domingo, 13 de agosto de 2017

O Testemunho do Espírito Santo

“…Este é um bom lugar para dizer algo sobre o testemunho ao nosso espírito, pelo Espírito Santo, de que somos filhos de Deus (Rm. 8:16). Muitos não compreendem isso, pelo que tenho percebido. Pensam que o testemunho do Espírito é uma revelação imediata do fato de que são filhos adotados de Deus. É como se Deus falasse ao íntimo deles, por um tipo de voz ou impressão secreta, assegurando-lhes que Ele é seu Pai.

É a palavra “testemunho” que engana essas pessoas a ponto de pensarem assim. Quando as Escrituras dizem que Deus “testifica com o nosso espírito”, elas supõem que deve significar que Deus assegura ou revela a verdade diretamente. Um olhar mais cuidadoso às Escrituras mostra que isso não é correto. Por “ser testemunha” ou “testificar”, o Novo Testamento muitas vezes quer dizer apresentar evidência da qual algo pode ser provado como sendo verdade. Por exemplo, em Hb 2:4 lemos: “dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuição do Espírito Santo segundo a Sua vontade.” Esses sinais, maravilhas, milagres e dons são chamados “testemunho de Deus”, não por serem assertivas, mas por serem evidências e provas. De novo, temos 1 Jo. 5:8, quando João chama “a água e o sangue” de testemunha. A água e o sangue não afirmam coisa alguma, porém foram evidências. Mais uma vez, a obra da providência de Deus nas estações de chuva e frutos são “testemunho” da bondade de Deus, isto é, são evidências dessas coisas (At 14:17).

Quando Paulo fala do Espírito Santo testificando com o nosso espírito que somos filhos de Deus, não quer dizer que o Espírito nos faz alguma sugestão ou revelação sobrenatural. Os versículos anteriores mostram o que Paulo quer dizer: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito da escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm. 8:14-16). Isso significa que o Espírito Santo nos dá evidência de que somos filhos de Deus, por habitar em nós, dirigindo-nos e inclinando-nos a um comportamento para com Deus, tal como filhos para com um pai.

Paulo fala de dois espíritos, o espírito de escravidão, que é o medo; e o espírito de adoção, que é o amor. O espírito de escravidão opera pelo medo; o escravo teme a punição, entretanto o amor clama “Aba, Pai!” e permite que um homem vá até Deus e se comporte como filho dEle. Nesse amor filial por Deus, o crente vê e sente a união de sua alma com Ele. A partir disso tem segurança de ser filho de Deus. Assim, o testemunho do Espírito Santo não se trata de um sussurro espiritual ou revelação imediata. É o efeito santo do Espírito de Deus nos corações dos crentes, levando-os a amar a Deus, odiar o pecado e buscar a santidade. Ou, como Paulo o coloca: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis.” (Rm. 8:13).

Quando Paulo diz que o Espírito Santo testifica com nosso espírito, não quer dizer que hajam duas testemunhas separadas e independentes. Quer dizer que recebemos pelo nosso espírito o testemunho do Espírito de Deus. Isto é, nosso espírito vê e declara a evidência de nossa adoção produzida pelo Espírito Santo em nós. Nosso espírito é a parte de nós que as Escrituras chamam, em outro lugar, de o coração (1 Jo. 3: 19-21) e de a consciência (2 Co 1:12).

Dano terrível tem resultado do pensamento que o testemunho do Espírito Santo seja um tipo de voz interna, sugestão, ou declaração de Deus para um homem que ele é amado, perdoado, eleito, etc. Quantas emoções vigorosas, porém falsas, resultaram dessa ilusão! Receio que multidões tenham ido para o inferno iludidas por elas.”…

Por: Jonathan Edwards]


Fonte: https://iprbsp.com
Imagem: Google

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