mas a Lei moral permanece irrevogável.

Objeção 2: O quarto mandamento é de natureza cerimonial (Levítico 23.3) e foi abolido como as demais cerimonias do judaísmo (Colossenses 2.16-17; Gálatas 4.10).

Resposta: Embora o Antigo Testamento fale de sábados cerimoniais, que até mesmo poderiam cair em um dia que não fosse o sétimo (Levítico 23.3,11,15,16,32,38) e, ainda que o Novo Testamento ensine que esses sábados cerimoniais tenham sido abolidos juntamente com os demais dias de festividades judaicas (Colossenses 2.16-17; Gálatas 4.10), esse sábado cerimonial deve ser distinguido do sábado moral. Enquanto os sábados cerimoniais são apresentados nas Escrituras ao lado das festividades judaicas (Oséias 2.11), o sábado moral é apresentado no contexto dos mandamentos morais. Ele é incluído como um mandamento criacional e um dos princípios morais do Decálogo.

Que todos os mandamentos do Decálogo são de natureza moral, isso fica claro: (i) pela própria natureza dos mandamentos que estão gravados na consciência de todos os homens e que se manifestam em todas as culturas; (ii) porque os profetas sempre que denunciam os pecados do povo fazem isso expondo algum mandamento do Decálogo; (iii) porque Cristo resumiu a Lei Moral tendo em mente as duas tábuas do Decálogo: amar a Deus (primeiro ao quarto mandamentos) e amar ao próximo (quinto ao décimo mandamento) – Mateus 22.35-40; (iv) porque os apóstolos receberam os dois grandes mandamentos de Cristo sobre o amor como um resumo dos mandamentos do Decálogo (Romanos 13.9); (v) porque Cristo apresentou o Decálogo ao jovem rico como o código perfeito de Deus que se integralmente obedecido garantiria a posse da vida eterna (Marcos 10.17-19); (vi) porque a Igreja, iluminada pelo Espírito, em suas mais variadas vertentes, sempre recebeu o Decálogo como a exposição fiel da Lei moral de Deus, dando a ele um lugar especial em seus símbolos de fé.

Visto que o Decálogo é um resumo da Lei Moral de Deus, o quarto mandamento que ordena a guarda do sábado não pode ser um preceito cerimonial distinto dos outros nove. Além disso, o sábado foi instituído antes da Queda (Gênesis 2.1-4), antes, portanto, que se pudesse estabelecer qualquer preceito cerimonial. Sendo anterior à Queda, o sábado não pode ser da mesma natureza daqueles princípios cerimoniais que fazem parte dos rituais de expiação do Antigo Pacto. Assim, visto que o quarto mandamento é moral, sua obediência permanece obrigatória a todos os homens tanto quanto os demais mandamentos do Decálogo.

Há quem admita que o quarto mandamento seja um preceito moral e que sua observância continue em nossos dias, mas afirmam que ele não mais se refere à observância de um dia. Ensinam que cumprimos o quarto mandamento, hoje, simplesmente por descansarmos nossa salvação em Cristo ou por separarmos todos os dias um momento de descanso e dedicação a Deus. Mas se isso é assim, não haveria necessidade do quarto mandamento. Se não houvesse o quarto mandamento, a Igreja continuaria descansando sua salvação em Cristo e ainda estaria obrigada pela Lei a cultuar a Deus e repousar diariamente. Além disso, mesmo com o quarto mandamento, Israel, no Antigo Testamento, já cumpria todas essas coisas. Os cristãos do Antigo Testamento descansavam sua fé no Messias vindouro e tinham a obrigação de dedicar-se a Jeová diariamente (Salmos 1.2). Assim, se a guarda do quarto mandamento significa meramente a dedicação e o descanso diário que os cristãos sempre observaram, mesmo sob o Antigo Pacto, o quarto mandamento se tornaria supérfluo e desnecessário. No entanto, tanto a Igreja do Antigo, quanto a do Novo Pacto, ainda que observassem um descanso e devoção diários, nunca desprezaram por isso a necessidade de guardar um dia em sete para o culto e repouso solene.

Objeção 3: Romanos 14.5-6 diz que o cristão maduro não faz distinção de dias, mas considera todos os dias iguais.

Resposta: A grande questão é se os dias dos quais o apóstolo trata aqui inclui o sábado moral, ou se ele se limita a tratar da observância cerimonial dos dias judaicos. Se for o último caso, este texto está em harmonia com outros no Novo Testamento que falam da abolição dos dias cerimoniais do judaísmo (Colossenses 2.16-17; Gálatas 4.10). Mas se adotarmos a primeira interpretação, temos que admitir que o apóstolo Paulo está chamando de “fracos” aqueles que seguiam a prática comum da Igreja de dar uma consideração especial para o domingo (Atos 20.6-7; 1 Coríntios 16.2) e de considerá-lo o Dia do Senhor (Apocalipse 1.10). Como essa última interpretação é absurda, temos que concluir que a questão do quarto mandamento não é o ponto de discussão do apóstolo nesta passagem.

Objeção 4: Visto que o Novo Testamento não tem nenhum preceito explícito sobre a guarda domingo, o que permanece do quarto mandamento é a observância de um dia em sete. A Igreja, por convenção, adotou o primeiro dia da semana porque Cristo nele ressuscitou, mas poderia ter adotado qualquer outro dia se assim o quisesse.

Resposta: Com a nova administração da Aliança da Graça, alguns mandamentos, não obstante permanecessem essencialmente os mesmos, sofreram mudanças. Assim, por exemplo, embora o segundo mandamento estabelecesse o princípio regulador do culto a Deus, no Antigo Pacto ordenava-se que esse princípio fosse observado prestando a Jeová um culto que envolvia sacrifícios e rituais cerimoniais. O princípio de que o culto a Deus deveria ser regulado por Ele mesmo permaneceu inalterável, mas, na nova administração, a observância desse mesmo princípio não se dá pela prestação de um culto que siga estritamente os rituais da Lei cerimonial. A Igreja continuou observando o segundo mandamento, mas esse perdeu suas características cerimoniais e recebeu novas nuances com a nova administração. Observar o segundo mandamento segundo a antiga dispensação tornou-se até mesmo pecado.

Embora o Novo Testamento não tenha uma ordenança explícita sobre o Domingo, seu estabelecimento segue o mesmo raciocínio da passagem da circuncisão para o batismo e da páscoa para a ceia. Esses dois preceitos quando passam para o Novo Testamento, conservam uma continuidade histórica tão cristalina com sua forma anterior, que não há necessidade de um preceito que explicite isso. Não temos, por exemplo, um preceito explicitamente ordenando o batismo infantil, mas a continuidade histórica entre a circuncisão e o batismo é tão clara, que não houve necessidade de uma ordenança explícita para que o mandamento fosse recebido pela Igreja.

Desse modo, a mudança de dia foi natural. Até a ressurreição a Igreja observava o sétimo dia como seu dia de adoração e de descanso sagrado, depois da ressurreição, a Igreja passou a guardar o primeiro dia como seu dia de culto e repouso solene. O mesmo apreço que a Igreja tinha pelo sábado no Antigo Pacto passou a nutrir agora pelo Domingo na nova dispensação. A continuidade histórica era tão clara quanto aquela que estabeleceu o batismo como a circuncisão cristã e a ceia como a páscoa cristã. Desse modo, a Igreja outra coisa não fez senão receber o Domingo como o sábado cristão.

A escolha do dia não foi efetuada por mera convenção. Foi Deus quem estabeleceu, desde cedo, não só o princípio do repouso semanal, mas também em qual dia esse descanso havia de ser realizado. Lemos desde o princípio que Deus santificou o sétimo dia (Gênesis 2.2-3). Na nova administração permanece o mesmo princípio, cabe a Deus estabelecer o dia em que Ele quer ser especialmente cultuado. Foi Cristo quem ressuscitou no Domingo, foi Ele quem derramou o Espírito Santo sobre a Igreja em um Domingo e foi o mesmo Cristo quem descortinou sua revelação final à Igreja em um Domingo (Apocalipse 1.10). Logo, foi Cristo quem efetuou a mudança do sábado para o Domingo.

A própria Escritura estabelece o Domingo como o dia de guarda quando o chama de “o Dia do Senhor”. Que Apocalipse 1.10 se refere ao Domingo, e não ao Dia do Senhor escatológico, fica claro: (i) porque contexto está dando informações sobre onde (“na ilha de Patmos” v.9), como (“em espírito” v.10) e quando (“no dia do Senhor”) o apóstolo recebeu a revelação;  (ii) porque a expressão usada no grego “κυριακ
μέρ é distinta daquela usada no Novo Testamento para o dia escatológico, a saber, μέρα Κυρίου/Ημέρα του Κυρίου”; (iii) porque a expressão dia senhorial foi usada como contraposição aos dias de culto ao Imperador, de modo que assim como os pagãos tinham um dia de culto ao Kyrios-Imperador, os cristãos tinham um dia de culto ao seu Senhor, isto é, o Domingo (Atos 20.6-7); (iv) porque o Apocalipse de João foi escrito no final do primeiro século quando a guarda do Domingo já estava mais estabelecida na Igreja e (v) porque a partir da metade do segundo século, pouco depois da escrita do Apocalipse, já encontramos testemunhos históricos de que a Igreja observava o Domingo como o dia do Senhor.

Assim, sendo que a Escritura diz que é Deus quem especifica o dia de guarda, que foi Cristo quem efetuou a mudança do sábado para o Domingo e visto que o Novo Testamento declara expressamente que o Domingo é o Dia do Senhor, somos proibidos de dizer que o dia específico de culto ao Senhor pode ser estabelecido por convenção. O Deus que pelo princípio regulador do culto estabelece como deve ser adorado, também é Aquele que tem a prerrogativa de instituir o dia de culto.

Objeção 5: A mudança do Sábado para o Domingo foi efetuada por Constantino no quarto século.

Resposta: Além dos argumentos precedentes que provam que o Domingo é o dia do Senhor conforme as Escrituras, podemos citar evidências históricas da patrística que provam que o primeiro dia da semana é reconhecido pela Igreja como o sábado cristão mesmo antes de Constantino¹:
A Epístola de Barnabé (cerca de 100 dC) - Portanto, também nós mantemos o oitavo dia com alegria, o dia também em que Jesus ressuscitou dos mortos”.
A Epístola de Inácio (cerca de 107 dC) - “Não vos enganeis com estranhas doutrinas, nem com as fábulas antigas, que não são proveitosas. Porque, se nós ainda vivemos segundo a Lei Judaica, nós reconhecemos que não temos recebido Graça... Portanto, aqueles que foram educados na antiga ordem das coisas vieram à posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado, mas vivendo na observância da Dia do Senhor, em que também a nossa vida surgiu novamente por Ele e por Sua morte”.
Justino Mártir (cerca de 140 dC) - “E no dia chamado domingo todos os que vivem nas cidades ou no campo se reúnem em um só lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos. ... Mas o Domingo é o dia em que todos têm uma assembleia em comum, porque é primeiro dia da semana em que Deus ... fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador no mesmo dia ressuscitou dos mortos ".
Bardesanes, Edessa (180 dC) - “No primeiro da semana, nós nos reunimos juntos, em assembleia”.
Clemente de Alexandria (194 dC) - “Ele, em cumprimento do preceito, segundo o evangelho, mantém o Dia do Senhor ... glorificando ao Senhor pela Sua ressurreição”.
Tertuliano (200 dC) - Nós tornamos solene o dia depois do sábado, em contradição com aqueles que chamam este dia o seu sábado”.
Irineu (cerca 155-202 dC) - “O mistério da ressurreição do Senhor não pode ser comemorado em qualquer dia senão no Dia do Senhor, e somente nele devemos observar o descanso da festa de Páscoa”.
Cipriano (250 dC) - “O oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o sábado, é o Dia do Senhor ”.
Anatólio (AD 270) - “Nossa preocupação com a ressurreição do Senhor, que teve lugar no Dia do Senhor nos levará a celebrá-lo”.
Pedro, Bispo de Alexandria (306 dC) - Mas o Dia do Senhor, nós celebramos como um dia de alegria, porque nele, Ele [o Senhor] ressuscitou”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Aqueles que desprezam a guarda do quarto mandamento, não observando o primeiro dia da semana, estão transgredindo os santos mandamentos de Deus. Devemos defender o Domingo como o dia no qual a Igreja observa o quarto mandamento, mas não só isso, devemos observá-lo como dia de culto e descanso solene. Benditos sejam aqueles que observam o sábado cristão e não profanam o santo dia do Senhor: “Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto: que se abstém de profanar o sábado, e guarda a sua mão de cometer o mal.” - Isaías 56.2.



Notas:
[1] O Sábado foi primeiramente dado a Israel, e é o Sinal de Deus para Israel – David Cloud. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/Seitas/SabadoPrimeiramenteDadoAIsrael.EhSinalDeusPIsrael-DCloud.htm



Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

E O "ANJO DE JEOVÁ"?

Outra importante informação escriturística acerca da Deidade de Cristo e Sua identificação como Jeová nos é dada no fato de encontrarmos uma distinção entre Jeová  e o Anjo de Jeová, Que se apresenta como Um em essência, PORÉM DISTINTO DELE. São manifestações teofânicas, nas quais Deus assume forma de um anjo ou de um homem, com títulos divinos, aceitando adoração. Ora é "anjo", ora "Anjo de Jeová", ou "varão", "Anjo da Presença", "servo", mas que Se confunde com o próprio Deus. Não vamos citar todas as ocorrências bíblicas, porque são muitas, mas apenas algumas delas para ilustrar a tese:

a) A aparição a Agar
Gên. 16:7, 9, 10, 11 e 13: "O ANJO DE JEOVÁ achou-se junto a uma fonte. (...) Disse-lhe o ANJO DE JEOVÁ: Volta para a tua senhora. (...) Disse-lhe mais o ANJO DE JEOVÁ: Multiplicarei sobremaneira a tua descendência. (...) Disse-lhe ainda mais o ANJO DE JEOVÁ: Eis que concebeste e darás à luz um filho (...) porque JEOVÁ ouviu a tua aflição. Então [ela] chamou a JEOVÁ QUE LHE FALAVA: Tu és Deus [Elohim] que vê".
Vemos que "Anjo de Jeová" é mencionada 4 vezes; no verso 11 chama-se "Jeová", e no verso 13 é "Jeová que lhe falava", e finalmente a mesma entidade é DEUS. Não se tratava de um anjo qualquer, pois a linguagem e os atributos não são de um mero anjo.

b) Gên. 22:11 e 12: "(...) bradou-lhe da céu o ANJO DE JEOVÁ: Abraão! Abraão!" A seguir o ANJO Se chama a Si mesmo Deus, ao dizer: "Agora sei que temes a DEUS e não ME negaste o teu filho.

c) Gên. 48:15 e 16: "(Jacó) abençoou a José, dizendo: o DEUS diante de quem andaram meus pais Abraão e Isaque (...) o ANJO que me tem livrado do mal ABENÇOE estes mancebos".
Nota: O "Deus de Abraão, Isaque e Jacó" é JEOVA. Prova: Êxo. 3:15.

d) Êxo. 3:2, 4, 6, 14: "Apareceu-lhe o ANJO DE JEOVÁ numa chama de fogo, no meio de uma sarça. (...) Vendo JEOVÁ que ele [Moisés] se voltou (...) Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. (...) Assim dirás aos filhos de Israel: "o EU SOU enviou-Me a vós". E em todo a capítulo 4, chama-se JEOVÁ o anjo.

e) Juízes 6:12, 14, 16, 21, 22 e 23: "Então lhe apareceu o ANJO DE JEOVÁ e lhe disse. ( ..) Virou-se para ele JEOVÁ e disse (...) Tornou-lhe JEOVÁ: 'Certamente serei contigo'. (...) (...) e o ANJO DE JEOVÁ desapareceu-lhe dos olhos. (...) vi a ANJO DE JEOVÁ face a face. (...) Disse-lhe JEOVÁ (...) Não morrerás".
f) Em Atos 7:38, o ANJO foi quem, no monte Sinai, deu a Moisés Os oráculos divinos contidos na Lei.

Diz L. Boettner:
"À luz do Novo Testamento, este Anjo de Jeová que apareceu nos tempos do Velho Testamento, que falou como Jeová, exercia o Seu poder, recebia adoração e tinha autoridade para perdoar pecados não podia ser senão o Senhor Jesus Cristo, que:
1. Veio do Pai. João 16:18.
2. Fala por Ele. João 3:34; 14:24.
3. Exerce o Seu poder. Mat. 28:18.
4. Perdoa pecados. Mat. 9:2.
5. Recebe adoração. Mat. 14:33; S. João 9:38.
E ainda mais essas razões:
a)   Deus, o Pai, não foi vista por alguém. S. João 1:18.
b)  Deus não podia ser enviado por nenhum outro, mas Deus o Filho foi visto. I João 1:1 e 2.
c)   o Filho foi enviado. João 5:36.
Se o Anjo não fosse Cristo, então a pergunta: "quem será este Personagem misterioso, 'o Anjo', não teria resposta".

Este Anjo de Jeová não era outro senão o Filho de Deus, único Mediador entre Deus e os homens!


Extraído do Livro Radiografia do Jeovismo. Uma avaliação do Sistema Denominado “Testemunhas de Jeová”, autor: Arnaldo B Christianini, paginas 74 a 75.

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

O que não é o Testemunho do Espírito

“…Muitas pessoas confundem esse novo sentido espiritual com a imaginação, porém é bem diferente da imaginação. Imaginação é uma habilidade comum a todos; permite que tenhamos ideias de paisagens, sons, aromas e outras coisas usando estas não estão presentes. Ainda assim, as pessoas confundem imaginação com o sentido espiritual do seguinte modo: algumas pessoas têm ideias duma luz brilhante imprimida em suas imaginações. Elas chamam a isso de revelação espiritual da glória de Deus; outras têm ideias vigorosas de Cristo pendurado e sangrando na cruz; chamam a isso de visão espiritual de Cristo crucificado; alguns vêem Cristo sorrindo para eles, com Seus braços abertos para abraçá-los; chamam a isso de revelação da graça e do amor de Cristo; alguns têm ideias vívidas do céu, de Cristo ali em Seu trono e brilhantes hostes de anjos e santos; chamam a isso de visão do céu aberto para eles; outros têm ideias de sons e vozes, talvez citando as Escrituras para eles; chamam a isso de ouvir a voz de Cristo em seus corações, ou ter o testemunho do Espírito Santo.

Estas experiências, entretanto, não têm nelas nenhuma coisa de espiritual ou divina. São simplesmente ideias imaginárias ou coisas externas – uma luz, um homem, uma cruz, um trono, uma voz. Essas ideias imaginárias não são espirituais em sua natureza; um homem natural pode ter ideias vivas de formas e cores e sons. A ideia imaginária dum brilho externo e da glória de Deus não é melhor do que a ideia que milhões de incrédulos condenados receberão da glória externa de Cristo no dia do Juízo Final. Uma imagem mental de Cristo pendurado numa cruz não é melhor que aquilo que os judeus não espirituais tiveram, quando ficaram em volta da cruz e viram a Jesus com seus olhos físicos. Pensem sobre isso. Acaso o quadro de Jesus na imaginação seria melhor que a ideia que os católicos romanos conseguem ter de Cristo com suas pinturas e estátuas idólatras dEle? E seriam as emoções inspiradas por essas ideias imaginárias melhores que aquelas que os católicos ignorantes sentem quando adoram essas pinturas e estátuas?

Essas ideias imaginárias estão tão longe de ter natureza espiritual que satanás pode facilmente produzi-las. Se ele pode sugerir pensamentos aos homens, pode também sugerir imagens. Sabemos pelo Velho Testamento que falsos profetas tinham sonhos e visões vindo de falsos espíritos. Vejam Dt. 13:1-3; 1 Re 22:21-23; Is. 28:7;Ez. 13:l-9;Zc. 13:2-4.E, se satanás pode imprimir essas idéias imaginárias na mente, então as mesmas não podem ser evidência da obra de Deus.”…


Por: Jonathan Edwards]


Fonte: https://iprbsp.com

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domingo, 13 de agosto de 2017

O Testemunho do Espírito Santo

“…Este é um bom lugar para dizer algo sobre o testemunho ao nosso espírito, pelo Espírito Santo, de que somos filhos de Deus (Rm. 8:16). Muitos não compreendem isso, pelo que tenho percebido. Pensam que o testemunho do Espírito é uma revelação imediata do fato de que são filhos adotados de Deus. É como se Deus falasse ao íntimo deles, por um tipo de voz ou impressão secreta, assegurando-lhes que Ele é seu Pai.

É a palavra “testemunho” que engana essas pessoas a ponto de pensarem assim. Quando as Escrituras dizem que Deus “testifica com o nosso espírito”, elas supõem que deve significar que Deus assegura ou revela a verdade diretamente. Um olhar mais cuidadoso às Escrituras mostra que isso não é correto. Por “ser testemunha” ou “testificar”, o Novo Testamento muitas vezes quer dizer apresentar evidência da qual algo pode ser provado como sendo verdade. Por exemplo, em Hb 2:4 lemos: “dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuição do Espírito Santo segundo a Sua vontade.” Esses sinais, maravilhas, milagres e dons são chamados “testemunho de Deus”, não por serem assertivas, mas por serem evidências e provas. De novo, temos 1 Jo. 5:8, quando João chama “a água e o sangue” de testemunha. A água e o sangue não afirmam coisa alguma, porém foram evidências. Mais uma vez, a obra da providência de Deus nas estações de chuva e frutos são “testemunho” da bondade de Deus, isto é, são evidências dessas coisas (At 14:17).

Quando Paulo fala do Espírito Santo testificando com o nosso espírito que somos filhos de Deus, não quer dizer que o Espírito nos faz alguma sugestão ou revelação sobrenatural. Os versículos anteriores mostram o que Paulo quer dizer: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito da escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm. 8:14-16). Isso significa que o Espírito Santo nos dá evidência de que somos filhos de Deus, por habitar em nós, dirigindo-nos e inclinando-nos a um comportamento para com Deus, tal como filhos para com um pai.

Paulo fala de dois espíritos, o espírito de escravidão, que é o medo; e o espírito de adoção, que é o amor. O espírito de escravidão opera pelo medo; o escravo teme a punição, entretanto o amor clama “Aba, Pai!” e permite que um homem vá até Deus e se comporte como filho dEle. Nesse amor filial por Deus, o crente vê e sente a união de sua alma com Ele. A partir disso tem segurança de ser filho de Deus. Assim, o testemunho do Espírito Santo não se trata de um sussurro espiritual ou revelação imediata. É o efeito santo do Espírito de Deus nos corações dos crentes, levando-os a amar a Deus, odiar o pecado e buscar a santidade. Ou, como Paulo o coloca: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis.” (Rm. 8:13).

Quando Paulo diz que o Espírito Santo testifica com nosso espírito, não quer dizer que hajam duas testemunhas separadas e independentes. Quer dizer que recebemos pelo nosso espírito o testemunho do Espírito de Deus. Isto é, nosso espírito vê e declara a evidência de nossa adoção produzida pelo Espírito Santo em nós. Nosso espírito é a parte de nós que as Escrituras chamam, em outro lugar, de o coração (1 Jo. 3: 19-21) e de a consciência (2 Co 1:12).

Dano terrível tem resultado do pensamento que o testemunho do Espírito Santo seja um tipo de voz interna, sugestão, ou declaração de Deus para um homem que ele é amado, perdoado, eleito, etc. Quantas emoções vigorosas, porém falsas, resultaram dessa ilusão! Receio que multidões tenham ido para o inferno iludidas por elas.”…

Por: Jonathan Edwards]


Fonte: https://iprbsp.com
Imagem: Google

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Ao Cometer Suicídio, o Cristão Perde a Salvação?

Esse tem sido um dos temas mais controversos ao longo dos anos, e que lamentavelmente muitos têm respondido de uma maneira emocional e não através da análise bíblica. Aqueles de nós que crescemos no catolicismo sempre ouvimos que o suicídio é um pecado mortal que irremediavelmente envia a pessoa para o inferno. Para muitos que têm crescido com essa posição, é impossível despojar-se dessa ideia.

Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação.
Em essência temos, então, quatro posições:

1.  Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).

2.  Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.


3.  Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.

4.  Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação.

A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.

No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz?

Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:

·         O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.

·         O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.

·         O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.

·         De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.

·         O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18)

·         O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30)

A salvação e o ato do suicídio

Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.

Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.

Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.

Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.

Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado. A resposta para essa pergunta é evidente: Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.
A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara em Romanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, e Filipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

·         Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?

·         Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?

·         Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?

·         Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?

·         Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?

·         Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.

·         Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.

Nota do Editor: Se não vou perder a salvação, posso me suicidar?

Diversas pessoas têm questionado se este artigo não incentivaria o suicídio. Se você é alguém que tem considerado esse terrível mal, considere antes o seguinte: o suicídio é um pecado gravíssimo que deve levantar a questão se a pessoa é realmente salva.

Se por um lado não se tem como afirmar biblicamente que o suicida perde a salvação, por outro pode-se levantar a questão se essa pessoa foi sequer um dia verdadeiramente salva.

O artigo ressalta esse ponto: “Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.”

Assim, mais do que a busca por aliviar seu sofrimento, o suicídio é uma afronta contra Deus, pois ele é o doador da vida, e só ele pode tirá-la. A pessoa que comete tal atentado contra a vida que Deus lhe deu está cometendo um terrível pecado.

Então, não presuma a graça de Deus. Não comenta o erro que o apóstolo Paulo condena em Romanos 6: a ideia de que por que Deus é gracioso podemos continuar pecando. A graça de Deus deve levá-lo à esperança que há em Cristo. Se você é, de fato, um cristão, lembre-se do enorme e imerecido amor que ele demonstrou na cruz por você. Arrependa-se do seu pecado e permaneça no amor do Pai.

Por: Miguel Núñez



Fonte: http://defesaapologetica.blogspot.com.br

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

10 VERSÍCULOS BÍBLICOS CONTRA A TRINDADE - SERÁ?

Por Bruno Queiroz

Muitas objeções têm sido levantadas contra o ensino bíblico da Santíssima Trindade, algumas delas apelam para textos da Bíblia que supostamente ensinariam que Deus não é trino, que Jesus é inferior ao Pai e que o Espírito Santo é o poder de Deus em ação. Tratemos dessas passagens:

 1: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. ” - Deuteronômio 6:4
       Segundo este versículo Deus é Um e não Três. De fato, o texto ensina que há um só Deus e que Deus é um só. Mas é exatamente nisso que creem os trinitários. Temos o cuidado de distinguir as “pessoalidades” da “natureza”. Deus é Três apenas em relação às pessoalidades, no entanto em relação a natureza Deus é absolutamente Um, uma unidade absoluta, não composta por partes, nem dividida entre três pessoas. É falsa a ideia que se propaga por aí de que os trinitários negam que há um só Deus e que Deus é um só. A doutrina da Trindade entende que só existe um único Ser que possui natureza divina e que essa natureza é uma unidade absolutamente simples.

 2: “O Senhor me criou, como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da terra. ” -Provérbios 8:22
       Alega-se que a Sabedoria Personificada neste texto seja Jesus, que apresenta-se como a primeira criatura de Jeová. No entanto lendo o contexto (Provérbios 8 – 9) fica claro que não se pode aplicar todas as propriedades da Sabedoria personificada a Jesus: “A personificação do divino atributo da sabedoria começa no capítulo 1: “Grita na rua a sabedoria, nas praças levanta a sua voz” (v. 20). No capítulo 3, é-nos dito que ela “mais preciosa é do que pérolas” e “os seus caminhos são... paz” (vs. 15 e 17). No capítulo 7 ela é chamada “irmã” (7:4); e no capítulo 8, a sabedoria mora junto com a prudência (8:12).”1 Provérbios 9 ainda diz que a Sabedoria construiu uma casa, ergueu sete colunas, matou animais e preparou uma refeição (vv.1-2). Com isso não se nega que o texto se aplique homileticamente a Jesus, o que se está em questão é que como o texto faz uso de uma figura de linguagem, alguns elementos são puramente metafóricos e aplicam-se apenas a uma personificação de uma manifestação específica de um atributo divino. Isso também fica claro pelo fato da Sabedoria de Deus não poder ter sido criada, pelo contrário a sabedoria é um atributo eterno de Deus (cf. Isaías 40.28). Desse modo, o texto pode estar apenas apresentando “uma manifestação específica da eterna sabedoria de Deus em Cristo na obra da criação” 2. O texto também não indica necessariamente que a Sabedoria foi criada, de acordo com o teólogo Wayne Grudem: “A palavra hebraica que geralmente significa "criar" (bãrã') não é usada no versículo 22; a palavra é qãnãh, que ocorre oitenta e quatro vezes no Antigo Testamento e quase sempre significa "obter, adquirir". A Almeida Revista e Atualizada é mais clara aqui: "O Senhor me possuía no início de sua obra" (Semelhante Á Versão King James; repare esse sentido da palavra em Gn 39.1; Ex 21.2; Pv 4.5, 7; 23.23; Ec 2.7; Is 1.3["possuidor"]. trata-se de um sentido legítimo e, se a sabedoria for compreendida como uma pessoa real, significaria apenas que Deus Pai começou a dirigir e a fazer uso da potente ação criadora de Deus Filho no momento do início da Criação: o Pai convocou o Filho a trabalhar com ele na obra da criação. A palavra "gerado" nos versículos 24 e 25 é um termo diferente, mas poderia carregar significado semelhante: o Pai começa a dirigir e a fazer uso da potente ação criadora do Filho na criação do universo.”3

 3: “Mas tu, Belém-Efrata, embora sejas pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos. ” - Miquéias 5:2
       Esse texto claramente mostra Jesus como tendo uma origem antiga, num passado distante – indica isso que ele foi criado a muito tempo? Algumas traduções sugerem que o texto esteja dizendo que o menino Jesus que nasceria em Belém teria uma origem genealógica que remontaria a tempos antigos. No Evangelho de Lucas a genealogia do menino Jesus vai até Adão e Deus (Lucas 3.23-38). Assim Miqueias 5.2 pode perfeitamente estar se referindo às origens humanas, isto é genealógicas de Jesus, já que o texto fala do nascimento dele em Belém.A Tradução Interconfessional mostra o sentido genealógico: "ele descende duma família, cuja origem vem dos tempos mais antigos." Esse sentido é fortalecido pelo contexto que fala de nascimento (v.3). Assim é provável que o texto fale da origem genealógica de Jesus, que é descendente de Davi. Essa interpretação é ainda mais reforçada pelo fato do texto apresentá-lo como aquele "que será governante em Israel" (v.2). Apesar disso, alguns têm entendido essa passagem como uma referência à geração eterna do Filho.

 4: “Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. ” - Mateus 19:17
       Está aqui Jesus negando ser o Bom Deus? De forma alguma! Ele apenas convida o jovem rico a pensar nas implicações de suas palavras. “Em resposta, temos de observar que aqui Jesus não negou que Ele fosse Deus, Ele lhe pediu que examinasse as implicações do que estava dizendo. Jesus estava lhe dizendo: ‘Percebes o que estás dizendo quando me chamas de bom? Percebes que isto é algo que tu deves atribuir somente a Deus? Tu estás dizendo que sou Deus? ’ O jovem não percebeu as implicações do que ele estava dizendo. Portanto, Jesus forçou-o a um dilema incômodo. Ou Jesus era bom e era Deus, ou então ele era ruim e era homem. Um Deus bom ou um homem ruim, mas não um homem bom”4

 5: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. ” - Mateus 24:36
       De acordo com esse texto nem o Filho, nem o Espírito Santo sabem a data do fim deste sistema de coisas – como podem então os três serem o mesmo Deus Onisciente? Só precisamos entender essa passagem a luz do seu contexto histórico: “Na cultura Judaica antigas, o casamento era quase sempre arranjado. Depois do casamento ter sido arranjado, o noivo fazia os preparativos na casa de seu pai, onde ele e sua esposa iriam viver. O costume dizia que o pai do noivo iria decidir quando os preparativos estavam terminados e a casa pronta para o jovem casal se mudar para la. O que significa que apenas o pai sabia quando seria o tempo do noivo se juntar a sua noiva. Mas isso não significa que o noivo não sabia o tempo certo. O casamento era um grande evento na época, bem maior do que atualmente, era um grande evento em comunidade. Isso significa que as pessoas tinham que se preparar antecipadamente para o evento, e reservar um tempo de seu trabalho diário. O dia tem que ser conhecido semanas antes, para que as pessoas pudessem ajustar seus horários para o casamento. Preparativos, como reserva de comida, também tinha que ser preparado com antecedência, já que não havia refrigeração ou supermercado. Todos sabiam quando o casamento estava chegando, no entanto, era costume em respeito ao pai e ao noivo dizer que apenas o pai sabia quando o noivo ficaria com sua noiva. Com isso em mente, um novo entendimento de Marcos 13.32 e Mateus 24.36 aparece. Jesus não estava dizendo que ele e o Espírito Santo não sabiam quando os eventos de sua volta aconteceriam, estava explicando com o que a tribulação seria parecida. Onde todos sabiam o tempo do casamento, mas apenas o Pai diria quando aconteceria”Também é admissível a interpretação que vê neste texto um contraste entre a natureza humana limitada de Jesus (“o Filho do Homem”v.37) e a natureza divina ilimitada do Onisciente (“o Pai”v.36).

 6: “Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês. Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. ” - João 14:28
      Como o Filho e o Pai podem ser iguais em essência, se Jesus disse que o Pai é maior que Ele?  É importante distinguir ontologia de economia quando se lê esse e outros textos similares. Jesus é igual ao Pai em natureza, mas menor que Ele em função. O apóstolo Paulo esclarece isso melhor: “... [Jesus] sendo Deus, não considerou usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo e tornando-se semelhante aos homens. ” (Fp2.6-7). Mesmo tendo o direito de ser igual a Deus, tanto essencialmente quanto funcionalmente, o Filho decidiu cumprir a humilde função de Servo (Isaías 42.1), se tornando, até mesmo, menor do que os discípulos (Lucas 22.26-27). O Servo de Jeová exerceu o papel de Filho obediente (Hebreus 5.8; Filipenses 2.8) enviado pelo Pai (João 8.42; 12.49; 17.3).  Como Homem limitado se fez instrumento nas mãos de Deus, o Pai (Jo5.19). E nessa posição pode chamar o Pai de seu Deus (Jo20.17). Tal submissão não se restringiu ao ministério terreno de Cristo: “Mas quando tudo for dominado por Cristo, então o próprio Cristo que é o Filho, se colocará debaixo do domínio de Deus, que pôs todas as coisas debaixo do domínio dele. Então Deus reinará completamente sobre tudo.” (1Coríntios 15.28). “Jesus lhes disse: ‘Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai. ’” (Mateus 20:23).

 7: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. ” - João 17:3
       Ensina esse texto que só o Pai é Deus, e portanto o Filho e o Espírito Santo não são Deus? Não, a Bíblia também diz que só Jesus é Mestre, Senhor e Soberano (Mateus 23.8, 10; 1 Coríntios 8.6; Judas 1.4), significa isso que o Pai não é Mestre, Senhor nem Soberano? Não, antes que tanto o Pai, como o Filho como o Espírito Santo são um Deus Único.

 8: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. ” - Atos 2:4
       A Bíblia fala do Espírito Santo como sendo “derramado” e como algo que “enche” as pessoas – como ele pode então possuir pessoalidade? O livro de Atos claramente apresenta o Espírito Santo como uma Pessoa divina (Atos 1.16; 13.2; 15.28; 20.28; 21.11; 28.25). Uma leitura desses textos deixa evidente que eles tratam de relações interpessoais reais, e não de meras personificações. Pode-se facilmente perceber que expressões “derramar”, “encher” e “ungir” são necessariamente figuradas quando aplicadas ao Espírito Santo. Ora, nem se crêssemos em sua impessoalidade poderíamos literalizar essas expressões, e assim são injustos aqueles que recorrem a essas expressões para despersonalizar o Santo Espírito. Por outro lado insistir que em Atos, numa narrativa histórica de inter-relação pessoal clara, devemos tomar o Espírito como personificado, é no mínimo absurdo.

 9: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” - Colossenses 1:15
       “O termo ‘Primogênito’ é um título, e não se refere a origem, mas sim a posição de Jesus, como Rei Soberano da Criação. Primogênito em Jesus significa ‘Soberano’, como mostra Salmos 89.27, em que Davi tipifica a Jesus como o Rei dos reis: ‘E eu farei dele o primogênito, O maior dos reis da terra. ’”Note que Davi não 'nasceu' primogenito, mas sim que ele se 'tornaria' por ocupar uma posição de rei supremo. O próprio contexto favorece o sentido posicional para Cristo (v.18). A Bíblia claramente mostra Jesus como Eterno: Aquele que é antes de toda a Criação, inclusive do tempo, sendo portanto Atemporal (Eterno) (João1.3; Colossenses 1.16-17). Ele é chamado de "o Primeiro e o Último" (Apocalipse 1.17), expressão baseada em Isaías 44.6 que usa o termo para significar que só Jeová é o Deus Eterno.

 10: “E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”- Apocalipse 3:14
       Jesus é chamado de o Princípio da Criação de Deus, significa isso que Ele é a primeira criatura? Não, isso simplesmente significa que é em Jesus que todas as coisas criadas encontram seu Princípio. Mesmo o Pai é chamado de “o Princípio” em sentido semelhante (Apocalipse 21.6).

FONTE: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/01/10-versiculos-biblicos-contra-trindade.html

4Geisler, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus

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