sexta-feira, 26 de maio de 2017

O papel do filho na família da aliança

Sempre quando tratamos sobre o papel da família, geralmente, focamos nossos olhares para o pai e a mãe, para a função do esposo e da esposa, mas nunca olhamos diretamente para a função dos filhos.
Quando se trata de filhos e família sempre analisamos algumas passagens, como Romanos 1.28-32 e 2Timoteo 3.1-5, as quais nos falam que uma das características de uma sociedade perversa e longe de Deus é o fato dos filhos serem desobedientes aos pais.
E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.” Rm 1.28-32 (Negrito acrescentado). 

E, também, como mostra Paulo ao jovem pastor Timóteo:
Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. (2Tm 3.1-5. Negrito  acrescentado). 

Em 2015, no aeroporto de Brasília, um voo atrasou cerca de 45 minutos porque uma criança se recusou a colocar o cinto de segurança. Uma criança, que não é dona do seu próprio nariz, fazer com que centenas de pessoas fiquem “reféns” por causa de uma birra é dar o poder à criança que não lhe pertence.

Há meios que contribuem para que ocorram esses desvios. Por exemplo, alguns métodos de ensino entendem que as crianças são uma tabula rasa as quais não precisam de professores, mas de educadores.
Outro meio que atrapalha na relação de pais e filhos é a intervenção do Estado. Devemos entender uma coisa, quando o Estado decidiu intervir na criação dos pais e filhos, a priori, o Estado estava tentando prevenir que as nossas crianças não sofram com espancamentos. No entanto, a sua intervenção foi além dos limites criando a “lei da palmada”, contrariando assim diversas passagens que falam da correção aplicada aos filhos (Pv. 13.24; 22.15; 23.13, 14; 29.15).

E, por fim, outra maneira que atrapalha o desenvolvimento das crianças é a adultização delas com algumas responsabilidades impostas, nas quais não pertencem a elas. E isso nós podemos ver em alguns filmes infantis. Por exemplo, Caçadores de Trolls. Um seriado fala sobre um garoto (Jim, de 15 anos) que é criado por uma mãe médica solteira que recebe uma convocação para se tornar um guerreiro, um caçador de Trolls. No entanto, mesmo que o filme foque no desenvolvimento heroico do garoto, há cenas claras de uma mãe que trabalha 24 horas por dia, mas quem cuida da casa é o garoto.
Há uma enorme diferença entre um adolescente ajudar seus pais e um adolescente desenvolver responsabilidades de um adulto, as quais podem atrapalhar em sua vida, em um todo. Se nós prestarmos atenção, nesses últimos anos houve um surgimento de filmes em que os principais atores são crianças e eles carregam a responsabilidade de “salvar o mundo”, como os filmes: Como treinar o seu dragão (uma animação infantil que mostra um adolescente contrariando a vontade do pai – um matador de dragão – que vira amigo de um dragão e ensina ao pai como viver com o diferente e como ser um verdadeiro guerreiro); e o Hotel Transilvânia (outra animação infantil que mostra o Conde Drácula pai de uma adolescente que se apaixona por um humano contrariando a vontade do pai, mas no final a filha mostra como o pai pode viver mesmo com o contrário).

No entanto, o apóstolo Paulo, indo ao contrário daquilo que o mundo diz, mostra que há um caminho mais do que excelente: A Palavra de Deus.
Em Efésios 6.1-3 podemos ver o texto assim: A quem o filho deve obedecer (v.1); Como o filho deve obedecer (v.2) e; Por que o filho deve obedecer (v.3).
A quem o filho deve obedecer – 6.1
Parece estranho fazer tal afirmativa – de que os filhos devem obedecer seus pais -, mas não é.

Quando olhamos para a Lei de Deus, vemos que ela pode ser dividida em duas tábuas: A primeira relaciona-se com Deus e a segunda se relaciona com o próximo. E o mandamento que abre a segunda tábua é justamente o que Paulo tem em mente: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.” (Êx 20.12).

Obedecer significa colocar-se debaixo da voz de alguém, dar ouvidos. Mas esse “dar ouvidos” não é como uma obrigação cega, e sim, com respeito a fim de considerá-los e até, no futuro, sustentá-los. Obedecer no Senhor não se aplica somente se o pais são crentes ou não, significa que Deus está ordenando. Em Colossenses 3.20 podemos ver uma explicação a isso: “é grato diante do Senhor”, ou seja, faz parte de nossa devoção a Deus sermos obedientes aos nossos pais. Basta ver Lv 19.2,3a, o texto mostra que a relação de santidade ao Senhor está, também, relacionada ao fato de os filhos obedecerem seus pais.
Portanto, um filho que diz que serve ao Senhor e não obedece a seus pais, ele, na verdade, não ama a Deus e nunca obedecerá a nenhum superior. E ai nós podemos entender o porquê dos filhos viverem em pé de guerra com seus pais, não é porque os pais são quadrados ou retrógrados, mas porque os filhos não vivem em devoção a Deus, possuem uma comunhão prejudicada com o Senhor. 
Como o filho deve obedecer – 6.2
A forma que a Bíblia coloca de como os pais devem ser obedecidos é através de honra (reverência). Enquanto alguns filhos têm rancor, raiva, não perdoam e desonram seus pais, aquele que serve ao Senhor devem honrar e amar a seus pais.

Devemos entender uma coisa, entre os mandamentos qual a diferença de desobedecer a Deus com desonras e idolatrias e o pecado de desonrar os pais? Nenhuma! Filhos que desobedecem aos pais, não obedecem outras pessoas. Filhos que não honram seus pais, não honram a Deus. A palavra “honra” (Êx. 20.12) é a mesma utilizada em algumas passagens para falar da honra que o povo eleito deve dar a Deus (cf. 1Sm 2.30 [honrar]; Sl 22.23 [reverenciar]; Pv 3.9 [honrar]; Is 24.15 [glorificar]).
É o primeiro mandamento como promessa, pode-se entender a primeira promessa da segunda tábua dos dez mandamentos. Deus promete abençoar aqueles que honram, respeitam e amam a seus pais.
Por que o filho deve obedecer? – 6.3
A promessa para aqueles que honram seus pais é: “Para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.

Aqui não devemos entender que os filhos que honram e amam seus pais terão vinda longa ou serão bem-sucedidos, mas que a vida em sociedade será bem e longa. Ou seja, uma sociedade bem fundamentada começa com uma família que serve e ama ao Senhor.
Mas podemos entender esse “para que te vá bem, e seja de longa vida sobre terra” de uma outra maneira. Pois, se olharmos para Êx. 20.12 veremos que Paulo não usa o mesmo tom da promessa que Moisés relata: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êx. 20.12). Veja que o texto se refere à terra que o povo estava prestes a possuir, e Paulo não menciona isso.

Quando olhamos para um dos temas principais de Efésios - que é o tema da “nova criação” (Ef 2.15; 3.9; 4.13, 24) -, podemos entender que a ideia da nova criação esteja por detrás do pensamento do apóstolo, como mostra Frank S. Thielman: 
“Os filhos cuja obediência aos pais tem origem no compromisso com 'o Senhor' (6.1) viverão eternamente, não numa terra em particular, com fronteiras nacionais, como o antigo Israel, mas numa terra sem fronteiras, como Deus pretendia que fosse ao criá-la.”

Ou seja, uma das formas que os filhos podem mostrar publicamente que fazem parte da "nova criação" é obedecendo e honrando aos seus pais.

Conclusão 

A obediência aos pais não faz, somente, parte de nossa devoção a Deus, mas expressa a realidade da nova criação em Cristo Jesus e uma vida cheia do Espírito Santo.

Aplicação 

Devemos obedecer aos nossos pais em tudo, indistintamente? Não! As ordens que eles nos dão que contrariam a vontade de Deus podem ser desobedecidas com amor (cf. Dt 13.6-8).

Não copie seus amigos. Basta lembrar do relato que 1Reis nos mostra. No capítulo 12.6-11 o autor relata que Roboão estava com uma dúvida de como ele deveria tratar o povo. Ele pediu conselho aos anciãos sobre como poderia proceder, e eles disseram ao jovem rei que deveria ser amigo do povo (vv. 6,7), no entanto, ele rejeita. Não satisfeito, o texto mostra que ele busca conselhos com os jovens da cidade os quais haviam crescido com ele (vv. 8-10) e o conselho deles fizeram com que Roboão fosse pior que seu pai. O final da história todos nós já sabemos: o povo de Israel se rebelou (vv. 16-19).

Coloque em ordem o relacionamento com seus pais. Passe mais tempo com eles, pois um dia você terá que sair de casa e esse contato diminuirá. Lave louça com a sua mãe, lave o carro com seu pai, ajude-o consertar as coisas em casa, vá ao mercado com eles. Saia um pouco da rede social e socialize com seus pais.

Você não conseguirá cumprir tudo isso sem a ajuda do Espírito Santo. Se nós olharmos Efésios 5.18 veremos que é dever do crente ser cheio do Espírito Santo e uma das características deste enchimento é o nosso relacionamento com os nossos pais. Portanto, rogamos ao Pai que Ele nos encha com o Seu Santo Espírito, para que possamos ter uma vida que glorifique o Seu nome e que tenhamos um relacionamento com nossos pais que expresse o nosso relacionamento com Deus. 

Nota:
1 - THIELMAN, Frank, S. Efésios. In: BEALE, G. K., CARSON, D. A. (org). Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. – São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 1028



Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador

INTRODUÇÃO

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra”.

O Credo, como visto no texto anterior, tem uma estrutura trinitariana. O Deus confessado pelos cristãos não é outro senão o Pai, Filho e Espírito Santo. Três personas que dividem entre si a essência Divina, de modo que não existe hierarquia e subordinação. As três personas da Trindade são iguais em seus atributos, por isso que há unidade na pluralidade. O Deus Triúno é o Deus verdadeiro, confessado pelos cristãos.
No primeiro postulado do Credo, o enfoque recai sobre Deus Pai. E aqui vale ressaltar que chama-lo de “Pai” é imprescindível para todo aquele que deseja ser fiel a revelação da Escritura. O motivo da ressalva é que em alguns círculos, onde impera o liberalismo teológico, fazem a alegação de que chamar Deus de Pai é uma atitude sexista que endossa a visão patriarcal da antiguidade. As feministas até dizem que esse nome revela o machismo que há na Bíblia e subvertem a nomenclatura - alguns coletivos de mulheres que se dizem cristãs e feministas adotaram a palavra “Mãe” para se referir ao SENHOR.
Obviamente, Deus não tem gênero, mas se manifesta na Escritura como Pai. Isso não é apenas um termo usado pelos patriarcas do Antigo Testamento. Jesus, que é o ápice da revelação, diz que Deus é Pai e até mesmo nos instruí a orar, nos dirigindo ao “Pai nosso que está no céu”.  Acusar a Bíblia de ser um livro sexista ou machista é de uma leviandade imensa. Tais baboseiras são fruto de quem carrega pressupostos que não são bíblicos e trazem esses pressupostos para a interpretação do texto sagrado. Nós não podemos interpretar a Escritura com outro ponto de partida que não seja o conteúdo da própria Escritura. Nisso, o credo nos ajuda a nos mantermos fieis aos pressupostos bíblicos, pois resume o conteúdo da revelação contida nas páginas sagradas da Bíblia.
Como cristãos, precisamos crer que a Bíblia é a Palavra de Deus, pois o próprio Cristo pregou isso e adotou, na prática, o lema do sola Scriptura (somente a Escritura). Vejamos:
  • Cristo leu Isaías em Nazaré, textos que falavam acerca dele mesmo (Lucas 4. 14-30).
  • Cita três vezes o livro de Deuteronômio ao ser tentado pelo Diabo (Lucas 4.1-13).
  • Cita Gênesis ao ser indagado sobre o divórcio (Mateus 19).
  • Menciona uma passagem de 1 Samuel ao ser questionado por fariseus (Mateus 12).
  • Explana todo o Antigo Testamento no caminho de Emaús (Lucas 24.14-35).

Logo, se Cristo atestou a veracidade da Escritura, nós também devemos. Toda a Bíblia é inspirada e nos serve como fonte de revelação para que sejamos edificados mediante o seu conteúdo. A Escritura precisa assumir o seu lugar central em nossas vidas. Os homens são conduzidos à fé através da Palavra e este é o método ordinário que Deus usa para chamar o seu povo para Si. O Credo nos dá uma excelente contribuição ao ser formulado com base no texto sagrado. Ele nos lembra de que por sermos cristãos, somos o povo da Bíblia, detentores da revelação.
TRANSCENDÊNCIA E IMANÊNCIA
Pai Todo Poderoso revela que Deus é transcendente e imanente. Esse Deus a quem chamamos de “nosso Pai” é aquele que vai até as suas criaturas, revelando coisas sobre Si mesmo e instando os homens a se relacionarem com Ele através de um pacto. A revelação e a interação de Deus com a sua criação, sobretudo no relacionamento com os homens é o que na Teologia se chama imanência.
Mas, a imanência só faz sentido quando nos damos conta de que este Deus, que por sua soberana vontade se faz presente em nosso meio, é transcendente. O que isto quer dizer? A transcendência nos lembra que Deus está acima da criação, ele não pode ser confundido com nada do cosmos. Ele está para além de tudo o que existe no mundo criado. Como diz a segunda parte do primeiro postulado do Credo, Ele é o “Criador do céu e da terra”.
Quando paramos para contemplar a dimensão do mundo criado, muitas vezes nos surpreendemos com a sua imensidão. Todavia, nosso planeta é apenas um ponto azul no Universo que possui inúmeras galáxias. Mas o Criador é maior que a sua criação. O mundo criado não é “o corpo de Deus”. A matéria não é eterna, pois, Deus criou do nada (ex nihilo). Ele fez a matéria pelo poder de Sua palavra. O relato da criação demonstra o poderio do Senhor. Lemos em Gênesis 1 que bastava Deus falar “haja” e as coisas surgiam. Tudo bom e perfeito, refletindo a excelência do Autor da criação.

É pensando na transcendência divina que a imanência nos salta aos olhos como uma dádiva graciosa. Esse Deus, que está para além das coisas criadas, interage com a sua criação e, por graça, se relaciona com homens, chamando para si um povo, que pode se chegar ousadamente diante do trono da graça e chama-lo de Pai, a fim de obter misericórdia (Hb 4.16).

OS ATRIBUTOS DE DEUS
Quando o Credo afirma que Deus é Todo-Poderoso, nos remete aos seus atributos. Em sua essência, desde a Eternidade, Deus sempre foi o que Ele é. Quando se revela a Moisés, e este lhe pede seu nome para dizer ao povo. E a resposta de Deus é a seguinte:
Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês”. Êxodo 3:14

“Eu sou o que sou” reflete a imutabilidade de Deus. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Não muda em sua essência por já ser pleno, ser perfeito. Deus não evolui e nem se aperfeiçoa. Ele é! Diante de sua essência imutável, ficamos cientes de que tudo o que Ele revela sobre si mesmo são atributos que sempre fizeram parte de Deus, de modo que desde a eternidade Ele é o Deus Todo-Poderoso, justo, santo e fiel.

Os atributos divinos revelam a singularidade do Pai Celestial. Ele pode todas as coisas (onipotência), pois nada pode frustrar os seus desígnios. Aquilo que foi arquitetado pelo SENHOR não pode deixar de ser cumprido. Com seu poderio Ele controla todas as coisas e sabe todas as coisas (onisciência). Não há nada que podemos esconder, pois Deus está em todos os lugares (onipresença).  Nem mesmo o futuro surpreende a Deus, pois Ele tem conhecimento das coisas por vir, pois, toda História é de sua autoria e tudo está decretado de maneira que ninguém pode dar um passo fora de seu roteiro. Como Deus é eterno, não limitado ao tempo, passado e futuro são contemplados por Ele, tal qual o presente.

CRIADOR

Esse Deus Todo-Poderoso, ao criar céus e terra, não faz isso por sentir que algo lhe falta. Não é a solidão que move o projeto da criação. Deus se autossatisfaz. No relacionamento trinitário, sempre houve amor entre os componentes da Trindade, de modo que em si mesmo há pleno contentamento. Quando Deus cria o mundo e todos os seres que povoam o mesmo, faz para o louvor de Sua glória. E por graça, faz do homem a coroa da criação e põe nele a Sua imagem. Mas o motivo para Deus fazer tal coisa não pode ser “humanizado”. Não devemos enxergar nenhuma necessidade em Deus que o levou a criar o mundo e os seres humanos.

Outra coisa que devemos ressaltar é que todo elemento criacional, ou seja, a matéria, não faz parte de Deus. Como vimos, Ele transcende a sua própria criação. Mesmo relacionando-se com ela, e intervindo no mundo criado, o SENHOR é totalmente outro. Nenhuma partícula do universo faz parte da essência eterna do “Eu sou”. Nisso, os panteístas, que acreditam que a essência divina está em cada parte da natureza, estão equivocados em sua crença.

O mandamento que proíbe fazer imagens de Deus (Êxodo 20.4) reflete essa questão. Pois, ao retratarmos Deus com alguma figura da criação, o estaríamos rebaixando. Os israelitas fizeram um bezerro de ouro fundido quando estavam no deserto e Arão falou: “aí está o teu deus” (Êxodo 32.4). Seu pecado foi muito grave, quebraram o mandamento e reduziram o Deus Todo Poderoso a uma imagem de um animal quadrúpede. Não foi sem motivo que a ira do SENHOR foi manifesta entre o seu povo.
CONCLUSÃO

O Deus da Bíblia é este que o Credo nos mostra como sendo Pai, Todo-Poderoso e Criador. É assim que ele se revela e assim podemos adorá-lO com base no conteúdo revelado. É por termos a revelação que podemos falar sobre o Divino. Na Escritura sabemos quem Deus é e o que Ele requer de nós, suas criaturas. Mesmo que o conteúdo não seja exaustivo, de modo que há muita coisa sobre Deus que nos é mistério, em contrapartida, existe um abrangente conteúdo revelado que nos informa coisas sobre o SENHOR que nos são suficientes para adorá-lO e devotar a Ele nossas vidas.
Louvamos a Deus por Ele ter se revelado a nós e partilhado informações tão importantes que também nos ajudam a conhecermos a nós mesmos, pois, ao saber que existe um Criador, ficamos cientes de que somos suas criaturas. Também sabemos que somos seus filhos, por ser Ele o nosso Pai. Além do mais, é consolador ter o conhecimento de que Deus pode todas as coisas e que diante de tamanho poderio, temos esperança de que Ele há de nos conduzir com braço forte, nos protegendo de todo mal, agindo para o nosso bem, segundo o beneplácito de Sua vontade.
Soli Deo Gloria

Sobre o autor: Thiago Oliveira é graduado em História e especialista em Ciência Política, ambos pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso). Mestrando em Estudos Teológicos pelo Mints-Recife. Casado com Samanta e pai de Valentina, atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Livre em Itapuama/PE.

Divulgação: Bereianos

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã

INTRODUÇÃO

Vivemos numa era de incertezas, onde o chamado multiculturalismo nos diz que a simples afirmação de que cremos no Deus verdadeiro é um insulto para outros povos e outras crenças. Daí, muitos cristãos não estão certos se devem assumir dogmaticamente que a fé cristã é a verdadeira religião. Alguns, dentro das próprias igrejas e/ou seminários teológicos, advogam que a declaração de fé dogmática é coisa de outros tempos, algo que deve ficar restrito ao passado. Em suma, dizem não haver espaço para credos em nosso mundo pluralista.

Mas será que devemos nos curvar diante da cartilha multicultural e negar a nossa fé para não provocar nenhuma ofensa ou ressentimento em quem professa uma fé distinta?

Se pararmos para pensar nos cristãos do primeiro século, veremos que eles levaram a sua confissão de fé até as últimas consequências e foram mortos por sustentar as doutrinas basilares do cristianismo. Estes cristãos também viviam num mundo plural, em que o panteão de divindades era quase infindável. Cercados de ídolos por todos os lados, eles sustentavam que havia um só Deus e Senhor sobre todos e pagavam com a vida, mas não negavam a sua fé. Eles não retrocediam em nenhum ponto sequer.
O Credo dos Apóstolos, documento subscrito por católicos romanos, ortodoxos e protestantes, é uma compilação do ensino bíblico que remonta a esta época. Estudá-lo é importante, pois o seu conteúdo, traz aquilo que foi e continua sendo crido por cristãos em qualquer tempo e lugar. O conteúdo do Credo é composto de sentenças que foram retiradas da doutrina apostólica, daí a sua nomenclatura. Não é Credo dos Apóstolos por ter sido escrito pelos Doze, mas sim por resumir todo o ensino que eles levaram pelo mundo, comissionados pelo próprio SENHOR.
Resumindo o conteúdo do cristianismo em sentenças dogmáticas, o Credo dos Apóstolos acaba servindo como parâmetro para atestarmos, mediante a declaração ou negação de seus postulados, quem de fato é cristão e quem não é. Alguns podem rebater dizendo que o que atesta a fé genuína é a crença na Escritura, e que colocar o Credo como parâmetro de julgamento seria o mesmo que dizer que ele é tão autoritativo e inspirado quanto a Bíblia. Obviamente que não é isso, todavia, o Credo tem em seu texto afirmações que são provenientes da Escritura, de modo que negar uma de suas sentenças é negar o que a própria Bíblia nos ensina. O Credo nos diz “Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador dos céus e da terra”. Isso nos remete a qual texto bíblico? Tal afirmação não te leva para Gênesis 1? E quando diz em seguida “Creio em Jesus Cristo, seu único filho, Nosso Senhor”, não te reporta para João 3.16? Todo o texto credal é profundamente bíblico, de modo que não crer no que ele diz é ir de encontro com o ensino da inspirada Palavra de Deus. Pode um cristão não crer que Jesus foi nascido de uma virgem? É autêntica a fé de quem nega a ressureição do Cristo? Por isso reitero que o Credo dos Apóstolos acaba servindo como critério para atestarmos quem são os autênticos cristãos.
CONTEÚDO DO CREDO
Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao mundo dos mortos, ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo, na santa Igreja universal, a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida eterna.
Amém.


UM SÍMBOLO
Um recurso comum na cultura helênica era o de quebrar um objeto em duas partes e dá uma metade para outra pessoa com quem se tinha algum negócio. Tal objeto era chamado de “símbolo” e representava a autenticidade das partes envolvidas no contrato. Os romanos tornaram o símbolo um conceito militarizado. Quando generais precisavam se comunicar, quando legiões eram separadas nas fronteiras, quebravam um vaso e pegavam dois pedaços que se encaixavam perfeitamente um no outro. Assim, quando levavam alguma mensagem, o mensageiro portava juntamente com ela aquele caco e assim, havia o reconhecimento de que era um mensageiro legítimo, portando uma mensagem legítima.
Nesse ponto, o Credo dos Apóstolos é um símbolo, pois, ao ser proferido serve para autentificar o cristão a partir de sua mensagem, que vem diretamente do que ensinaram os apóstolos. Algumas tradições até o chamam de Símbolo Apostólico ou Símbolo de Fé. Portanto, num contexto onde havia crenças concorrentes, heresias e perseguição aos cristãos, o Credo tornou-se um artifício para que aqueles que eram sinceros fossem reconhecidos, perante a igreja visível, como crentes genuínos.
A PALAVRA CREDO
Credo é uma palavra que já se inseriu em nosso idioma, todavia, sua origem é latina e a sua grafia é a mesma que usamos. Credo, em latim, é creio. O nome Credo dos Apóstolos deriva da primeira frase que diz: “Credo in Deum”.

Aqui precisamos refletir mais sobre o que significa crer. Por se tornar um termo banalizado, muitos não se dão conta de que afirmar crer em algo é o mesmo que dizer “eu confio”. A crença em Deus requer tal confiança de que assim como Ele é real, a Sua palavra também é. Logo, aquele que crê se curva ao objeto de sua crença, devotando – com plena confiança – a sua vida. Vejam Abraão, o nosso pai na fé, conforme nos diz a Escritura. A sua crença em Deus não o levara a inércia. A fé depositada é uma fé que move a vida, assim, nossos atos devem corroborar aquilo que cremos.
Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” - Tiago 2:19,20

Embora não sejamos salvos por aquilo que fazemos, isto é, não por obras, somos salvos para as boas obras e estas devem ser públicas, servindo como testemunho de nossa fé. Assim sendo, quando declaramos a nossa crença em Deus, nos comprometemos com a realização das boas obras, o que envolve o compromisso de guardar os Seus estatutos. Crer não é apenas assimilação intelectual. Também não é um emaranhado de experiências sensoriais. Crer é demonstrar com a própria vida aquilo que professamos.
Portanto, o conteúdo do Credo, quando recitado, nos lembra de nosso compromisso servil perante o Senhor de nossas vidas. E este compromisso não é particular. A profissão de fé é pública, conhecida por todos. Mesmo que “creio” esteja no singular, indicando um compromisso pessoal, ele extrapola a esfera da individualidade, pois, cada eleito do Senhor faz tal declaração, o que nos confere pertencimento a um grupo que comunga da mesma fé. Então, na comunhão dos santos, o “creio” se transforma em “cremos”.
PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO
Crer em Deus, por si só, acaba sendo uma afirmativa vaga. São muitos os que dizem crer em Deus - com exceção dos ateus e agnósticos. Mas daí, em que Deus se crê? A nomenclatura acaba sendo a mesma para outras divindades. O que dá a singularidade para o Deus cristão é grafá-lo com o D maiúsculo. Todavia, há uma distinção mais detalhada. No cristianismo, a Divindade é triúna. O Divino é único, subsistindo em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Trindade é a nomenclatura recorrente, e se tivéssemos que dar um nome para Deus, este seria um bom nome.

A estrutura do Credo é trinitariana. Nele temos a afirmação de crença em Deus Pai, no Filho Jesus Cristo e no Espírito Santo. Logo, a Igreja deve estar alicerçada nesta afirmação basilar. O triúno Deus é o único Deus verdadeiro e desde os tempos eternos Ele existe como sendo uma comunidade composta de três personas distintas. Essas três pessoas são – juntas – Deus. Estão unidas por compartilharem da mesma essência, mas são distintas. O Pai não é o Filho e vice-versa. O Filho não é o Espírito e vice-versa. O Espírito não é o Pai e vice-versa. Desde os primórdios este tem sido o credo dos cristãos. Outro credo, datado do século IV, escrito por Atanásio, num período em que heresias contrárias à doutrina trinitariana se propagavam, diz:
“Ora, a verdadeira fé cristã é esta: que honremos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade. (...) Sem confundir as Pessoas ou dividir a substância. (...) Contudo não são três eternos, mas um só Eterno. (...) Contudo não são três todo-poderosos, mas um só Todo-poderoso. (...) Pois, assim como pela verdade cristã somos obrigados a confessar cada pessoa em particular como sendo Deus e Senhor, assim somos proibidos pela fé cristã de falar de três Deuses ou Senhores”.

Ao estudarmos cada postulado do Credo, esmiuçaremos a essência de cada membro da Trindade. O que nos resta afirmar sobre isso é que mesmo que possa ser algo que fira, aparentemente, a lógica, devemos ter em mente que Deus é tão intangível que alguns aspectos de Sua natureza não serão totalmente claros para nós. Todavia, o que for revelado por Ele acerca de si mesmo, devemos crer, mesmo que não saibamos explicar através da razão, assim sendo, precisamos acatar o pressuposto sabendo que nada sobre Deus é ilógico, apenas não alcançamos a plenitude do conhecimento devido a nossa finitude diante do Eterno.

CONCLUSÃO

Uma coisa maravilhosa que devemos aprender com o Credo é que seu texto não fala do homem. Ele aponta somente para Deus. Em muitas igrejas a pregação virou um meio termo entre psicanálise e palestras motivacionais. Isso porque se nutre uma atenção demasiada no ser humano. Precisamos resgatar o teocentrismo dos primeiros cristãos e falar mais sobre o Senhor e sua glória. Quanto mais conhecemos o Deus triúno, mais conheceremos sobre a natureza humana. Não há necessidade de inverter a ordem. Nossa busca por conhecimento deve começar tendo o Criador como ponto de partida, afinal, Ele é a medida de todas as coisas.

Que ao estudarmos o Credo dos Apóstolos, o Senhor possa nos abençoar com uma porção mais graúda de Sua presença em nosso meio. Que as palavras deste Credo ressoem e façam estremecer a nossa vida, para nos devotarmos a Trindade. No ato de se debruçar em cada postulado, haja deslumbramento diante da grandeza do SENHOR. Busquemos a face do Altíssimo e louvemos o esplendor de Sua santidade.

Soli Deo Gloria


Sobre o autor: Thiago Oliveira é graduado em História e especialista em Ciência Política, ambos pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso). Mestrando em Estudos Teológicos pelo Mints-Recife. Casado com Samanta e pai de Valentina, atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Livre em Itapuama/PE.

Divulgação: Bereianos

sábado, 20 de maio de 2017

O Dia do Senhor e o Culto Reformado

Até algum tempo atrás, uma das marcas distintivas do culto reformado era o seu compromisso com a santificação do Dia do Senhor como o tempo divinamente prescrito para que o povo da aliança de Deus adorasse esse Deus da aliança.

Esta perspectiva puritana possivelmente está melhor demonstrada na Confissão de Fé de Westminster:
“Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção de tempo seja destinada ao culto de Deus, assim  também, em sua Palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens, em todas as épocas, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (= descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudada para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão”.

Dizendo isso, os puritanos estavam em consonância com os reformadores ao dizer que o shabbat (sábado) não era o único dia em que o povo de Deus se reunia para o culto e também não estavam dizendo que a adoração é um tipo de atividade exclusivamente corporativa e que apenas acontece quando a igreja se une para adorar.
Foram os reformadores e puritanos que resgataram para nós a ideia de que adoração é a resposta do crente momento após momento à Palavra de Deus. Ao mesmo tempo eles tinham uma convicção apaixonada quanto a este ponto. Diziam que o culto cristão tem que ser ancorado e baseado no Dia do Senhor. Existe um debate que sempre está presente entre os próprios reformados com relação ao Dia do Senhor e o shabbat (sábado). Devemos considerar o Dia do Senhor como o shabbat? Isso ficará claro à medida que formos expondo o assunto.

Os que creem na perpetuidade do sábado cristão como sendo uma ordenança da graça que é obrigatória para todo povo de Deus, precisam lembrar que não estamos simplesmente engajados num conflito para persuadir nossos irmãos em Cristo e que passagens como Colossenses 2:16-17 não estão abolindo o sábado cristão que foi instituído na criação. Nossa batalha é muito mais séria que isto, pois estamos batalhando para resgatar os irmãos cristãos dos efeitos corrosivos da cultura contemporânea. O que estamos dizendo é, que o assunto tratado aqui, dentro da tradição reformada, não é somente de persuadir nossos irmãos em Cristo do caráter divino, mandatório do sábado cristão (shabbat) como sendo uma ordenança vinda da criação e do Evangelho, mas na verdade estamos diante de um trabalho ainda mais exigente. Ou seja, de persuadir nossos irmãos em Cristo da sabedoria daquele que nos deu o shabbat, do regozijo que é o sábado cristão e dos efeitos corrosivos e fatais de permitirmos que nossa cultura contemporânea venha formatar nossa vida espiritual e dos nossos filhos.
Fiquei extremamente espantado quando, há alguns anos, passei um período nos Estados Unidos e vi que o dia da final do campeonato de futebol, o evento esportivo mais enfatizado do ano, era praticado no Dia do Senhor e que muitas igrejas evangélicas, cristãs, naquele dia, até mesmo que professavam a fé reformada, cancelavam até os seus cultos dominicais para permitir que as pessoas fossem assistir este jogo. Quase não acreditei que isso estivesse acontecendo. Porém, disseram-me que mais igrejas mudariam até o horário de culto para permitir aos crentes irem a esta final de campeonato.

Eu tenho um filho que gosta muito de futebol e gosta muito de jogar. Outro dia ele me perguntou por que se marcavam tantos jogos exatamente no Dia do Senhor. Meu filho gosta muito de futebol e por isso fica frustrado quando não pode jogar e sente falta do jogo, mas mesmo assim não deixa de ir à igreja para participar dos jogos de futebol e nem ao menos pensa nisso. Mas percebo que esta situação vem continuamente se projetando para tomar controle sobre a igreja.

Levanto esta questão porque o problema não é realmente a guarda do sábado cristão, mas é algo mais profundo que isso. O assunto com o qual nos deparamos é o caráter de Deus, a Sua autoridade, a verdade de Sua Palavra e a sua suficiência. Se estamos convencidos que Deus é bom, somente bom, e que todos Seus caminhos para Seus filhos são sábios e agradáveis, isso nos deveria persuadir a abraçar com alegria a santificação do Dia do Senhor. Não deveríamos ser levados a pensar que as leis do Dia do Senhor não são mais para nós hoje e que por isso têm sido abandonadas por muitos cristãos que professam a fé reformada e que têm se esquecido de santificar este dia. A razão para isso é que eles não têm compreendido o sentido do Dia do Senhor.
O problema é mais profundo. A verdade é que as pessoas perderam o contato de quem Deus é. Creio que dificilmente poderíamos duvidar que, quando o Dia do Senhor não é uma ordenança graciosa, o culto na igreja deteriora e em seguida a sociedade deteriora. O Dia do Senhor é um testemunho da grande benignidade de Deus para com Seu povo e nos dá um tempo divinamente apontado por Deus para que nós O adoremos e Deus mesmo nos dá o foco apropriado em relação à Sua adoração.
Quero apresentar dois aspectos com respeito à guarda do Dia do Senhor.
1) Explicar o caráter obrigatório do Dia do Senhor para o cristão; essa era a convicção dos reformados puritanos e que surgiu de uma compreensão correta das Escrituras.
2) Destacar o significado e os benefícios de se observar o Dia do Senhor reservando-o para um culto que honra a Deus.

Caráter Obrigatório
I) Inicialmente gostaria de dizer que o Dia do Senhor foi instituído por Deus na criação. Lemos em Gênesis 2 que Deus terminou sua obra no sexto dia e no sétimo descansou do que havia feito. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele descansara de todas as obras que havia feito. Antes que o pecado entrasse no mundo Deus já havia providenciado um sábado (descanso) para Adão e Eva e seus filhos. Nas palavras do grande presbiteriano John Murray, o sábado é uma ordenança da criação dada por Deus para o benefício de todas as Suas criaturas. Geralmente se diz que Calvino ensinava que o sábado, como dia de descanso, havia sido ab-rogado na dispensação do Novo Testamento. Para apoiar isso, são citados seus comentários sobre o quarto mandamento e sua exposição em Colossenses 2:16-17. Sem dúvida existe alguma diferença entre a perspectiva de Calvino e os puritanos, mas na minha opinião são circunstanciais e pequenas. Quando lemos o que Calvino escreveu no seu comentário de Gênesis 2:3, escrito em 1561, dois anos depois da edição final das Institutas, o que é bastante significativo, encontramos uma exposição que o reformador faz de forma sucinta, da sua perspectiva do sábado cristão. Calvino disse:
“Quando ouvimos que o sábado foi ab-rogado pela vinda de Cristo, devemos distinguir o que pertence ao governo perpétuo da vida humana e o que pertence propriamente às figuras antigas. O uso destas foi abolida quando a verdade foi cumprida. Descanso espiritual é a mortificação da carne ao ponto de que os filhos de Deus não devem viver para si mesmos ou permitir livremente as ações de suas inclinações. Assim, na medida que o sábado era uma figura (obs: com isso os puritanos concordariam). Mas, na medida em que foi ordenado aos homens, desde o início, de que eles deveriam se engajar no culto a Deus, é legítimo que o sábado cristão deva continuar até o fim do mundo. O sábado é uma ordenação da criação que é perpétua”.

II) A segunda coisa que tenho para afirmar é que o sábado cristão está baseado no exemplo divino. Esse é o ponto de Moisés em Êxodo 20:11. O ritmo do homem alternado entre trabalho e descanso é o sério padrão do ritmo criador. John Murray faz a seguinte afirmativa: “Podemos pensar no exemplo que Deus nos deu de trabalho e descanso como sendo um padrão de conduta eterno para a raça humana nas ordenanças de trabalho e descanso”.
III) A ordem de Deus para que guardemos o Dia do Senhor está embutida nos dez mandamentos. O quarto mandamento garante e valida a permanência do mandamento para guardarmos o Dia do Senhor e estabelece a guarda do sábado cristão no coração da vida de adoração do povo de Deus. Acho absurdo quando ouço irmãos que, dizendo-se reformados, tentam me convencer que o “shabbat”, o sábado, foi abolido, deixando um dos dez mandamentos fora de validade para a vida do povo de Deus. Na verdade, Deus deu validade à guarda do sábado por colocá-lo dentro do decálogo.

IV) Nosso Senhor Jesus Cristo destacou a importância da permanência do shabbat. Jesus nos diz em Marcos 2.27: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado”. O que mais poderíamos dizer com relação a isso? A minha preocupação é simplesmente mostrar a importância do fundamento da guarda permanente do shabbat. Deus tem gravado esta verdade em Sua Palavra e nós nos desviamos dessa ordenança apenas para sermos prejudicados espiritualmente. Pertence nossa obediência à verdade revelada de Deus e nossa submissão ao nosso Pai amorável. Tendo estabelecido o fundamento bíblico para o dia do Senhor e considerando a transição do sábado para o domingo, quero considerar quais os benefícios e o significado de guardar o dia do Senhor.
Significado e Benefícios
I)            O shabbat nos dá uma oportunidade de buscar o Senhor e adorá-lo sem distração. No ano passado passei um tempo no Marrocos visitando famílias cristãs. Viver num país muçulmano como aquele significa não ter liberdade para guardar o Dia do Senhor como os cristãos gostariam. Mas em países como Brasil e Escócia ainda temos o privilégio precioso dado por Deus de preservar e guardar o Dia do Senhor como um dia santo. Irmãos, valorizem o Dia do Senhor; lutem por ele; os assuntos relacionados com a guarda do dia de descanso são profundos. Essa provisão que Deus nos faz que o adoremos sem distração alguma é uma visão que vem do próprio Deus.
II)         
II) O shabbat nos dá oportunidade de adorar coletivamente a Deus e buscá-lO juntos. O shabbat enfatiza o caráter bíblico e corporativo do culto que se deve prestar a Deus. O nosso Deus fez uma provisão graciosa por seu povo. Ou seja, que O adoremos juntos. Esta verdade perece dia após dia em nossa época. Desde o iluminismo, na cultura ocidental e particular, o indivíduo tornou-se o centro de todas as coisas e essa preocupação absorvente com o indivíduo desfechou um golpe mortal no pensamento bíblico com respeito à aliança. Os cristãos não têm mais qualquer doutrina, não têm mais esta compreensão do caráter coletivo da Igreja, e mesmo cristãos que se professam reformados não têm mais qualquer sentido do caráter corporativo do culto da aliança. Estou cada vez mais convencido que o sábado cristão é talvez o meio principal usado por Deus de educar o seu povo na vida e no culto do pacto. Guardar o Dia do Senhor, o sábado cristão, é o antídoto poderoso para aquele individualismo absorvente que marca tanto o mundo que nós vivemos como a igreja de Cristo.

III) O shabbat coloca diante de nós os grandes feitos de Deus na criação e na redenção. No sábado cristão somos graciosamente capacitados por Deus em nos centralizarmos na criação e na redenção e despertar nossos corações e mentes ao seu louvor. Calvino coloca o seu dedo exatamente nesse ponto. No livro II das Institutas, capítulo 8, ele diz:
“Durante o repouso do sétimo dia, na verdade, quando Deus determinou que se descansasse no sétimo dia, o legislador divino queria falar ao povo de Israel do descanso espiritual quando os cristãos devem deixar de lado o seu trabalho para permitir que Deus trabalhe neles”.

Em outras palavras, o shabbat nos dá oportunidade de repousar de nossas próprias obras e nos concentrar nas obras de Deus. Nesse sentido, o shabbat é um símbolo evangélico, um glorioso símbolo semanal da justificação gratuita. Nós vivemos em uma época em que os cristãos andam em busca de sinais e símbolos. Demos a eles o grande símbolo do Evangelho: um dos grandes símbolos e sinais do Evangelho é o shabbat que nos foi dado por Deus.

IV) O shabbat destaca a importância dos cultos matinais e vespertinos. Parece muito simplório. Mas mesmo assim é importante falar deles. Honrem o sábado cristão, não somente uma parte dele, mas como um todo. Se havia uma coisa que caracterizava a religião puritana, a prática puritana, era a maneira cuidadosa que brotava de seus corações e pela qual eles se entregavam alegremente, de forma não legalista, à guarda do Dia do Senhor.

V) O Dia do Senhor é uma preparação para o céu. Ouçamos as palavras de Richard Baxter: “Qual o dia mais apropriado para subir ao céu do que aquele em que Ele ressurgiu da terra e triunfou completamente sobre a morte e o inferno? Use o seu shabbat como passos para a glorificação até que tenha passado por todos eles e chegue à glória”. A religião puritana floresceu no solo regozijante da guarda do sábado cristão. É por causa destas coisas que somos chamados em Isaías 58, pelo próprio Senhor, para considerarmos o sábado como um deleite e a isso ele adiciona uma promessa. Se guardarmos seus sábados como sendo um deleite, encontraremos nossa alegria no Senhor.
Esse capítulo 58 de Isaías é mais uma confirmação de que a guarda do sábado cristão deveria ser considerada como parte da Lei Moral e não simplesmente mais uma observância pertinentes às leis cerimoniais. Esta passagem de Isaías onde o mero cerimonialismo é denunciado pelo profeta, há um apelo para a guarda do sábado como sendo importante para o culto espiritual.
Sei que existe o perigo de dar ao sábado cristão um lugar central no culto, fazendo com que ele torne-se um exercício de justiça própria. Sabemos da condenação tremenda feita pelo Senhor em Isaías 1. Mas os crentes reformados deveriam guardar o Dia do Senhor de forma santa. Devemos chamá-lo de um deleitoso. Por quê? Por causa de nossa obediência ao nosso Deus e amor ao nosso Salvador. Jesus disse: “Se vocês me amam, guardem meus mandamentos”.
Neste sentido a guarda do Dia do Senhor, o sábado cristão, ou é o resultado da obediência legalista, ou da obediência evangélica. Se for o produto de uma obediência legalista, a guarda do dia do Senhor será sem alegria, monótona, formal e alguma coisa que simplesmente traz auto-justiça e vaidade pessoal. Mas se a guarda do Dia do Senhor é o resultado de uma obediência evangélica, será profundamente regozijante. Diremos como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram, vamos à casa do Senhor”. Se for uma guarda por causa de uma obediência evangélica, será algo refrescante que nos revigora e nos humilha.
John Murray, cujos escritos trouxeram uma impressão inapagável na minha vida quando moço (Por exemplo: Redenção, Conquistada e Aplicada (Cultura Cristã ― Obra que considerei como a melhor peça sobre justificação jamais escrita por alguém), disse: “O shabbat semanal é uma promessa, um sinal, e um antegozo daquele descanso consumado. A filosofia bíblica do shabbat é de tal maneira, que negar sua perpetuidade é privar o movimento da redenção de uma das suas mais preciosas características”.

Vivemos numa época em que mais do que nunca precisamos resgatar o shabbat para o povo de Deus, porque amamos o povo de Deus e desejamos seu bem diante de Deus. Sabemos que Deus quer abençoar Seu povo com isso. Mas sabemos também que a bênção que Ele deseja dar nunca virá sem a honra que o povo deve ao Dia do Senhor. Pelo bem espiritual dos nossos filhos devemos educá-los ensinando a honrar o Dia do Senhor, mas não como uma coisa rotineira e sem alegria. Como poderia o cultuar a Deus e esperar n'Ele ser algo monótono ou cansativo? Na verdade, o Dia do Senhor foi algo criado por Deus para o bem de Seus filhos. Estou quase convencido que o sucesso dos puritanos pode ser traçado por seu compromisso de guardar o Dia do Senhor para honra de Deus. Deus abençoou grandemente seus labores, seus escritos, porque foram homens e mulheres que honraram o dia do Senhor.
Finalmente cito Baxter porque creio que suas palavras expressam o coração da compreensão puritana com respeito ao shabbat: “Que dia é mais apropriado para subir ao céu do que aquele em que ele ressurgiu da terra e triunfou plenamente sobre a morte e o inferno? Use seus shabbats como passos para a glória até que tenha passado por todos eles e lá tenha chegado”.
O Dia do Senhor é para o povo do Senhor como um antegozo ou penhor do céu que nós tanto almejamos. Nós desejamos e sonhamos com aquele dia em que estaremos com o Senhor para sempre. Até que aquele dia venha, façamos do Dia do Senhor tudo aquilo que Deus gostaria que fizéssemos. Que seja o pulso palpitante da vida espiritual da Igreja e que partindo de nossa obediência evangélica nos reunamos para o encontro com nosso Deus e para receber as promessas que Ele decidiu nos dar, para aqueles que honram o Seu dia, porque assim honram aquele que instituiu esse dia.

Amém.

Autor: Ian Hamilton


Fonte: bereianos

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Batalhando pela segurança eterna dos santos

A pergunta que nunca se cala: O crente pode perder a salvação? Essa questão inquieta teólogos e cristãos não acadêmicos de diversas denominações. Enquanto alguns se agarram nas promessas de Jesus: “ninguém as arrebatará das minhas mãos” (Jo 10.28); outros lutam para cumprir as advertências do próprio Cristo: “quem perseverar até o fim será salvo” (Mc 13.13).
Nos deteremos à posição reformada apenas: a posição de que o crente não perde a salvação. Porém, dentro da posição reformada existe divergência entre os teólogos acerca do significado das advertências. Para limitarmos nosso estudo, focaremos em apenas uma das posições e a defenderemos como posição mais coerente na interpretação das Escrituras.

Um estudo do caso
O Novo Testamento trata de alguns casos em que há uma afirmação acerca da salvação das pessoas envolvidas. Dois deles são exemplos clássicos: Pedro e Judas. Jesus estava reunido com seus discípulos em seus últimos momentos e em sua oração por eles, Jesus afirmou:
Enquanto eu estava com eles, eu os guardei e os preservei no teu nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. - João 17.12

Jesus afirmou categoricamente que Judas não fora guardado por ele para que a Escritura se cumprisse. Uma dura verdade. Mas, a salvação dos discípulos, assim como a nossa, dependia exclusivamente da preservação de Jesus. Ainda no mesmo período de tempo desta afirmação de Jesus, o Mestre previu a traição de Pedro:
Simão, Simão, Satanás vos pediu para peneirá-lo como trigo; mas eu roguei por ti, para que tua fé não esmoreça; e quando te converteres, fortalece teus irmãos. Pedro lhe disse: Senhor, estou pronto para ir contigo tanto para a prisão como para a morte. Disse-lhe Jesus: Pedro, eu te digo que o galo não cantará hoje antes que tenhas negado três vezes que me conheces.” - Lucas 22.31-34

Observe que Jesus impediu Satanás de tirar-lhe a fé. Jesus o preservou. Porém, no que dependia de Pedro, ele trairia Jesus. No entanto, Jesus afirmou que Pedro seria restaurado (QUANDO te converteres e não SE te converteres). Jesus preservou a fé final (a perseverança) dos seus discípulos, assim como faz conosco, mesmo em meio às suas quedas momentâneas.
“Minha confiança em ser preservado, não consiste na minha habilidade em preservar, mas minha confiança repousa no poder de Cristo em sustentar-me em sua graça e em sua intercessão por nós”¹ - R.C. Sproul

2. As advertências do Evangelho:
Como podemos entender as advertências do Evangelho, então? Claramente na Escritura há um chamado a examinarmos se estamos ou não em Cristo:
Examinai a vós mesmos, para ver se estais na fé. Provai a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? A não ser que já estais reprovados.”- 2 Coríntios 13.5

Em nosso ponto de vista esta questão facilmente se resolve quando entendemos o texto de Hebreus 6.4-9. Esse texto, embora muito disputado, pode ser esclarecido com o contexto da carta:
Porque temos nos tornado participantes de Cristo, se mantivermos a nossa confiança inicial firme até o fim.”- Hebreus 3.14

Entendemos que esse versículo elucida que os verdadeiros crentes são aqueles que permanecem até o fim em sua “confiança inicial”. São aqueles que professaram sua fé em Jesus e a conservaram até o fim. A Manutenção da confiança inicial até o fim é prova de que temos nos tornado participantes de Cristo.
Tendo este texto em mente, entendemos o texto de Hebreus 6.4-9:
Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública. Pois a terra que absorve a chuva, que cai frequentemente e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção de Deus. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada. Seu fim é ser queimada. Amados, mesmo falando dessa forma, estamos convictos de coisas melhores em relação a vocês, coisas próprias da salvação.”

Entendemos que as pessoas das quais falam os versículos, provaram mas não “nasceram de novo” (Jo 3) de fato. Elas conheceram as verdades do Evangelho, e até foram influenciadas por ele, mas não são filhos de Deus (Jo 1.12). Elas se tornaram participantes ao serem apenas companheiras de caminhada, assim como haviam companheiros do povo que saiu do Egito, porém não entraram na terra prometida² (1 Cor 10.1-13). Assim, elas chegaram até a mudar certos hábitos pecaminosos, mas nunca foram regeneradas pelo Espírito Santo (Tt3.4-7).

Wayne Grudem elucida muito bem esta explicação com a seguinte ideia:
“Portanto, o autor quer fazer um grave alerta àqueles em perigo de cair da fé cristã (pressupondo que na comunidade da carta haja não regenerados). Ele quer usar a linguagem mais forte possível para dizer: ‘vejam aqui até onde a pessoa pode chegar na experiência das bênçãos temporárias, sem, no entanto, realmente estar salva’. Ele os exorta a vigiar, pois não basta depender de bênçãos e experiências temporárias. Para isso, ele fala não de uma verdadeira mudança no coração ou de algum bom fruto, mas simplesmente das bênçãos e experiências temporárias que essas pessoas tiveram e que lhes deram uma compreensão parcial do cristianismo.”³

A parábola do semeador (Mt 13.1-23) deixa bem claro a possibilidade de que na comunidade da fé exista aqueles que não são verdadeiros cristãos. A parábola afirma que em alguns dos solos houve uma “germinação”, porém não se sustiveram. Entendemos que o “solo bom” é o coração genuinamente trabalhado pelo Espírito Santo, para que possa produzir os “resultados” do Evangelho (Jo 16.7-11). Ou seja, os verdadeiros crentes permanecem:
Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram, para que se manifestasse que não eram dos nossos.”- 1 João 2.19

Por fim, embora tenhamos a segurança da salvação prometida com toda a expressão possível no Novo Testamento (Jo 10.27-29; Rm 8; Ef 1.13-14; 1 Pd 1.5; Jd 24,25; etc.), não somos chamados a uma “preguiça espiritual”. Somos convidados por Jesus e os apóstolos a perseverarmos. Somos convidados a batalhar pela nossa fé na esperança confiante de que Deus vencerá por nós e nos guardará até o fim.
Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.” - Filipenses 2.12,13


Fontes:
[1] R.C. Sproul. Disponível em: O que é teologia reformada? (DVD – Fiel)
[2] Carson, D.A. Disponível em: Análise da carta de Hebreus (aula 3)
[3] Grudem, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2011.

Sobre o autor: Rafael Moraes Bezerra é formado em Direito pela UFJF; mestre no programa Master of Divinity pela EPPIBA (Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia) em parceria com a TLI (Training Leaders International); Pastor auxiliar da Primeira Igreja Batista em Ubá/MG


Fonte: Bereianos